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É só uma ideia

Ando um bocado farto dos habituais especialistas em tudo, que após denunciarem os factores que justificam o imemorial atraso da nação, indicam com grande acuidade, que o caminho está na inovação, na especialização, andsoyon, andsoyon. Até concordo, tá tudo muito bem, certíssimo e tal, mas aplicação prática ou exemplos específico dessa xaxada, é o vistezia...
Depois de ouvir os resultados de mais um estudo que revela sermos o povo mais desmoralizado da Europa e empenhado que estou, ah pois tou, em apresentar soluções válidas e susceptíveis de fazer descarrilar o trem pátria dos trilhos do fracasso e derrotismo, venho pelo presente, indicar uma saída que me parece condenada à fortuna. Sete letrinhas apenas, começa em cu....kaizé ? kaizé ? Isso mesmo, o curling!

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Deve estar, nesta altura, a esmagadora maioria dos membros do prezado auditório a interrogar-se...mas que merda será o curling...pois bem, o curling é aquela coisa que a Eurosport transmite insistentemente em época invernal, que tantas e tão saborosas sestas proporciona a quem se permite assistir a mais do que dois minutos de tal espectáculo. O curling é aquela coisa em que algumas centenas de morons, na assistência, acompanham, de respiração suspensa, um gaijo a atirar, sobre uma superfície gelada, um calhau redondo, que após tal arremesso, rodopia vagarosamente, até chegar a um alvo desenhado no gelo. Não satisfeitos com toda esta acção, os criadores da coisa, ainda estipularam que, o percurso do calhau devia ser acompanhado por outros três gaijos, varrendo furiosamente o gelo à sua volta, como se a salvação do planeta dependesse disso, seguindo as instruções que lhe são fornecidas pelo gaijo que atira a pedra. Quando o pedregulho interrompe a sua marcha, num sítio que os adeptos entendem favorável, o cromo que "amanda a pedra" é efusivamente aplaudido. Aos outros ninguém liga. E é só isto. Não se passa mesmo mais nada.

E o que é que essa merda tem a ver com o futuro da pátria, indaga o estimado auditório...Duhh, tenho que explicar tudo ? A mim parece-me evidente. Nunca percebi, porque é que a coisa ainda não pegou em Portugal. Temos tudo a ver.

Como todos sabem, o único estímulo a que a população ainda responde de forma maciça, é o sucesso desportivo. Basta lembrar os dois últimos Europeus de futebol, ou as vitórias da Fernanda Ribeiro. Ora, Imaginem o efeito propulsor de uma medalha olímpica da representação tuga de curling, no moral nacional e por consequência na economia ! Indústria vassoureira sem capacidade de resposta para o entusiasmo popular induzido por tal vitória; aproveitamento de uma matéria-prima pouco explorada como são os calhaus (artigo de que dispomos até em excesso), era a forma criativa de tirarmos rendimento de materiais inertes, até comercialmente; aumento do consumo; incremento da confiança; estabelecimento de parcerias empresariais pioneiras; criação de postos de trabalho, etc, etc...

Depois, quanto à vocação dos portugas, para o curling, qual é a dúvida? Atirar pedras e a seguir, mandar palpites, sobre a forma como os outros devem exercer a sua função é mesmo o nosso nome do meio. Reparem, quando passarem perto de qualquer obrita. A vedeta é sempre o gaijo que grita com os que varrem ou desenvolvem actividade afim. Se preferirem ter como cenário um escritório, uma oficina, ou uma repartição, o princípio é habitualmente idêntico.
Admito que no início, será difícil o recrutamento do resto da equipa. 'Varrer....tá quéto 'migo, que isso cansa'. Eu sei. Mas temos os casos Deco e Obikwelu a estabelecer o precedente. Recorre-se a mão-de-obra imigrante e 'tá ganho. A rapaziada de leste até 'tava habituada a patinar lá na origem, basta tratar dos respectivos processos de "nacionalização", como costumam dizer os comentadores desportivos e venham de lá essas medalhas. Basta isso para passar a ser moda e todos vão querer participar.

Temos pois, as condições ideais para que isto dê certo. Subsiste apenas aquela questão de menor importância que é a falta de recintos adequados ao desenvolvimento da modalidade. Não me parece que seja uma minudência destas a colocar em risco o sucesso do plano. Além disso, quando os órgãos governamentais se aperceberem da potencialidade disto, e como as Otas e os TGVs ainda andam pela fase de estudos e projectos, e as betoneiras não podem ficar a apodrecer, não vão hesitar em construir meia dúzia de estádios para fomentar a prática do apedreja e varre.
Como os JOs de Inverno começam já no mês que vem, é capaz de ser um bocado tarde, para lá irmos desta vez. Mas fica o aviso, temos quatro aninhos para preparar a nossa participação nos de 2010, é tempo mais que suficiente para formar um conjunto ganhador.
Quem achar que esta ideia é simplesmente estúpida, se nunca as teve, que atire a primeira pedra.

Tomando como certo, o ainda jovem ditado, 'se o google não encontra é porque não existe', confirma-se o pior dos meus receios. Ainda não há Federação Portuguesa de Curling! Assim devemos ir longe. Não se calam com umas tais de presidenciais, que servem, não sei muito bem para quê, e a única instituição, que podia simbolizar a pedrada no charco da crise, ainda nem foi criada.

Comentários

Muito bom Jon...Ganda pedra !

LOL!

Isto é completamente adequado para Portugal, não apenas pela questão das vassouras, mas pela própria essência do jogo: repara que o papel da equipa é lixar (com as vassouras) a superfície criando mais ou menos atrito para o projéctil enviado pelo seu próprio companheiro de equipa. Não é afinal isto que os portugueses fazem diariamente aos outros portugueses? Lixar-lhes a superficie?
Adopte-se o curling.

Eu fico na baliza, ok?

Eu sou bom nos bitaites! Onde é que me inscrevo?

Excelente Jon, continua.

gande post, ta muito fixe. e realmente este desporto é mto estupido mesmo, enerva-me kd eles esfregam desenfriadamente o xao kom akelas amostras de ''vassouras'' loool

Olá! Desculpem lá, mas o curling é um desporto como outro qualquer. Pode parecer ridículo, tal como muitos outros, mas não deixa de ser um desporto que agrada a muitas pessoas. Acho que isso é o mais importante. Agora quanto à ideia de se fazer em Portugal, era quase impossível, mas era o mehor que me odia acontecer...

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