Dó, Ré, Mi, Fá, Sol...

Fotografia: MC
As mamãs e o papás levam os filhos aos concertos, desde pequeninos. Para eles aprenderem a gostar de música. Vão ver a Aída a São Carlos, o Lago dos Cisnes à Gulbenkian, o Luganski ao CCB... e perguntam: "ó mamã, porque é que o bruxo não gosta dos cisnes?", "ó papá, porque é que aquele senhor está ali, no meio, a tocar sozinho?", "ó mamã, então o maestro não canta também?". As vezes adormecem e ressonam, Outras mexem-se nas cadeiras, desembrulham caramelos, dizem "ó papá, quando é que isto acaba?", "Cala-te, não estás a gostar?". "Estou, papá, mas quando é que acaba?"...
É bom. É bom os meninos aprenderem a gostar de música desde pequeninos. É bom tornarem-se melómanos. Assim, quando forem crescidos, farão o possível e o impossível para arranjar bilhetes para os concertos, e hão-de-se irritar duplamente, triplamente, com os meninos e papás sentados na fila da frente...

Comentários
Mário,
Ao menos os meninos das mamãs e dos papás não se atreveram a cantar ao mesmo tempo! Também acho muito bem que se levem as crianças a estes eventos, mas infelizmente, hoje em dia, são poucos os pais dispostos a dispensar uma estalada, ou a sair para fora da sala quando a criança está a passar das marcas...
afixado por: Bernardo | janeiro 12, 2006 09:53 AM
Pois é, Mário, és pró-palmada no rabo? Achas que se deve aplicar às crianças os tais correctivos?
afixado por: João Cúcio | janeiro 12, 2006 10:57 AM
Não, salvo excepções. Aliás, acho que todos passamos pelo mesmo, por aguentar umas secas até perceber como se gostam das coisas. É como aquelas intermináveis refeições de domingo, em família, em casa dos avós (ainda haverá?) - os miúdos odiavam e adoravam. Faz falta este tipo de coisas. O que eu queria referir é que, depois, a nossa apreciação muda.
No fundo, na cena que descrevi, todos fazem o seu papel - pais, meninos e os melómanos da fila de trás... e até o maestro, a pianista e os demais.
Agora, fora de brincadeiras, acho que é fundamental para a saúde mental e para o desenvolvimento da estética e da estabilidade afectiva ouvir música, estar em ambientes em que a música seja parte integrante, frequentar concertos e salas de concertos desde miúdo, ouvir vários tipos de música~, cantar e, se possível, experimentar tocar um instrumento (a partir dos 5 anos, mais coisa menos coisa).
Que não se leia alguma crítica aos "papás" e aos "meninos", mas apenas uma curiosa constatação de que os intersses mudam ao longo da vida e que o processo de aprendizagem tem destas coisas...
Quanto às palmadas, se for in extremis, à mão e não à pessoa, ou num rabo almofadado por fraldas, a propósito, adequado e sobretudo justo (quando os outros métodos falharam perante a constante provocação), não tenho a opôr... castigos corporais ou exercícios de poder perverso é que não...
afixado por: Mário Cordeiro | janeiro 12, 2006 11:07 AM
não é muito frequente, mas gosto de levar os meus filhos, também. Agora não tanto, mas dantes dava-lhes para dançar loucamente no espaço disponível e eu deixava. Quando se tem filhos, fica-se egoísta se a razão é eles.
afixado por: susana | janeiro 12, 2006 03:38 PM