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Dó, Ré, Mi, Fá, Sol...

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Fotografia: MC

As mamãs e o papás levam os filhos aos concertos, desde pequeninos. Para eles aprenderem a gostar de música. Vão ver a Aída a São Carlos, o Lago dos Cisnes à Gulbenkian, o Luganski ao CCB... e perguntam: "ó mamã, porque é que o bruxo não gosta dos cisnes?", "ó papá, porque é que aquele senhor está ali, no meio, a tocar sozinho?", "ó mamã, então o maestro não canta também?". As vezes adormecem e ressonam, Outras mexem-se nas cadeiras, desembrulham caramelos, dizem "ó papá, quando é que isto acaba?", "Cala-te, não estás a gostar?". "Estou, papá, mas quando é que acaba?"...

É bom. É bom os meninos aprenderem a gostar de música desde pequeninos. É bom tornarem-se melómanos. Assim, quando forem crescidos, farão o possível e o impossível para arranjar bilhetes para os concertos, e hão-de-se irritar duplamente, triplamente, com os meninos e papás sentados na fila da frente...

Comentários

Mário,
Ao menos os meninos das mamãs e dos papás não se atreveram a cantar ao mesmo tempo! Também acho muito bem que se levem as crianças a estes eventos, mas infelizmente, hoje em dia, são poucos os pais dispostos a dispensar uma estalada, ou a sair para fora da sala quando a criança está a passar das marcas...

Pois é, Mário, és pró-palmada no rabo? Achas que se deve aplicar às crianças os tais correctivos?

Não, salvo excepções. Aliás, acho que todos passamos pelo mesmo, por aguentar umas secas até perceber como se gostam das coisas. É como aquelas intermináveis refeições de domingo, em família, em casa dos avós (ainda haverá?) - os miúdos odiavam e adoravam. Faz falta este tipo de coisas. O que eu queria referir é que, depois, a nossa apreciação muda.
No fundo, na cena que descrevi, todos fazem o seu papel - pais, meninos e os melómanos da fila de trás... e até o maestro, a pianista e os demais.
Agora, fora de brincadeiras, acho que é fundamental para a saúde mental e para o desenvolvimento da estética e da estabilidade afectiva ouvir música, estar em ambientes em que a música seja parte integrante, frequentar concertos e salas de concertos desde miúdo, ouvir vários tipos de música~, cantar e, se possível, experimentar tocar um instrumento (a partir dos 5 anos, mais coisa menos coisa).
Que não se leia alguma crítica aos "papás" e aos "meninos", mas apenas uma curiosa constatação de que os intersses mudam ao longo da vida e que o processo de aprendizagem tem destas coisas...
Quanto às palmadas, se for in extremis, à mão e não à pessoa, ou num rabo almofadado por fraldas, a propósito, adequado e sobretudo justo (quando os outros métodos falharam perante a constante provocação), não tenho a opôr... castigos corporais ou exercícios de poder perverso é que não...

não é muito frequente, mas gosto de levar os meus filhos, também. Agora não tanto, mas dantes dava-lhes para dançar loucamente no espaço disponível e eu deixava. Quando se tem filhos, fica-se egoísta se a razão é eles.

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