Já que estamos numa de Fs

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Na escola, nunca nada correu bem...Os encarregados de educação eram amiúde chamados ao Conselho Directivo da C+S de Guimarães..."Ó xódona Tareja, o miúdo tem a mania que é mais cós outros, lida mal com autoridade, parece que é algum príncipe, ou sei lá...e mais minha senhora...até me custa falar disto e tal, mas nem queira saber o que ele diz por aí de si e da ti'Urraca...Nas matemáticas então nem se fala, diz que sem zeros não consegue fazer contas e que nem que tenha que fundar tudo até ao Al-gharb, mas há de arrancar o segredo aos perros."
P'ra além disso, na altura, não havia muito com que um jovem se pudesse distrair...O maior happening eram as feiras e Afonso já não podia com o cheiro a coirato nem com a guinchadeira das vocalistas dos ranchos folclóricos das cercanias. Como o Pedro Álvares ainda nem em fase de projecto estava, o alterne era actividade entregue a amadores. Por isso, gaijo que quisesse fundar em condições tinha que tentar a sua sorte lá fora. E Afonso só pensava em fundar. Não conseguia tirar aquilo da cabeça. Fundar, fundar...
Envergar um espadalhão de 15 quilos, também não ajudava. Ter o equipamento operacional e a estrear e não poder fazer nada com aquilo, deixa qualquer um à beira de invadir uma potência vizinha.
A repressão maternal só lhe agravou a fixação. "Vais fundar, vais...", pensava Tareja convencida que o seu rebento não tinha idade para tais promiscuidades. "Podes sair, mas não passas de São Mamede. E quero-te no castelo antes da meia-noite".
Mas já nada nem ninguém podiam deter Afonso. Fundar, fundar...ahh fundar. A ansiedade carcomia-lhe a armadura.
Foi por ocasião de uma despedida de solteiro, pouco depois de atingida a maioridade. Os canecos que bebeu antes de se pôr a caminho explicam ter confundido a zelosa mãe que procurava pôr cobro aos desvarios do filho, e respectivo séquito, com uma brigada da G (o N e o R surgiram mais tarde). A partir daí foi sempre a fundar.
Daqui para a frente, os manuais escolares não divergem muito da realidade. Afonso viveu para fundar e para se vangloriar por isso. Não é qualquer um que passa quase 40 anos a discutir a validade do que fundava com a Autoridade Central na matéria.
Desde então, ainda se fundou qualquer coisita, nada porém que chegasse, em dimensão ou longevidade, aos calcanhares do fundado por Afonso.
Para quem ainda não tinha percebido a maldita herança de Afonso, aqui fica...não fundar grande coisa, apesar de só pensarmos nisso e acharmo-nos todos uns gandas fundilhões.

Comentários
Ideia óbvia e assumidamente copiadíssima do Razões Lusas do Humor Negro.
afixado por: jon | janeiro 31, 2006 11:39 PM
ahahahahahah excelente Jon!
Acrescentaria apenas que naquele tempo o que era inevitável era fundar, hoje em dia o que é provável é afundar.
afixado por: Humor Negro | fevereiro 1, 2006 07:00 PM
Divertidíssimo!
Houvera Bill's Portões e o miúdo teria um blog - "Lusafundar".
afixado por: mjm | fevereiro 2, 2006 04:12 PM