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janeiro 31, 2006

Ecce Hommo, ecce Mulier, ecce Blog.

Vasco Pulido ValenteConstança Cunha e Sá

O Espectro.

A amostra não deixa dúvidas: esta cena vai animar e a blogosfera acabou de virar. Não sei bem para onde, mas que virou, virou.

UM DEPUTADO
As graçolas sobre a "recuperação" de Alegre não me parecem de muito bom gosto. Depois de trinta anos de ociosidade no parlamento, três meses de trabalho matam um homem. vpv

E antes que algum engraçadinho soltasse boca:

OUTRO DEPUTADO
A propósito, também estive no parlamento. Seis meses, com as férias de Natal pelo meio. Não fiz nada. O grande problema era arrumar o carro (não havia ainda uma garagem especial para os senhores deputados) e, a seguir, o almoço, sempre uma aventura naquela parte do mundo. De resto, corria tudo bem. Assinava o "livro", porque a Assembleia da República não confia nos representantes da nação e espera (compreensivelmente) que eles não ponham lá os pés.(...) vpv

E para terminar bem o dia:

INDEXAÇÃO
O dr. Jorge Braga de Macedo, cuja perspicácia o país já pôde apreciar, disse na televisão que "a idade de reforma devia ser indexada à esperança de vida". Parece que a Suécia, um sítio historicamente habitado por anormais, resolveu assim o problema da Segurança Social. A lógica é esta. Primeiro, uma criatura tem de durar à força de água, alface e fibras, de exercício físico e de muitos médicos. A seguir, (...). vpv

Já que estamos numa de Fs

afonso.jpg
http://genealogia.netopia.pt


Na escola, nunca nada correu bem...Os encarregados de educação eram amiúde chamados ao Conselho Directivo da C+S de Guimarães..."Ó xódona Tareja, o miúdo tem a mania que é mais cós outros, lida mal com autoridade, parece que é algum príncipe, ou sei lá...e mais minha senhora...até me custa falar disto e tal, mas nem queira saber o que ele diz por aí de si e da ti'Urraca...Nas matemáticas então nem se fala, diz que sem zeros não consegue fazer contas e que nem que tenha que fundar tudo até ao Al-gharb, mas há de arrancar o segredo aos perros."

P'ra além disso, na altura, não havia muito com que um jovem se pudesse distrair...O maior happening eram as feiras e Afonso já não podia com o cheiro a coirato nem com a guinchadeira das vocalistas dos ranchos folclóricos das cercanias. Como o Pedro Álvares ainda nem em fase de projecto estava, o alterne era actividade entregue a amadores. Por isso, gaijo que quisesse fundar em condições tinha que tentar a sua sorte lá fora. E Afonso só pensava em fundar. Não conseguia tirar aquilo da cabeça. Fundar, fundar...

Envergar um espadalhão de 15 quilos, também não ajudava. Ter o equipamento operacional e a estrear e não poder fazer nada com aquilo, deixa qualquer um à beira de invadir uma potência vizinha.

A repressão maternal só lhe agravou a fixação. "Vais fundar, vais...", pensava Tareja convencida que o seu rebento não tinha idade para tais promiscuidades. "Podes sair, mas não passas de São Mamede. E quero-te no castelo antes da meia-noite".
Mas já nada nem ninguém podiam deter Afonso. Fundar, fundar...ahh fundar. A ansiedade carcomia-lhe a armadura.

Foi por ocasião de uma despedida de solteiro, pouco depois de atingida a maioridade. Os canecos que bebeu antes de se pôr a caminho explicam ter confundido a zelosa mãe que procurava pôr cobro aos desvarios do filho, e respectivo séquito, com uma brigada da G (o N e o R surgiram mais tarde). A partir daí foi sempre a fundar.
Daqui para a frente, os manuais escolares não divergem muito da realidade. Afonso viveu para fundar e para se vangloriar por isso. Não é qualquer um que passa quase 40 anos a discutir a validade do que fundava com a Autoridade Central na matéria.

Desde então, ainda se fundou qualquer coisita, nada porém que chegasse, em dimensão ou longevidade, aos calcanhares do fundado por Afonso.
Para quem ainda não tinha percebido a maldita herança de Afonso, aqui fica...não fundar grande coisa, apesar de só pensarmos nisso e acharmo-nos todos uns gandas fundilhões.

a morte na vida

Um episódio infeliz levou-me a passar dois dias num hospital.
Tendemos a ver estas experiências como extremamente nefastas e cabalmente negativas. No entanto, saíndo para fora do nosso drama pessoal, um hospital torna-se um lugar fascinante, como outro qualquer.
Passeando pelos corredores meticulosamente desenhados em labirinto, subindo e descendo escadas, é fácil perdermo-nos. Vamos parar a sítios habitados por equipamentos aparentemente recuperados de filmes antigos de ficção científica. Ou a uma ala nova, cheia de caixotes, com cheiro a materiais de construção, onde paira uma musiquinha e se pode dançar um pouco, num intervalo.
Há quem precise de ajuda, facilitando a saída da nossa angústia particular. Mães inexperientes recebem sempre com alívio uma sugestão que possa apaziguar o choro intermitente das suas crias, ou uma mão que as embale enquanto vão tratar de si.
Numa das minhas excursões noctívagas, procurava uma porta por onde pudesse sair para o exterior para fumar um cigarro – e por onde pudesse voltar a entrar. Entabulei conversa com duas enfermeiras, que decidiram levar-me com elas até á saída das urgências. Aqui, passei por corredores sem fim, repletos de macas. Sobre elas jaziam, quase invariavelmente, velhos. O olhar vago, a expressão de quem não sabe se espera o tratamento ou a morte, a tentativa falhada de corresponder ao sorriso que lhes dedicamos, a fisionomia crispada pela dor.
A vida está presente nas vertentes expressivas da morte, da doença e da salvação.
Tenho um amigo cuja saúde o obriga a frequentes internamentos hospitalares. Um dia, uma das suas visitas estranhou a bonomia com que ele enfrentava tratamentos penosos, temporadas passadas em enfermarias. Ele respondeu estás a ver todas aquelas camas vazias? Já foram todos embora. Sorriu. E olha que não foram para casa.

O Terceiro F

futebol

A fechar a nossa trilogia nacional dos F's vem o Futebol, que actualmente é o F mais activo do país (se excluirmos o "foda-se pra isto" que gritamos diariamente quando lemos os jornais ou ligamos a TVI).
A culpa deste F ter um peso indiscritivelmente gigantesco na vida deste país é do tal ditador inteligente e pouco virtuoso referido no post anterior e de um rapaz menos inteligente mas mais virtuoso chamado Eusébio. Estes dois gajos fizeram o país inteiro acreditar que era alguma coisa de jeito, algures em 1966. É claro que nada aconteceu e o país mergulhou mais uma vez numa profunda e melancólica depressão, cantando o Fado, e esperando que num dia nevoeiro surjam 11 gajos com jeitinho nos pés que dêem uma razão de existência a esta nação. Não somos muitos exigentes...contentamo-nos com o ganhar uma finalzinha de futebol para ficarmos aconchegadamente orgulhosos de nós próprios. Enquanto isso não acontece, seja porque os gregos não sabem jogar Futebol, seja porque o Scolari é brasileiro, vamos ficando por aqui deprimidinhos a pensar no grande país que poderíamos ter sido. Viva o Futebol!

[Humor Negro]

O Segundo F

fatima

Em segundo lugar na nossa trilogia nacional, coladinha ao Fado, vem Fátima - a prova cabal que somos um país de crentes ingénuos que não aprendemos nada com o tipo que nos fundou.
Algures em Maio de 1917, num prado verdejante perto de Fátima, três criancinhas apascentavam um rebanho de cabras quando uma delas descobre uma cultura estranha de cogumelos. Comida era coisa que não abundava naqueles tempos - os hipócritas menus vegetarianos da McDonalds estavam a 87 anos de distância - e o menor pastor decidiu guardar uns exemplares para partilhar com as suas irmãs e companheiras de pastoreio, mais tarde nesse dia. Quando comeram os cogumelos ao lanche as coisas começaram a mudar de figura e a assumir contornos surrealistas: as cabras desataram a ficar às cores, flutuando 3,5 cm acima do pasto, cantando "menina estás à janela"; o cão desatou a falar ucraniano recitando as obras completas de Dostoyevski; e uma senhora de branco parecida com a Bárbara Guimarães apareceu em cima de uma árvore, pendurada por um gajo de asas brancas, a balbuciar umas coisas querend0 dar um ar inteligente. O resto da história é do conhecimento público: um ditador inteligente; um povo a querer acreditar em qualquer coisa; e o Santana Lopes mais a Cinha Jardim a liderar uma turba de bandalhos do jet seis, de bordão numa mão e de BMW na outra a fazer peregrinações mediáticas a Fátima. Dos cogumelos nunca mais ninguém ouviu falar. Pudera!

