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E o miúdo até pediu desculpa...

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"A mim custa-me ter de dar uma palmada ou uns puxões de orelhas, mas temos de lhes dar educação.
" - diz o "mais velho", ao DN de hoje.

O mais novo foi agredido, de forma quase selvática, pelo mais velho. O mais velho é monitor de gaiatos. O mais novo é um gaiato da casa dos mesmos.
A mesma Casa que mereceu um relatório da Inspecção Geral do Ministério da Segurança Social (até é uma entidade do Estado Português... do Governo da República...) que levou a que se suspendesse a entrada de mais crianças (tal a gravidade dos factos imputados) e que se fizesse, de imediato, uma Comissão para "melhorar" algumas coisas na Casa. A Casa onde, segundo apuraram vários jornalistas de investigação (Público, Grande Reportagem), vivem dezenas e dezenas de crianças, contra tudo o que pode ser considerado como "viver em família", com pessoal predominantemente masculino, em que lhes é dito que "a verdadeira família passa a ser o conjunto dos habitantes da casa" (e lhes é dado um "espírito de grupo" que tem mais a ver com perversos códigos de honra do que com lealdade e espírito de pertença). Onde ocorrem algumas coisas muito sérias, segundo o relatório da Inspecção. Aliás, curiosamente, a seguir ao relatório surgiu uma felizmente efémera "associação de apoio à Casa do Gaiato" (tão efémera quanto ridícula), liderada pela deputada Zita Seabra e arregimentando figuras públicas importantes e mediáticas (que, dá-me ideia, nem souberam ao que iam... - como se sentirão agora?!).

Esta é a Casa que se escuda na Obra do Padre Américo, como se os tempos, os conceitos e o que se sabe e exige em educação e protecção infantil e juvenil não tivesse mudado desde o tempo do seu fundador. Como se o objectivo fosse apenas "tirar as crianças da rua", e não "dar às crianças em perigo as mesmas condições, vivências e oportunidades que damos aos nossos filhos".
Gaiatos e casas. É bom que a "sociedade civil" não faça (outra vez de conta que isto não é com ela e assobie para o lado). Pelo menos os leitores deste post não poderão dizer que "não sabiam", se daqui a uns anos "rebentar" algum "processo"...

A tempestade "que se fez num copo de água" com o testemunho da técnica do Instituto Nacional de Estatística que viu a agressão já teve um efeito prático o funcionário da instituição está em casa à espera que o caso seja averiguado. O rapaz "está calmo e tem ido à escola". Contactado pelo DN, o padre Acílio Fernandes, director-geral da Casa do Gaiato, disse que "o miúdo até já pediu desculpa ao mais velho".

O míúdo até pediu desculpa, diz o director, o mesmo director que, na SIC, afirmava que "não se metia em assuntos lá dos rapazes" (cito de cor).

Ainda acreditam que isto mude? Ainda acreditam que mais de 150 crianças metidas numa instituição faz sentido nos nossos dias, quando há experiências várias (vejam-se as casas da Associação Novo Futuro e de tantas outras) e até recomendações de peritos que indicam dez a doze como o número máximo desejável? (em Espanha há legislação sobre isto, aliás).
Os maus tratos e abusos de crianças e jovens ofendem e a dignidade das pessoas abusadas, mas também ofendem a sociedade. A passividade e a aceitação destas coisas, não são mais do que cumplicidade com desrespeitos gravíssimos pelos direitos consagrados na Convenção sobre os Direitos da Criança. Que Portugal assinou e ratificou... em 1990...

Comentários

Olá Mário,
Por mais evoluido que seja o país, nenhum se preparou de fato para superar a problemática dessas crianças "jogadas" nas instiuições a cada aborto do meio em que vive.
Há um batalhão de gente trabalhando para contornar essa situação vergonhosa mas, enquanto isso, as pessoas com o poder de legalizar qualquer situação complica tudo, tirando o máximo de proveito da miséria alheia, sim, porque ao meu ver se a miséria não fosse lucrativa, nenhum governo no mundo fecharia os olhos para esse desmande.

