Mostrem-me o que valem
O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma prostituta, ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que o destino não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.
In “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Záfon

Comentários
Não concordo. Primeiro porque não acredito no "destino". Isso implicava que a minha vida estivesse pré-programada, no que não acredito. Segundo, porque sou eu que traço a minha vida, evitando "acidentes de percurso" ou aceitando as oportunidades que se me deparam.
afixado por: Peter | janeiro 22, 2006 12:25 PM
O Destino? Qual destino qual carapuça, O Destino não existe. E se é alguma coisa feita por nós e para nós, já não é Destino, já não provêem nem do acaso, nem de algo predisposto mas de uma acção nossa. Considero a terminologia citada errada devia falar não em Destino mas Futuro. Isto soa a algo pré-cozinhado e só sentar e comer o que nos dão, não há menu à escolha no Destino. Mas a vida, vive - se e faz-se no presente projectando-se no futuro. O Destino, dribla - se ao virar da esquina e conquista - se o Futuro, porque o tempo é precioso. “Carpe Diem”.
Quem se interessa pela mitologia grega e leu estas coisas, o Destino é uma divindade cega, inexorável, nascida da noite e do caos. Todas as outras divindades estavam submetidas ao seu poder, (bem se rezava e ainda reza mas não valia de nada, fia-te na virgem e não corras) As leis do Destino eram escritas desde o princípio da criação num lugar onde os deuses podiam consultá-las. A comparação com o catolicismo (popular) não deixa de surpreender, principalmente as leis do Destino.
Carpe Diem.
“ Aproveita o dia". Colhe e vive o dia como se estivesses perante um fruto maduro que não pode esperar, porque amanhã estará podre, ou podes nem sequer estar cá para come-lo. A vida não é para ser economizada para amanhã. Acontece sempre e agora no presente. O futuro ainda não veio e o passado já se foi, o tempo não existe é um contínuo fluir, não vale a pena viver só de expectativas ou de recordações. Embora umas e outras façam parte da vida.
Já o Horácio dizia ao seu amigo, para não conquistar o mundo, mas conquistar o seu dia:
“ Sê prudente, começa a apurar teu vinho, e nesse curto espaço
Abrevia as remotas expectativas. Mesmo enquanto falamos, o tempo,
Malvado, nos escapa: aproveita o dia de hoje, e não te fies no amanhã.”
Horácio, Odes, Livro 1, ode 11, versos 6-8
Mas que eu gostava que o Destino me viesse visitar ao domicílio gostava, só abria a porta se queria.
afixado por: leopard | janeiro 22, 2006 01:11 PM
e eu que tinha ficado convencido que era uma metáfora aos candidatos à terra dos pastéis...só não tinha percebido qual deles fazia de cauteleiro
afixado por: jon | janeiro 22, 2006 01:20 PM
Há que lutar pelo que queremos, sem dúvida. :)
afixado por: Pecola | janeiro 22, 2006 01:54 PM
Não sabe qual é o cauteleiro? É a mais fácil de todas. mas neste dia também existe o voto de silencio.
Por falar nisso…..
afixado por: leopard | janeiro 22, 2006 01:57 PM
Nunca anotei tanto um livro como este, de Záfon. Quase que dava para escrever outro livro, o que faria três. O do Cárax, o do Záfon e o do leitor.
afixado por: João Cúcio | janeiro 22, 2006 02:24 PM
que coincidencia...esse é o livro q ando a ler :).
Destino.... ir atras dele!!! uma certa idiossincrasia.... mas convenhamos antes q a sorte constroi-se ;)
afixado por: cila | janeiro 23, 2006 01:51 AM