[Humor Negro]

O Primeiro F

fado

Embora a maioria dos portugueses nao lhe liguem peva, Portugal é conhecido no estrangeiro por ser o país do Fado (e por outras coisas pouco dignificantes que não interessam nada agora). Se pensarmos que a música é uma das mais espontâneas e genuínas formas de expressão de um povo, percebemos a razão porque os portugueses são uns deprimidos crónicos, resignados a um destino a que não podem escapar, o que os torna ainda mais desgraçados. A palavra Fado faz aliás parte do nosso vocabulário diário, ditando inexoravelmente todo o nosso futuro. É como se já soubéssemos o fim de um filme série b antes do primeiro intervalo, e mesmo assim fizéssemos questão de levar com ele.
Mas porque diabo um país inventa uma forma de expressão que consiste na auto-flagelação emocional, glorificando a perda, a saudade (outro conceito nacional), o desgosto e a desgraceira miserável e persistente, perguntarão vocês?
A culpa é das companhias farmacêuticas, digo-vos eu! Algures na nossa história fomos vítimas de um complot maquiavélico das companhias farmacêuticas que se juntaram para criar um mercado-piloto para o lançamento de medicamentos anti-depressivos e ansiolíticos. E assim inventaram o Fado. A coisa resultou, ou não sejam os portugueses o povo que per capita mais consome anti-depressivos neste pequeno, mas agitadinho, planeta.

[Humor Negro]

Normal, normal, talvez não seja...

dv-hooligans.jpg
Fotografia: BBC

O antigo «internacional» do FC Porto, Fernando Gomes, considerou hoje os acontecimentos registados ontem à noite à volta de Co Adriaanse «normais quando uma equipa não ganha e os sócios perdem a paciência».
em "A Bola on-line

Quer dizer, além de perderem pontos, perderam a paciência... o que leva a especulações engraçadas: que fariam se tivessem perdido a paciência e ganho pontos? ou perdido pontos e ganho paciência (como outros...) ou ainda ganho nos dois tabuleiros?
Ah, grande Fernando Gomes. Raça de internacional! Representante do país! Quando crescer quero ser como ele!

janeiro 30, 2006

Dr. Jekyll and Miss Hyde

Scan5-2

(ilustração de João Cóias)

O gajo a quem o inspirado José Mário chamou indómito e virginal (coisa mai' linda), para além de ter o matracar mais deliciosamente violento deste canto da blogosfera (deve ser daqueles que muda de teclado uma vez por mês), o que só me faz bem à saúde (será que também em genérico?), tem também a leitora mais interessante da lusa bloguice. Ingrid. Cabelo curto (será que também em genérico?). Aos interessados, parece que a dita recebe correio via morada electrónica do esplanar.

confidências

boa.gif
Na enfermaria, um estagiário tentava fazer a história clínica a uma doente de cerca de 30 anos. Ela, recostada na cama adivinhando a inexperiência dele, um tanto provocadora. Ele, hesitante mas decidido, lá foi fazendo o questionário sem grandes tropeços até chegar à história sexual. Calou-se uns segundos, tentando encontrar as palavras certas, até que se decidiu,
A senhora...com que idade é que começou a fazer vida de casada?
Ela levantou a cabeça aproximando-se, olhou-o , fez um sorriso rasgado e respondeu,
Ó senhor doutor!...vida de casada, faço agora!... Antes fazia vida de solteira...

ilustração, Luís C.

A Escarreta (post escatológico, não ler *)

(* é um dos avisos que mais clientela traz, mas não se podem queixar que vão ao engano)

O casal terá, em conjunto, para cima de cento e oitenta anos. Atravessam o jardim em câmara lenta, ele muito direito, ela curvada em duas, apoiada nele. Chegaram àquela idade em que até a parte capilar se inverteu: ela tem três ou quatro cabelos brancos que, por magia, conseguem parecer dez ou vinte, atravessados de lá para cá pela cabeça fora. Ele é dono de uma cabeleira que faria inveja a muito rapaz de quarenta, um bigode retocido e um chapéu.
Todos os dias, ao fim da tarde, vestidos de roupa a condizer com a hora, vão lanchar à pastelaria que fica do outro lado do jardim. Imagina-se que saem de casa às cinco e percorrem os duzentos metros que ficam entre as duas portas. Às seis, já sentados, pedem duas meias de leite e duas torradas.

À entrada da pastelaria está um coiso de metal para guardar os guarda-chuvas.
Nessa tarde não chove. O coiso está vazio.

Dentro da pastelaria, estão já sentados uma rapariga loira e uma criança de cinco anos, com uma bica e um ovo kinder à frente. A rapariga levanta-se para ir buscar um copo de água no exacto momento em que o casal entra. Um ruído de garganta fá-la voltar-se para a porta. A senhora já avançou para uma mesa vaga, mas ele, o dono do chapéu, está a tentar arrancar qualquer coisa do fundo dos pulmões, apenas com recurso aos músculos do pescoço. A rapariga fica a olhar durante os segundos que esse processo demora. Finalmente o homem consegue livrar-se do alien que lhe entope a glote e, julgando-se ainda noutros tempos, vá de cuspir o bicho para dentro do coiso dos guarda-chuvas.

Erra a pontaria.

O bicho cai no chão ao lado. Mesmo à entrada, mesmo à porta. O senhor olha para baixo e segue caminho para a mesa onde a mulher o espera. Por detrás do balcão já se preparam as meias de leite e as torradas.

A rapariga volta para a mesa onde está a criança e tenta acalmar os vómitos que começa a sentir. Sem saber se há-de fazer de conta ou se avisa a empregada. Fica ali num impasse, a tentar não olhar para o chão, sem conseguir muito bem, a imaginar que daqui a nada ou alguém escorrega ou a criança ainda lá mete o dedo a perguntar o que é aquilo tão feio, uma lesma? Os cenários ficam cada vez mais apavorantes e ela decide-se a chamar a empregada e a explicar o que se passou. A empregada, muito discretamente, vai buscar uma esfregona entre suspiros e ruídos de nojo e limpa o chão.
A rapariga assiste à limpeza.
Depois levanta os olhos para a mesa do casal.

E nunca mais me esqueço da ferocidade com que fui brindada no olhar daquele homem, cuja dignidade se viu assim espatifada por uma criatura que não tinha nada que ter visto aquela mostra de decadência do corpo.
Acho que trespassei qualquer coisa que não deveria ter trespassado. Mas não tive alternativa. Acho eu.

E doravante

se bem percebo os sons emitidos pelas vozes dominantes, o José Mário tem de se certificar que os seus amigos não enveredam pela escrita. Ou, digo eu, então, para que pareça bem, porque isso, à boa maneira portuguesa, é que interessa, muda de profissão.

E a neve era tanta

que, ouvi na Antena 1, caía nos dois sentidos do IP4.

Do mal o menos (v 2.1 *)

* título descaradamente roubado ao post abaixo

Se não há posts novos, relemos os antigos.

janeiro 29, 2006

Do mal o menos

noçao
«Do Mal o Menos» devia estar inscrito a ouro na nossa bandeira nacional (na parte verde para se ver melhor). Se há expressão que dita a mais íntima ambição do povo português desde que o Viriato andou a atirar calhaus do alto dos Montes Hermínios é a «do mal o menos». Com um mote destes não é surpresa nenhuma que tenhamos chegado onde estamos hoje.
Esta foi a motivação de Afonso Henriques quando mandou um par de chapadas à mãe: se está ali um pedaço de terra que não interessa a ninguém, do mal o menos, afiambro-me a ele e dou-lhe o pomposo nome de reino.
Foi o mote dos Descobrimentos (eu prefiro chamá-los Achamentos, pelas razões que um dia escrevi aqui): se os espanhóis são o nosso tampão para a Europa, e qualquer tentativa de abrir caminho até aos feudos franceses está repleta de porrada com azeite quente à mistura, do mal o menos, faço-me ao mar e vou ali achar qualquer coisinha.
Foi a palavra de ordem de Dom Sebastião: já que me tenho que armar em parvo e não é politicamente correcto andar à porrada com os primos castelhanos, do mal o menos, vou aliviar a testosterona para Alcácer Quibir.
Foi o lema do gajo que se pirou para o Brasil com toda a corte quando se apercebeu que o Napoleão vinha tomar conta da loja: já que vou ter que experimentar o último modelo de guilhotina, do mal o menos, vou bronzear a minha corte para os trópicos.
Foi o mote do ditadorzinho cabotino e inteligente: já que transformei o país numa ostra ridícula e fechada ao progresso, do mal o menos, vou ali às colónias fingir que isto é uma metrópole do caraças.
É curioso como o «do mal o menos» impeliu os gajos sempre em direcção ao mar, não é? Adiante...
Os capitães de Abril também adoptaram esta postura: já que nos pirámos dos quartéis sem autorização, e com este armamento pesado e obsoleto, do mal o menos, vamos tomar o poder porque voltar para trás é capaz de dar merda.
E assim por diante até há uma semana atrás, quando o eleitorado teve que escolher entre o nada e o coisa nenhuma, do mal o menos, escolheu o coisa nenhuma.
Ponha-se a merda do mote na bandeira de uma vez por todas!