É verdade, no tempo do padre Américo não existiam os tais direitos da criança. Mas uma pobreza extrema. ( década de 30 40 50 ) Em que a acção de uma pessoa e é isso que distingue as pessoas, melhorou ou contribuiu para melhorar a vida de muitas outras. (Crianças). Concordo que os tempos são outros a miséria é outra os direitos são outros, mas então é preciso reformular o que é a casa do gaiato. Para não se ver reportagens a dizer que na casa do gaiato há trabalho infantil ou exploração das crianças, pois tal não corresponde a filosofia com que foi instituída a casa do gaiato, mas pela concepção actual sim, pode falar-se nisso.
Só que a casa foi inspirada em tirar crianças da rua abandonadas e sem família, fazer delas pessoas responsáveis e produtivas, como num provérbio, não dês o peixe mas ensina a pescar, onde todos tem uma função a desempenhar por mais pequena que seja.
A sociedade mudou as mentalidades mudaram e coisas que na altura eram valorizadas de uma maneira hoje podem ser vistas como exploração das crianças, trabalho infantil etc
Já ouvi falar em alguns casos que se tem lá passado pela comunicação social. Só que a vivência de uma comunidade em auto governo exige disciplina e ordem, por vezes com alguma severidade para evitar o caos, quem passou pelo serviço militar ou passou por colégios privados sabe que isto é verdade e também sabe dos artifícios que se inventam para furar as regras.
“ Não há rapazes maus”. Dizia o padre Américo. Eu não concordo, acho que a genética prova que muito da nossa personalidade vem dos progenitores, quanto a castigos físicos na educação costuma-se dizer que “quem da o pão da a educação” um sentido amplo de educação, sou contra: Tal conceito nunca me foi imposto nem o impus, mas tenho a dizer que há rapazes rebeldes que não aceitam qualquer disciplina e que tentam contagiar os outros provocando insurreição. Conheço alguns casos em que só matando-os se conseguia os objectivos, e que infelizmente acabaram mal. As instituições a estes limitam-se a expulsa-los, a partir do momento em que não é possível reeduca-los.
Se em Espanha existe legislação para casas de 10 12 crianças de certeza que não foram instituídas na filosofia nem na época da casa do gaiato.
Mas a sociedade civil que faça, que não se limite a criticar somente o que sai na comunicação social e o que outros fizeram e que pelo decurso do tempo esta funcionando mal, alterem, construam de novo, mas façam. O padre Américo também fez se só falasse não constava da história
Quanto ao comentário da Elvira eu concordo com algumas filosofias que explicam que a própria pobreza alimenta e financia parte do circuito que a pretende combater, não chegando aos destinatários finais ou aos mais necessitados a ajuda que é angariada “perdendo-se no próprio circuito” muita dessa ajuda.
Cá também se falou numa Abraço recentemente, polémica que me passou ao lado.

é realmente uma situação degradada e degradante.

Em relação às instituições, muito haveria a dizer, haverá alguma que funcione?
Uma amiga minha é assistente social e diz: "em Portugal se alguém quiser entregar uma criança por incapacidade de cuidar dela, a resposta será: aguente-se lá mais um bocadinho porque não há vagas em lado nenhum". Essa minha amiga trabalha em Inglaterra, com crianças que dependem do wellfare, e parece que por lá estão a constatar que os fosters não são a solução para muitos do casos.
Essa minha amiga tem dois irmãos adoptados de uma dessas casas temporárias portuguesas (onde havia violência de ordens várias, acho que há em todas) e passaram a infância toda lá porque o juíz demorou 7 anos para os tirar à mãe.
O país do costume, isto revolta-me mas não me surpreende.

Bate-se nos filhos... p os ensinar...

A violência sobre a criança, começa em casa, nas famílias mais normais, em que se sabe que é "feio" bater na mulher mas um filho precisa de ser educado.

A mentalidade é esta e não é só nas instituições.

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