Foto de Fotoben


[Humor Negro]

Neve em Lisboa

neve.jpg
Está a nevar em Lisboa!
Desde 1954 que não acontecia!

Aqui a coitadita não quer ofender benfiquistas!

Mude-se já isto para cinzento vermelho, olé! Em homenagem aos 14 milhões de benfiquistas que ontem levaram uma abada! ;)

Acontece. E ficam tão felizes, coitaditos...

slb.bmp

Sempre. Na vitória e na derrota.
Os nossos adversários jogaram melhor e mereceram ganhar. Acontece. Mas se uma andorinha não faz a Primavera, também um lagartinho não dá cabo dela.
Deixá-los ter trips sucessivas com os golos do levezinho. Candeia (ou lampião) que vai à frente alumia duas vezes. e em Maio é que se fazem as contas finais.
SLB SLB SLB Glorioso SLB! SLB SLB

Uma questão de importância

Blog posts que contêm referência ao Sporting por dia nos últimos 30 dias.
Technorati Chart

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Technorati Chart
Get your own chart!

[Humor Negro]

he he he

SCP
SCPSCPSCP

Lampiões: 1, SPOOORTEIM: 3

(imagem de cima sacada ao Troll)

janeiro 28, 2006

Alto!

Já sei onde éééééé! E SIGA!!!!!!!!!!!! Olé olé olé!!!!!!!!!!!!!!

Templates modernos, caneco! Que coisa, um gajo aprende a mexer num, muda logo tudo para outra versão mais avançada! mas já tá, larálará!

(e agora vou-me já embora que nem quero ver a cara de alguns dos sócios aqui do tasco....hihihihihihi)

XACÁVER ONDE É O VERDE AQUI!

OLÉ!
(ora bolas! não quero dar cabo disto tudo...e depois o que iriam dizer? ai ai...vou pintar outra coisa qualquer)

what is a mahnamahna?


Uma coisa qualquer

coisa

Falar da coisa não é coisa fácil. Apesar da coisa ser a forma mais fácil de falar de muita coisa. O que é certo é que crescemos com a coisa. E quando a coisa nalguma altura das nossas vidas não correu bem, houve sempre qualquer coisa que safou a coisa. Ou vice versa.
Habituámo-nos a muita coisa ao longo do tempo: aquela coisa política, aquela coisa privada, aquela coisa pública, aquela coisa estúpida, aquela coisa inexplicável, aquela coisa importante, e um sem número de coisas que nos chateiam, que nos aborrecem, que nos fazem felizes e nos fazem rir, mesmo quando a coisa não tem piada nenhuma.
Não estou obviamente a falar das coisinhas, que também têm a sua importância, mas não são a coisa. Nem sequer falo do coisinho, sempre insignificante, mas simpático. Muito menos do coiso, que tem lá o seu lugarzinho cativo a caminho de uma coisa qualquer.
Estou a falar daquela coisa que cresce connosco, que nos acompanha no dia-a-dia, e que torna a coisa numa coisa diferente. Quantas vezes não viram qualquer coisa numa determinada pessoa? Quantas vezes não vos ia dando uma coisa? Quantas vezes não vos apeteceu dizer uma coisa? Quantas vezes não vos apeteceu... qualquer coisa? E quantas vezes a coisa não ficou por aí mesmo...
A verdade é que há sempre qualquer coisa que não é uma coisa qualquer. Ou a falta de qualquer coisa, para a qual procuramos uma coisa qualquer. Uma coisa é certa: ter mão na coisa não é a mesma coisa que ter a coisa na mão. E isso faz toda a diferença se pensarmos bem na coisa. Há coisas que, de facto, nos fazem pensar que há com cada coisa...
Que coisa!

[Humor Negro]

Rapsódia sopeira

MInha contribuição para o tema que marca a actualidade.
É só escolher freguês, é escolher!
Ao ritmo a que eu as destruo, só espero que a minha editora não tenha capacidade para publicar as músicas.

Bancada Central

Bancada Central é um programa de rádio que passa na minha cozinha, de vez em quando. É apresentado por Fernando Correia, que demonstra ser, no meio do desporto, o agente com mais serenidade e fairplay da nossa praça.
O programa é uma amostra de grunhice incomparável. Ali se ouve falar de bola com gana, com fúria, com estupidez. O tom insultuoso roça de tal modo o absurdo, que o riso, no auditor, é incontrolável. As explicações para as derrotas parecem enredos de teorias de conspiração elaboradas – mas sem nexo.
Os comentadores que para lá telefonam pegam-se, são mal-educados, agridem-se – e o apresentador põe ordem no balneário. Sem descompor ninguèm, mas chamando firmemente à ordem quem sai da linha, como quem disciplina uma criança.
Não sou uma adepta ferrenha de futebol. A minha opção clubística não chega a mnifestar-se, sequer, pelo conhecimento dos nomes dos jogadores que compõem a minha equipa.
Torço pela minha equipa, pela Selecção e – ainda – pelo Figo, que merecia ter um belo momento de glória como corolário da sua carreira, em vez do desapontamento que nos faz dizer “ah, Figo...”. Do Cristiano Ronaldo também gosto, tem uma coreografia elegante, uma precisão no arranque, ...cof, cof (ainda bem que não comenta na bancada central...)
Gosto de ver um bom jogo. Se a ocasião o permite, organizo-me com cervejas e tremoços para assitir. Grito, vaio, pontapeio, salto no momento do golo, deixo-me cair, em desalento, no sofá, quando afinal a bola vai à trave.
Não sei se o jogo passa na televisão ou se vou ter que ficar pelo relato radiofónico. Mas hoje, quero fazer ondas.

Allez allez!

Que é hoje que eu pinto este tasco de verde, olé! Ah pois!
(tá um frio caneco...)

E o miúdo até pediu desculpa...

DVB-maus tratos.jpg

"A mim custa-me ter de dar uma palmada ou uns puxões de orelhas, mas temos de lhes dar educação.
" - diz o "mais velho", ao DN de hoje.

O mais novo foi agredido, de forma quase selvática, pelo mais velho. O mais velho é monitor de gaiatos. O mais novo é um gaiato da casa dos mesmos.
A mesma Casa que mereceu um relatório da Inspecção Geral do Ministério da Segurança Social (até é uma entidade do Estado Português... do Governo da República...) que levou a que se suspendesse a entrada de mais crianças (tal a gravidade dos factos imputados) e que se fizesse, de imediato, uma Comissão para "melhorar" algumas coisas na Casa. A Casa onde, segundo apuraram vários jornalistas de investigação (Público, Grande Reportagem), vivem dezenas e dezenas de crianças, contra tudo o que pode ser considerado como "viver em família", com pessoal predominantemente masculino, em que lhes é dito que "a verdadeira família passa a ser o conjunto dos habitantes da casa" (e lhes é dado um "espírito de grupo" que tem mais a ver com perversos códigos de honra do que com lealdade e espírito de pertença). Onde ocorrem algumas coisas muito sérias, segundo o relatório da Inspecção. Aliás, curiosamente, a seguir ao relatório surgiu uma felizmente efémera "associação de apoio à Casa do Gaiato" (tão efémera quanto ridícula), liderada pela deputada Zita Seabra e arregimentando figuras públicas importantes e mediáticas (que, dá-me ideia, nem souberam ao que iam... - como se sentirão agora?!).

Esta é a Casa que se escuda na Obra do Padre Américo, como se os tempos, os conceitos e o que se sabe e exige em educação e protecção infantil e juvenil não tivesse mudado desde o tempo do seu fundador. Como se o objectivo fosse apenas "tirar as crianças da rua", e não "dar às crianças em perigo as mesmas condições, vivências e oportunidades que damos aos nossos filhos".
Gaiatos e casas. É bom que a "sociedade civil" não faça (outra vez de conta que isto não é com ela e assobie para o lado). Pelo menos os leitores deste post não poderão dizer que "não sabiam", se daqui a uns anos "rebentar" algum "processo"...

A tempestade "que se fez num copo de água" com o testemunho da técnica do Instituto Nacional de Estatística que viu a agressão já teve um efeito prático o funcionário da instituição está em casa à espera que o caso seja averiguado. O rapaz "está calmo e tem ido à escola". Contactado pelo DN, o padre Acílio Fernandes, director-geral da Casa do Gaiato, disse que "o miúdo até já pediu desculpa ao mais velho".

O míúdo até pediu desculpa, diz o director, o mesmo director que, na SIC, afirmava que "não se metia em assuntos lá dos rapazes" (cito de cor).

Ainda acreditam que isto mude? Ainda acreditam que mais de 150 crianças metidas numa instituição faz sentido nos nossos dias, quando há experiências várias (vejam-se as casas da Associação Novo Futuro e de tantas outras) e até recomendações de peritos que indicam dez a doze como o número máximo desejável? (em Espanha há legislação sobre isto, aliás).
Os maus tratos e abusos de crianças e jovens ofendem e a dignidade das pessoas abusadas, mas também ofendem a sociedade. A passividade e a aceitação destas coisas, não são mais do que cumplicidade com desrespeitos gravíssimos pelos direitos consagrados na Convenção sobre os Direitos da Criança. Que Portugal assinou e ratificou... em 1990...

Será que passa?

euromilhões

janeiro 27, 2006

Mais receitas de sopa no prelo

«A minha editora já comentou que não sabe se tem capacidade para publicar os livros ao ritmo que eu os escrevo»

José Rodrigues dos Santos, autor d' O Codex 632, anunciando que está a trabalhar em dois livros e tem outros dois em preparação.

citado pela Visão

O Futuro da Palestina

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Passa, entre outras mudanças, pelo que pode brotar de renovado da Fatah, a principal força política secular que, aprendida a lição com o que tem sido o seu passado recente de corrupção e nepotismo, pode assegurar o combate político democrático face ao Hamas. E passa essencialmente por homens concretos: por Marwan Barghouti, o líder preso (ainda) em Israel, Mohammed Dahlan e Jibril Rajoub, que se constituem num grupo cindido da Fatah e agrupado no novo movimento Al-Mustaqbal (futuro em árabe). Homens estes que, designadamente, gozam de especial popularidade em Gaza e podem conquistar o povo desta faixa, justamente aquele território no qual se enfileira com mais expressão a ala radical do Hamas (os moderados deste movimento concentram-se quase exclusivamente nalgumas cidades da Cisjordânia).

Israel sabe isto e sabe como isto é importante para assegurar a viabilidade de um processo de paz agora ainda mais frágil. Quem ande distraído, ou demasiado ocupado com retórica maniqueísta, é capaz de não ter reparado nos primeiros sinais de pragmatismo Israelita já dados desde o inÍcio deste ano, sob a liderança eficaz do vice primeir-minIstro de Israel em substituição de Sharon. Antes das eleições israelitas, Barghouti dificilmente será libertado, mas depois...

Firewall

JF.JPG
Publicado hoje na página 35 do Jornal do Fundão.

Wolfgang Amadeus Mozart

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Parabéns e obrigado! Por tudo. Por tanto ter contribuído para a estética, para a tranquilidade, para os bons momentos, para a dignificação da vida, para a perfeição.
O "homem que tinha música na cabeça" nasceu há 250 anos, em Salzburgo.
Há momentos únicos na história da Humanidade. Há pessoas únicas na história da Humanidade.
Parabéns, Wolfgang!

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Hamas Humour

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Surripiado ao blog protein wisdom
[um dos melhores blogues de humor em terras do tio Sam e nada que não surpreenda: os autores pertencem ao povo eleito!]

janeiro 26, 2006

Acredita João Pinto!

believe
O nosso planeta, atestadinho de vida supostamente inteligente faz parte de um sistema de 9 planetas que rodopiam alegremente em torno do sol. Pelos vistos nenhum dos outros planetas tem qualquer tipo de vida, o que nos dá uma espécie de exclusividade que nos isenta de pagar condomínio na Via Láctea. Seria ingénuo da nossa parte, para além de probabilisticamente improvável, pensar que somos os únicos seres pensantes no universo. Não tenho grandes dúvidas que há por aí gajos mais pensantes do que, por exemplo, o nosso actual executivo. Bem, mas para isso nem precisamos de saír deste planeta... adiante.
Uma coisa que me faz alguma confusão nesta história das civilizações extraterrestres é que eles insistem em aparecer sempre no mesmo sítio: o interior dos Estados Unidos, em regiões habitadas por labregos de pescoço vermelho que não distinguem uma debulhadora mecânica de um boeing 747, quanto mais uma nave vinda do espaço sideral. Já alguém viu um OVNI em Paris ou em Milão? Claro que não, embora num lado e noutro encontremos restaurantes mais interessantes do que na hillbillylândia, o que me leva a crer que os aliens não estão puto interessados na gastronomia local.
Durante muito tempo questionei-me porque é que os extraterrestres não estabeleciam contacto connosco. Convenhamos que não é muito educado da parte deles entrarem por aqui adentro à surrelfa e limitarem-se a observar discretamente a malta sem tentar falar connosco. Se fossem japoneses ainda se percebia, mas apesar de pequeninos os gajos não são amarelos - aparentemente são acinzentados (eu se andasse em naves espaciais que se deslocam em sacões violentos daqui para o infinito também ficaria cinzento, ou cinzento esverdeado). Mas mais tarde percebi que os tipos não estabelecem contacto porque são claramente mais inteligentes que nós: só alguém com dois dedos de testa (e os gajos têm, segundo testemunhos, pelo menos dois palmos) evitaria meter conversa com alguém com o gabarito intelectual de um labrego norte-americano.
A forma das naves, descritas por quem as viu de relance, também é esquisita: umas em forma pires de cinbalino e outras que fazem lembrar um charuto. Nunca ninguém viu nenhuma em forma de chávena, muito embora um agricultor da Pensilvânia insista que foi perseguido por uma que tinha a forma das mamas da Marisa Cruz, com megafones nos «mamilos» que repetiam «Bou-te biolar à vruta» em 5 línguas diferentes, mas sempre com sotaque tripeiro.
Uma coisa é certa: não estamos sózinhos. E alguns de nós estão mesmo muito bem acompanhados. O João Pinto, por exemplo. É caso para dizer «Acredita João Pinto!!».

[Humor Negro]

Este Donald já começa a lembrar o pato do gajo do pato do SIC 10 Horas

O Donald encomendou um estudo ao Pentágono. O estudo veio e apresenta, entre outras conclusões pouco agradáveis, que:

the Army cannot sustain the pace of deployments to Iraq long enough to break the back of the insurgency. He also suggested that the Pentagon's decision to begin reducing the force in Iraq this year was driven in part by a realization that the Army was overextended.

Vai daí, o que é que o Donald faz? Rejeita-o, a este estudo, e a outro efectuado sob a coordenação de Madeleine Albright, com conclusões idênticas.! É de homem!


Das duas uma...

Lendo esta notícia, ou os advogados do Saddam Hussein são danados prá brincadeira, ou o código das custas do ICC tem um preçário muito em conta.

Ora aí está uma boa definição para dano não patrimonial

"Olhe! Apanhei um susto que já não há quem mo tire!"

[moradora do campo de Sta. Clara, ao repórter TSF, acabadinha de ser presenteada com mais uma explosão numa conduta da EPAL]

Palavras que podem mudar uma vida:

Incunábulo

Não é linda esta palavra? A forma como a lingua rola e rebola dentro da boca quando dita devagar ou de vagares.

Incunábulo...

Tentem lá. Grita-la a alguém:
-"Seu incunábulo!!!"

É tão bonita esta palavra que quase parece uma ofensa...


Incunábulo: do Lat. incunabulu


s. m.,
obra impressa que data da origem da imprensa;

berço, origem

[Miss Caipira]

receitinha pedida: sopa de peixe

O processo inicia-se com alguma antecedência. Como sou muito poupadinha, de cada vez que cozo peixe, guardo a água da cozedura no congelador. Restos de peixe, seja qual for o cozinhado, vão também para o congelador, à mistura com as eventuais batatas e bróculos que também tenham sobrado.
Chegado o dia da sopa, refogam-se umas cebolas pequenas com azeite e alho. Junta-se tomate aos bocados ou, na versão preguiçosa, polpa de compra/tomate enlatado. Acrescenta-se a água reservada e atira-se lá para dentro os tais restos heterogénios, uma folha de louro, sal e mais uma ou duas batatas, consoante a quantidade. Quando estas estiverem cozidas, baixa-se o lume, retira-se a folha de louro e junta-se um molho de coentros. Deixa-se cozer dois ou três minutos e tritura-se a sopa. A partir daqui, há três opções:
1. a sopa tem boa consistência, não nos apetece ter mais trabalho e está andar - passa-se à fase seguinte, a do tempero.
2. queremos uma textura veloutée / a sopa está demasiado líquida: preparamos, à parte, uma boa colher de maizena dissolvida em leite, que se depeja lentamente para dentro da panela, mexendo sempre. Depois de engrossar , se ficar demasiado espessa, acrescenta-se leite, até ficar perfeita.
3. arranja-se uma mulher que esteja a amamentar e espreme-se o leite para dentro da panela, se se quiser desperdiçá-lo, a par de fazer uma sopa de merda.
No fim junta-se pimenta preta moída e umas gotinhas de tabasco verde. Há quem goste de juntar lascas de peixe ou camarões cozidos, mas eu prefiro só o creme. Serve-se com cubos de pão frito.
Não me digam que a minha sopa de peixe não é mais sexy que a do José Rodrigues dos Santos.

Receita: pedido

Ó Susana! Mete lá a tua receitinha da sopa de peixe, faxavor, que eu já não me lembro e é a melhor que eu provei até agora!

Do sexo foleiro e do outro também

Há por aí um assunto a correr Seca e Meca (em termos blogsféricos e neste caso em concreto, Meca sendo o Esplanar, a Memória Inventada, o Estado Civil e a Origem das Espécies e Seca todos os blogs onde o assunto terá sido referido, mas que não li, por motivos self-explicativos) que consiste em duas coisas. Ou melhor, um facto que leva a uma conclusão.

Facto: José Rodrigo dos Santos, escreveu um livro chamado Codex 632 onde aparece a seguinte frase:
'Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas.'
O que já por si é muito mau. Só quem nunca deu de mamar (e aqui o JRS tem desculpa, concedo) é que não sabe que o leite materno tem a mesma sensualidade que uma embalagem de Forza desentupidor de canos, embora se possa utilizar a palavra corrosivo relacionada com ambas as coisas; mas adiante). O problema é que não acaba aqui o texto. Acaba a cena com o rapaz que ouviu esta frase à rapariga a chupar-lhe 'o mamilo saliente do seio'.

Ora bem. Este facto (e mais uns quantos do tal livro) leva à conclusão que há muito sexo foleiro nos livros portugueses. Escrito, claro.

Vamos lá por partes (embora nem saiba bem por que ponta pegue nisto).

Em primeiro lugar o sexo, convenhamos, não é coisa lá muito chique. Não há grande chá em fodas e suas variantes e se a coisa meter orgasmos, muito menos. É coisa animalesca, assim lá para os lados dos bairros sociais do corpo, não vai lá com colheres de prata de mimos ou toalhas bordadas de preliminares. É coisa rasca mesmo, mete pedaços de carne cujos nomes sonantes não se dizem alto e se são ditos (ou escritos) lá está, é rasca e se não são ditos (ou escritos) e são substituídos por imagens parolas ou termos médicos, ainda pior. Não sei se acontece aos meus caríssimos leitores, mas eu quando oiço a palavra seios dá-me logo uma volta ao estômago. E, claro, homem que me quisesse acariciar a vulva ouvia logo umas boas gargalhadas entrecortadas de vómitos histéricos. E o mamilo saliente do seio, embora com grande tradição naqueles livros das colecções Bianca e Jasmim ou lá o que eram essas coisas que as adolescentes liam às escondidas (roubados das criadas, uma vergonha!), talvez nessa altura fizesse ainda bater mais depressa a ave tímida escondida no seio, mas hoje em dia, só se fôr um ACV de riso.

Eu não discordo que há muito sexo foleiro nos livros portugueses. Aliás, fora deles também. É uma grande maçada. Nós, portugueses, temos imenso medo das palavras. Um gajo que queira escrever seriamente sem chocar a clientela tem que recorrer aos seios. Mamas já é naquela, pá, tu vê lá isso, olha que já é um bocado pá, tu sabes. É raríssimo ler em português um caralho a foder bem e depressa: não, ele é uma coisa qualquer, o mastro do leme a penetrar a rota certa ou outra merda parolírica destas, a verdadeira miséria. Quando se desviam destas rotas, os escritores atiram a matar para a sopinha de peixe mas voltam logo à base dos mamilos salientes, que aquilo é matéria elástica que ainda estica mas puxa de volta e cola-se aos pés quando já está gasta.

Não discordando, porém, tenho de aqui dar uma palavrinha de apoio ao rapaz. Ele tentou. Tentativa falhada, claro, que teria feito melhor figura em prosseguir a cena não com o mamilo saliente (eu não me canso de escrever isto: acho que nunca mais terei oportunidade de escrever mamilo saliente do seio), mas por exemplo com uma troca de receitas: ela a sopinha de peixe, ele depois logo pensava se teria em si algum condimento para temperar uma salada ou assim. Ficava mais composto e sempre mostrava um bocado mais de capacidade de encaixe. Porque estas fantasias escritas, atente-se neste aspecto, são as fantasias de alguém: da pessoa que as escreve. Quanto o ‘Tomás se engasga com a sopa’ depois da rapariga debitar o seu receituário, na verdade é o JRS quem a está a cuspir.
(O que pensando bem, tira qualquer tusa a qualquer texto escrito por ele. Mas isso já é a minha opinião pessoal.)

E na senda desta palavrinha de apoio ao JRS (uma microcausa, por assim dizer), gostava que os críticos literários do estilo-sexo-foleiro se sentassem e tentassem escrever/descrever uma cenazinha de sexo. Das não foleiras, claro. Não precisamos de as ler (embora gostássemos!). Só queria era que depois eles mesmos as lessem. Só para eles. É que isto de escrever sexo parece fácil da bancada. Mas na hora do então-vamos-a-ver-se-este-texto-mexe-connosco-lá-onde-interessa, é como tudo na vida: ou dá tusa ou adeuzinho.

janeiro 25, 2006

10 ilusão

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Contra a Ditadura do Desodorizante! Pelo direito à liberdade de expressão do odor corporal

Iaaaaaacccc... há doidos para as causas mais imprevistas!

Os verdadeiros culpados

Em defesa dessa classe ostensivamente vilipendiada e alvo de atoardas de atrocidade inaudita, vulgo notários y sus muchachos, denuncia-se, pelo presente, o verdadeiro responsável pela vegetalização galopante a que se assiste diariamente em cada Cartório.

Quem diz cartório, pode dizer repartição, posto dos correios, guichet, ou coisa que o valha, a critatura é mutante e adapta-se bem aos diferentes habitats. Tou a falar, pois é claro, no chato de merda.

O chato de merda é aquele personagem que reside invariavelmente, um ou no máximo dois lugares, à nossa frente, nas filas dos estabelecimentos acima arrolados e que monopolizam o tempo e paciência do atendedor, transformando o que podiam ser visitas-relâmpago dos demais utilizadores do serviço, em estadas semelhantes a fins-de-semana prolongados.
Caracterizam-se pela sua especial argúcia camuflatória, que lhes permite ostentar a aparência de senhora idosa; de jovem pré-adulto, ou pós-adolescente, se preferirem; de pequeno-médio empresário, etc. Existem em diversos formatos e para todos os gostos.

A sua actuação consiste em dirigir-se aos tais locais de atendimento ao público, sem a mínima noção sequer do motivo que ali os leva. Estou convencido, que basicamente, se deslocam para onde existirem cumulativamente, filas e a possibilidade de estorvar, os que precisam MESMO de utilizar tais serviços. Voltando ao que importa, para além dos que nem sabem por que razão se dirigiram aos postos de atendimento, existe ainda a classe superior (tipo serafim dos chatos de merda), que até sabem ao que vão, mas se auto-convencem que basta aparecer nos sítios, sem qualquer tipo de documento, para que os problemas se resolvam, não hesitando em manifestar ruidosamente a sua indignação, quando confrontados com a cruel realidade de terem que voltar para trás, a fim de recolher os elementos em falta.

Todos já experimentaram certamente, pelo menos uma vez, a epopeia de aguardar infinitamente que uma das aludidas criaturas desfie todo o catálogo de dúvidas e questões existenciais à vossa frente, a maior parte delas do género “Ó menina aqui onde diz Nome é para escrever o meu nome ?”. Agora imaginem-se na pele do desgraçado que tem que atender tais seres numa base quotidiana...atrevem-se a criticá-los ? Conseguem continuar a estranhar o avançado estado de paralisia facial e cerebral que mina aqueles que estão do lado de lá do balcão ? Pois é...

Para concluir, que isto de fazer queixas, qualquer um faz, ao passo que apresentar soluções é que ‘tá de chuva’, aqui vai a minha proposta de resolução: Criação de um único guichet em todos os postos de atendimento ao público, para tratamento das questões normais, nos quais a permanência por mais de cinco minutos, seria automaticamente premiada com uma exemplar electrocussão de dimensões bíblicas.
Todos os outros guichets poderiam servir para atender os chatos de merda.

Finalmente intelectual depois destes anos todos!

Desde as eleições que não vejo um corno. Literalmente. Os meus olhos ainda funcionaram desde o quadradinho até aos resultados. Mas depois, do lado de Belém ou assim (eu é que escolho o culpado e mai nada!) foi rogada uma praga inflamatória que logo por azar aterrou em minha casa. Felizmente só me afectou a mim, embora o outro morador tenha sentido efeitos secundários sob a forma de uma grande irritação dirigida a quem estava mais perto...
Estas coincidências, nas quais eu não acredito de todo, são graves. O acontecimento impediu-me de saber mais sobre o que quer que fosse, desde as notícias ao estado do tempo. Eu lá abria os olhos para ver se chovia e se estava a andar em linha recta, mas de resto pouco mais conseguia. Não sei de nada, não vi nada. Literalmente não vi nada.
Agora com umas gotas e um par de óculos e os olhos já em fase desdiabolizante, a coisa começa a recompôr-se. Até vou tentar reler este post que está a ser escrito em fonte 48.

Já me disseram que, tirando ainda parecerem a bandeira nacional, os olhos com óculos me fazem muito intelectual.

É o cérebro, estúpido!

notario
Decerto que por uma razão ou por outra já tiveram, a dada altura das vossas vidas, que entrar num notário. Se assim foi, suponho que tenham tido oportunidade de reparar que nem toda a gente pode ser funcionário de um cartório notarial. É uma profissão peculiar que exige um património genético muito particular e está sujeita a uma política de recrutamento espartana, capaz de criar inveja à Al Qaeda.
Antes de mais é preciso realçar com alguma veemência que não se estuda para ser notário – nasce-se notário, e pronto! É um pouco como os atletas de competição: os sprinters têm uma estrutura óssea e muscular diferente dos fundistas; os tenistas com serviços mais eficazes são dotados de uma altura acima da média e têm uns bracinhos mais compridos que os restantes mortais. Também os notários têm as suas características diferenciadoras: o seu cérebro, por exemplo, funciona a um ritmo mais lento (como observamos nos casos mais graves de paralisia cerebral) o que possibilita o armazenamento de dados de uma forma mais metódica.
Para terem uma ideia de como um notário percepciona a realidade à sua volta reduzam a velocidade de um DVD em cerca de 80%: t-u-d-o f-i-c-a m-u-i-t-o l-e-n-t-o e as vozes adquirem um tom grave e arrastado, sendo relativamente dificil de aprender o sentido das frases. Não se admirem portanto que os notários não percebam à primeira o que vocês lhes estão a querer dizer, principalmente vocês, os nervosinhos. E evitem falar devagar para se fazerem entender melhor porque assim é mesmo muito complicado para eles, e demora o dobro do tempo a processar.
A capacidade pulmonar de um notário é francamente mais reduzida que a de um indivíduo normal, impedindo o cérebro de funcionar mais rápido e cansando-os de sobremaneira enquanto fazem o seu rotineiro percurso secretária-balcão-arquivo. Aliás a rotina é aquilo a que um notário aspira desde os seus tempos de estagiário – com o passar do tempo eles vão construíndo carris imaginários que percorrem todo o escritório, definindo os seus percursos possíveis. Um notário sénior já tem a sua rede rodoviária definida e move-se, lenta e religiosamente, em cima dos «seus» carris.
O facto de geneticamente possuírem um metabolismo estupidamente mais lento que todos nós, causa-lhes alguns problemas na fala (falam muito lento e muito baixo, sendo por vezes necessário encostarmos a orelha à sua boca – tarefa difícil e perigosa de desempenhar se tivermos um balcão à nossa frente) e problemas vários de concentração e coordenação: é muito vulgar observarmos um notário esgazeado a olhar para o infinito (é a chamada «pausa de hibernação» que, dependendo do seu estágio profissional, pode ocorrer várias vezes ao dia); vulgar é também a dificuldade que apresentam ao teclado de um computador ou de uma máquina de escrever. Os notários mais treinados conseguem atingir velocidades de 2 a 3 segundos entre uma tecla e outra.
Espontaneidade e improviso são conceitos totalmente desconhecidos pelos notários, e confrontá-los com algo inesperado pode ser perigoso dado que estes reagem violentamente – nunca se ostente uma folha de papel que não seja branca ou azul; nunca se apresente como documento oficial um passaporte em vez de um bilhete de identidade; nunca se ouse assinar algum documento a vermelho; e acima de tudo nunca se manifeste corporalmente de uma forma agitada – isso deixa-os nervosos, e o assunto que demoraria 2 horas a resolver poderá atingir uma duração de meses.
Para quem desespera sempre que se desloca a um cartório notarial deixo um pequeno truque que tornará a vossa vida, e a deles, mais fácil: cerca de 3 horas antes de entrarem no notário tomem 3 drunfes, o chamado «kit notário». E tudo fica mais fácil.

[Humor Negro]

Às armas...

O Governo de Berlusconi voltou a primar pela falta de bom senso.
Diz o La Repubblica:

La riforma varata autorizza l'uso di armi per difendere la vita e la "borsa". Nell'ipotesi di violazione di domicilio, infatti, non sarà più punibile chi spara contro il malvivente o lo colpisce con un coltello per difendere la propria o altrui incolumità. E non sarà più punibile nemmeno se gli spara per difendere i (propri o altrui) beni, a due condizioni però: che vi sia "pericolo d'aggressione" e che non vi sia "desistenza" da parte dell'intruso. Ossia che di fronte all'intimazione del proprietario di casa, ad esempio, invece di scappare reagisca minaccioso.

Nestes tempos de decadência civilizacional (que tantos negam), fala-se muito em crise de valores, ou crise ética. Mas, se procurarmos a razão de ser desta crise, chegamos sempre ao mesmo: crise intelectual. Ou seja, uma crise no intelecto, uma falta de capacidade para pensar com clareza.
Este apelo às armas por parte do Governo italiano é uma clara tentativa de fazer passar uma ideia falsa: a ideia de que é lícito matar alguém em «legítima defesa». Tout court.
Ora isto é manifestamente falso, por excesso de abrangência.
O que é lícito é matar alguém em legítima defesa da sua própria vida ou da vida daqueles a nosso cuidado.
Por outras palavras, há que procurar, tanto quanto possível, um sensato equilíbrio entre a ameaça e a resposta a ela.
Isto é pensar com clareza, algo que o Governo de Berlusconi (mas tantos, tantos outros nos nossos dias) se mostra agora incapaz de fazer.
Só é legítimo ferir alguém de morte se esse alguém atenta contra a nossa vida, ou contra a vida daqueles que temos o dever de proteger. É esta falta de equilíbrio generalizada, que constatamos na nossa sociedade moderna um pouco por toda a a parte, e em tantos temas, que é sintoma de uma depreciação no pensar moderno.
A sociedade moderna oferece-nos duas posições irredutíveis:
- o «pacifista», palavra que se desvirtuou por uso excessivo, é aquele que é totalmente contra a defesa usando armas, ou seja, é aquele que não vê com legitimidade atentar contra a vida de outrém, mesmo que esse outrém atente contra a nossa ou contra a daqueles que temos o dever de proteger; nesta posição, o desequilíbrio resulta de uma irresponsabilidade, de uma inacção indesculpável, em desprezo pelo valor da vida humana, sobretudo se estiver em jogo a vida de pessoas que temos o dever de proteger
- o «belicista» é aquele que defende o porte de arma como afirmação gratuita de poder per se; o desequilíbrio está no facto de que usa reacções desmesuradas para a ameaça em causa; a irresponsabilidade, também neste caso, curiosamente, está no pouco valor que se dá à vida humana.

Onde está o bom senso para escolher uma via intermédia e equilibrada?
Perde-se na voragem do tempo, numa civilização em processo acelerado de autofagia...

Dissolução (fim - já era tempo, ha?)

Ao princípio era diferente – já te disse que o Culto mudou. Ao princípio deixava a cada um a tarefa de descobrir a sua verdadeira natureza, através de várias sessões. A minha casa parecia um centro de psicanálise, as horas do dia não me chegavam, e os resultados eram muito mais lentos. Foi então que criei o Ricto da Dissolução – já sabes como funciona, não preciso de te dizer. Claro que eram sempre guiados por mim, e no estado em que estavam não eram muito difíceis de guiar – um bocado como tu agora, já começa a fazer efeito, não é verdade? Uma sessão passou a bastar para encontrarem a sua verdadeira natureza.
Ao fim de algum tempo comecei a perceber que o dinheiro que precisava de gastar no Pão da Dissolução para os colocar em estado de receber a verdade acabava-me com as poupanças e a reforma, e foi então que criei o Terço da Dissolução. Só lamento não ter pensado nisso antes, mas de qualquer forma, veio na altura ideal, e se não o tivesse criado, nunca teria podido comprar os Templos.
E foi assim que aqui estamos, eu e tu, Maria, juntos outra vez. Nem queria acreditar, juro, quando te vi esta manhã à porta do Templo, e tu também ficaste surpreendida por me ver, tenho a certeza. Não sabias que era eu o Pastor, não é verdade? É, a vida dá muitas voltas. E aqui estamos, eu o teu Pastor, e tu a minha ovelha, Maria.

Já foi ao contrário, não é verdade? Já houve um tempo em que eras tu o pastor e eu a ovelha, sempre pendurado nas tuas palavras, nos teus humores, nos teus olhares, Maria. Mas não é de admirar, não é verdade? Eu não era mais que um monte de merda disfarçado de homem, e tu estavas tão convencida de ser alguma coisa superior a mim que me convenci também. Não foi difícil. Nunca é difícil convencer os outros de que somos melhores do que eles, não é verdade, Maria? Principalmente se os outros já não se sentem grande coisa, que é o caso da maior parte. Sei o que me fizeste, Maria, compreendi-o quando me vi fazer o mesmo aos outros, e por isso te perdoo. Como o pai que perdoa aos filhos que não sabem o que fazem. Por isso não tenhas medo, não estou à procura de vingança, perdoo-te. Perdoo-te. Estás contente? Sim? Não podes responder, não é? Não te preocupes, é o Pão da Dissolução, não te deixa falar para que te possas dissolver no teu silêncio e nas minhas palavras. Tenho a certeza que estás contente, e isso basta-me.
Agora que tirei isto do caminho, agora que o passado saiu de debaixo da mesa - porque eu te perdoei, Maria - podemos falar sobre o que te fez vir aqui. Pediste-me para te explicar como surgiu o culto, e já o fiz. Agora já te posso ajudar a encontrar a tua verdadeira natureza. Aliás, em nome de tudo o que passámos, vou fazer ainda mais, vou ajudar-te a dissolver-te na tua verdadeira natureza, Maria, estás contente? Claro que sim, Maria, claro que sim, não é a todos que é concedido a benção de avançar em passos tão largos na estrada de sabedoria da Dissolução, Maria, geralmente é preciso muito mais tempo. És uma abençoada, Maria, na verdade.
Portanto aqui vai: sabes qual é a tua verdadeira natureza, Maria? Na verdade é tão simples, tão simples. Percebi-a assim que te vi a entrar pela porta, 10 anos depois de a teres fechado atrás de ti. Tu és nada. Nada. Menos que nada, zero, zilch, niente, nada. És transparente, invisível, insignificante, ridícula, uma aberração. Não existes, és uma negação. Fazes dó, Maria. Essa capa dura de mulher que envergaste estes anos todos é uma mentira, um embuste, porque tu não existes, Maria, não ocupas nenhum lugar no magnífico esquema da criação, não existe uma palavra para te descrever, uma cor, um som, um cheiro. És menos que o pó do passeio, és menos que um monte de merda, não és nada.
Não chores, Maria. Eu sei que é difícil às vezes aceitar a nossa verdadeira natureza, mas com o tempo vais perceber que tenho razão. Melhor ainda, quanto te dissolveres na tua verdadeira natureza, em nada, vais ver e sentir que tenho razão. Nunca vais ser tão livre como nessa altura. Por isso não chores. Ou é por causa disto? Do que tenho na mão? Mas não vale a pena chorar, Maria, não vai doer nada.
Vês, não dói nada. Só uma pressão, um arrepio, um traço suave na tua garganta, e está feito Maria. Já te começaste a dissolver. Sentes? Vês? Toda a substância, todo o ser a deixar-te, a dissolução em nada. Não precisas de me agradecer, de qualquer forma não consegues falar, por isso nem tentes, não vale a pena. Eu sei.
E não é verdade que nos sentimos limpos, purificados, em paz, leves, quando nos dissolvemos na nossa verdadeira natureza? Sinceramente, penso que não há nada melhor, excepto talvez partilhar esse momento com uma das minhas ovelhas. Por exemplo, agora que te dissolveste em nada, sinto-me muito mais leve, Maria. Purificado e em paz.

janeiro 24, 2006

Entretanto, em Marrocos...

...e enquanto por aí os neo-con-demo-liberais persistem na defesa da imposição iluminista de regimes no golfo pérsico - tarefa à qual, no passado, nunca a direita se entregara, pelo menos antes de infiltrada de radicais maoístas arrependidos -, o Rei Mohammed VI de Marrocos vai talhando com sensatez e passos seguros uma democracia islâmica moderna, sem hostilizar a tradição (será que a um gajo de direita ainda é permitido valorizar a tradição? ou será um valor anti-americano?!).

Não esquecer

Assim que houver tempo, escrever um post intitulado diagrama de caixa-com-bigodes.

caixa com bigodes

Brokeback Mountain

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(c) Mike Lester - Rome News Tribune

Punhetas a grilos

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(ilustração de João Cóias)

Era uma promessa que lhe tinha feito. Havia de escrever um livro. Chegou a pôr um alarme no telemóvel: 2ª feira, 15 horas, avisar 10 minutos antes (era um nokia): “Escrever”. Assim mesmo. “Escrever”. Como se estas coisas de escrever pudessem ser programadas. Levanta-se pela manhã, toma um duche, engole os cereais e vai à bolina no seu carro que “pelo menos é seguro” e que “já não é a primeira pessoa que me diz, e até já li num livro: tem mais 28 cavalos do que diz o livro – sabes como é que é! Questões fiscais”.
E vai asinha porque não pode chegar atrasado ao seu novo emprego de escritor. O patrão é severo. Tem prazos a cumprir. Agora é um romance. Uma história de tragédia. Dois irmãos que se apaixonam um pelo outro e são obrigados a terminar a relação quando descobrem que, afinal, não são irmãos. Depois chega a hora de almoço e à tarde tem de se embrenhar numa comédia.
Há que arranjar um herói. Pode ser o terceiro irmão dos atrás avindos – e que hão-de deixar de o ser.
Que nome lhe havemos de dar? Passa este escriba pelas mesmas agruras dos pais que lhe escolheram o nome, assim como “uma espécie de pai sem o ser”.
Martim. Pronto. Pelo menos aqui não tenho quem discorde. Martim será e pouco me importa que lhe chamem Martins. Afinal as crianças são cruéis e os adultos são medíocres. Quase todos. Não podem ser todos. O próprio conceito e o simples facto de existir, como tal o impõe. Se o oposto da mediocridade, qualquer que ele seja, como de resto tudo o que é ou não é, não existisse, ou não fosse reconhecido, a própria mediocridade não existiria.

Mas já chega de conversa fiada. Vamos às coisas sérias.

Falava-vos do nosso herói! Lindo! Bela tirada: “o nosso herói”. Livro que o queira ser, deste escritor de empreitada (que não sou eu, atenção, não se esqueçam da promessa), tem de ter um princípio, um meio e um fim e, mais que tudo, tem de ter um narrador – aqui posso ser eu – que possa dizer coisas como: “o nosso herói”.

Martim. Irmão do Fulano e da Beltrana – assumi o “Beltrana”. Irmã borralheira da Fulana, a preferida, e da Sicrana, irmã do meio a quem pouco falta. Não é a sério, não se esqueçam, porque irmãos são mesmo só três - recapitulando, Martim, Fulano e Beltrana. Nesta história, sempre que não se quiser nomear alguém, Beltrana será. E assim no feminino, que fica giro. E o raio do corrector ortográfico automático quer à força mudar-lhe o género. Pois que aguente. Não é Beltrano. Nesta estória não há paneleirices, se o outro é fulano, esta tem de ser Beltrana. Bem bonda o incesto que afinal não era.

O Martim, como não pode deixar de ser, é aprendiz de feiticeiro. Genericamente: bruxo – como se intitula. Num mundo de medíocres ninguém quer ser aprendiz de nada. Vamos todos fazer de conta. Fazer de conta que somos felizes. Fazer de conta que somos experimentados. Fazer de conta que temos dinheiro. Fazer de conta que não são os nossos papás que nos sustentam. Fazer de conta que nos esfalfamos a trabalhar. Sábados, Domingos e feriados. E dizer mal do vizinho que é um calão e não trabalha nos dias de descanso - deve-lhe vir da droga. Mesmo que estejamos conscientes, e alguns não fogem a esse estado, o que só lhes deve aumentar a agrura, mesmo que estejamos conscientes que não fazemos a ponta de um corno, que é só para inglês ver e, pior que tudo, que somos, na maior parte das vezes, o nosso próprio inglês. O que interessa é que o nosso vulto apareça na fotografia, que os movimentos mecânicos do trabalho se possam vislumbrar. Mesmo que o produto de toda essa presença no local da ilusória faina não passe dum enorme flato, dado bem alto e ao vento para que ninguém possa ouvir nem cheirar.
Mesmo assim. Como num enorme auto de fé de bruxas vaidosas. E um bruxo não dorme, um bruxo não come, um bruxo não bebe, um bruxo não fode. Pois bem, este aprendiz de feiticeiro faz isso tudo e mais uma botas que sejam precisas para algum pobre ucraniano que por ai ande de pata ao léu.
E lá vai então o Martim para o escritório. Chegou. As estórias misturam-se, a do criador e da criatura. Está quase a tocar o alarme das 10 para as 10. Ele espera, pacientemente. Escrever. Tá bem, tá. Escreve tu que tens bom vagar. Eu tenho muito com que me entreter - afinal, sou o vosso herói, o protagonista desta história. Embora não me desagrade de todo a ideia de tão tonta corrente literária, não gabo a sorte de quem a quiser aproveitar. Demasiado trabalhoso e, tecnicamente, não passa de uma bela dor de cabeça. Ah, e não vende.

Tocou o alarme, toca a escrever.
"Era uma vez um cabrito montês"

Dissolução (cont.)

Tu conheces os mandamentos do culto, Maria, foi por isso que voltaste, não tenho que tos repetir. Mas acho que não preciso de te dizer que eles não me chegaram assim em catadupa, perfeitamente delineados. As coisas foram surgindo com o tempo.
E ao início, devo dizer-te, não foi nada fácil conviver com o meu sentimento paternal em relação ao meu rebanho. Porque, vês, eu sentia a necessidade de partilhar a verdade com os outros, era uma necessidade urgente, palpitante, que não podia esperar, mas as primeiras pessoas que abordei não eram muito receptivas à revelação de que o destino de toda a humanidade é dissolver-se num monte de merda, e que só assim encontrará a paz. Ao princípio até foi desagradável, tive de fazer uso de todos os meus sentimentos paternais e superioridade moral para não deixar cair a minha ira sobre algumas ovelhas mais negras do meu rebanho, que me insultaram quando lhes tentei passar a mensagem. Tentei controlar-me e tentei perdoar-lhes, não sabem o que fazem, e consolei-me com a lembrança de que tinha sido sempre assim, em toda a história do mundo, as grandes ideias tinham sido sempre recebidas com hostilidade e escárnio.
Foi assim que percebi que, se queria atingir o meu objectivo de salvação das pobres ovelhas, tinha de seguir o caminho que me mostrava a História. Todos os Cultos do mundo o seguiram, e ele é bem simples. Tudo o que é preciso são duas coisas: disfarçar a verdadeira mensagem em palavras simpáticas que não ofendam as ovelhas ao início, e organização.

Quanto à mensagem, facilmente percebi que teria de deixar de lhes falar em montes de merda, se quisesse que me ouvissem. Depois, também percebi que o monte de merda não era, na verdade, essencial para passar a mensagem. Tinha sido a forma como a mensagem me tinha chegado, e era a minha verdadeira natureza, mas não sou tão arrogante ao ponto de pensar que toda o meu rebanho compartilharia da mesma natureza. Assim, a mensagem tornou-se mais simples – se bem que só aparentemente, porque quanto mais se simplificam as coisas mais sentidos escondidos podem assumir, e portanto mais se complicam, na verdade, mas isso são outras reflexões que o Culto me proporcionou, mas só muito mais tarde, quando o trabalho inicial de dispersão da mensagem já estava bem avançado e me deixou tempo para reflectir. A mensagem tornou-se, simplesmente, que o Homem só alcança a liberdade e a felicidade quando aceita e abraça a sua verdadeira natureza, quando se dissolve nela – daí o nome do Culto, Sagrada Dissolução. Nada de novo, dir-me-ás. E tens razão. A ideia não é nova nem original. O que foi novo e original, e o que cimentou o sucesso do culto, foi a forma como ela foi passada, como foi apresentada. E aí, realmente, não me posso furtar a receber os louros. Fui brilhante.
Comecei por os convencer que aquilo que pensavam que eram não era a sua verdadeira natureza. Isto revelou-se de uma facilidade assombrosa – mas realmente depois percebi que nem havia muita causa para espanto, que outra coisa esperar desta sociedade de inadaptados em que vivemos? – e daí a ficarem convencidos que só através de mim poderiam descobrir a sua verdadeira natureza e dissolver-se nela, foi um passo. São como crianças, na verdade, ansiosos que alguém lhes mostre o caminho, dispostos a tudo por uma mão firme que os guie e lhes dê um pouco de compreensão, que perceba a sua dor. Porque todos sofrem, Maria, todos. E todos se sentem sozinhos, todos se sentem diferentes. Quando lhes dizes que os outros não são diferentes deles, nem melhores nem piores, são apenas tão confusos e perdidos como eles, querem acreditar nisso tão furiosamente, que se convencem a si próprios de todo o resto.
Foi tão simples, na verdade. Até o facto de ao princípio ter de deixar muitas perguntas por responder, e por vezes me calar abruptamente quando não tinha mais o que dizer – já te disse que os pormenores e os mandamentos não me chegaram assim em catadupa, de repente, já perfeitos e prontos a usar, foram chegando com o tempo – acabou por ajudar. Cada vez que me calava por não ter nada que dizer, era porque tinha ainda tantos mistérios que não lhes podia revelar; cada vez que não respondia a uma pergunta, eram eles que não eram ainda dignos de ouvir a resposta. Faz-me rir, realmente – tu não achas graça? Enfim...
Quanto à organização, foi também simples, na verdade. Os primeiros seguidores do Culto foram os mais difíceis de recrutar. Depois estes dedicaram-se a recrutar os outros, e poucos meses depois batiam-me à porta às dezenas. Foi quando comprei o primeiro Templo, a minha casa deixou de poder comportar todos os seguidores para o Ricto semanal de Dissolução. Quanto ao sistema que usei para conservar tudo isto a funcionar, foi muito simples: limitei-me a agir como um pai, não tolerar nenhum desacato à minha autoridade, nunca dar muitas explicações, ameaçar os infractores com a retirada do meu amor, e recompensar os bem comportados com a ilusão da minha intimidade.

janeiro 23, 2006

Life Sunset

Life Sunset

Parvúsia*

Os vales são de novo alevantados
na estepe talha-se nova calçada
as montanhas e as colinas são aplanadas
as escarpas niveladas

aparam-se as veredas
as águas inundam o deserto

os cegos tornam a vêr
os coxos recobram o andar
as viúvas recuperam a alegria de viver

Disclaimer: nesta posta plagiámos o profeta Isaías, o Evangelista Mateus e o Arq. José António Saraiva;

sob o alto patrocínio de Irmãos Cavaco, S.A.: Cavaco procura quotidianamente consolidar uma imagem de confiança junto de clientes, fornecedores e outros parceiros de negócio, baseada num elevado padrão de exigências, rigor e qualidade, conscientes que o seu horizonte é vasto.

* Expressão resultante da combinação de Parúsia e Parvónia.