Os verdadeiros culpados
Em defesa dessa classe ostensivamente vilipendiada e alvo de atoardas de atrocidade inaudita, vulgo notários y sus muchachos, denuncia-se, pelo presente, o verdadeiro responsável pela vegetalização galopante a que se assiste diariamente em cada Cartório.
Quem diz cartório, pode dizer repartição, posto dos correios, guichet, ou coisa que o valha, a critatura é mutante e adapta-se bem aos diferentes habitats. Tou a falar, pois é claro, no chato de merda.
O chato de merda é aquele personagem que reside invariavelmente, um ou no máximo dois lugares, à nossa frente, nas filas dos estabelecimentos acima arrolados e que monopolizam o tempo e paciência do atendedor, transformando o que podiam ser visitas-relâmpago dos demais utilizadores do serviço, em estadas semelhantes a fins-de-semana prolongados.
Caracterizam-se pela sua especial argúcia camuflatória, que lhes permite ostentar a aparência de senhora idosa; de jovem pré-adulto, ou pós-adolescente, se preferirem; de pequeno-médio empresário, etc. Existem em diversos formatos e para todos os gostos.
A sua actuação consiste em dirigir-se aos tais locais de atendimento ao público, sem a mínima noção sequer do motivo que ali os leva. Estou convencido, que basicamente, se deslocam para onde existirem cumulativamente, filas e a possibilidade de estorvar, os que precisam MESMO de utilizar tais serviços. Voltando ao que importa, para além dos que nem sabem por que razão se dirigiram aos postos de atendimento, existe ainda a classe superior (tipo serafim dos chatos de merda), que até sabem ao que vão, mas se auto-convencem que basta aparecer nos sítios, sem qualquer tipo de documento, para que os problemas se resolvam, não hesitando em manifestar ruidosamente a sua indignação, quando confrontados com a cruel realidade de terem que voltar para trás, a fim de recolher os elementos em falta.
Todos já experimentaram certamente, pelo menos uma vez, a epopeia de aguardar infinitamente que uma das aludidas criaturas desfie todo o catálogo de dúvidas e questões existenciais à vossa frente, a maior parte delas do género “Ó menina aqui onde diz Nome é para escrever o meu nome ?”. Agora imaginem-se na pele do desgraçado que tem que atender tais seres numa base quotidiana...atrevem-se a criticá-los ? Conseguem continuar a estranhar o avançado estado de paralisia facial e cerebral que mina aqueles que estão do lado de lá do balcão ? Pois é...
Para concluir, que isto de fazer queixas, qualquer um faz, ao passo que apresentar soluções é que ‘tá de chuva’, aqui vai a minha proposta de resolução: Criação de um único guichet em todos os postos de atendimento ao público, para tratamento das questões normais, nos quais a permanência por mais de cinco minutos, seria automaticamente premiada com uma exemplar electrocussão de dimensões bíblicas.
Todos os outros guichets poderiam servir para atender os chatos de merda.

Comentários
LOL!
É uma boa ideia... mas padece de um problema: como é bom de ver, qualquer chato de merda que se preze iria direitinho ao guichet atendimento rápido. Não se despachando, obviamente, em 5 minutos, e sendo, por isso, alvo de uma electrocussão de dimensões bíblicas, cumpriria de forma exemplar o seu destino e missão de chato de merda tornando virtualmente impossível o atendimento em todos os guichets durante o tempo que levasse a chamar o 112, esperar que chegassem os paramédicos, depois a polícia, o tipo do IML para declarar o óbito, etc, etc. Um destes por dia, e todas as repartições do país ficariam paradas por tempo indeterminado, sendo sabido que o chato de merda é uma espécie em franco hiperdesenvolvimento demográfico.
Temos de pensar noutra estratégia...
afixado por: M. | janeiro 25, 2006 04:09 PM
damn...
afixado por: jon | janeiro 25, 2006 04:21 PM
That's life...
afixado por: M. | janeiro 25, 2006 04:57 PM
Tenho uma ideia...
Não anda o Sócrates a pensar no cartão único do cidadão, com todos os dados e treta e tal?
Então...
Começamos por implantar, sob o couro cabeludo dos "chatos de merda", um chip electrónico.
Depois, dotamos todos os serviços públicos (e porque não os privados também?) de um detector do "chato de merda", logo à porta desse serviço.
Se fosse um "chato de merda", a descarga eléctrica de alta tensão era logo dada à porta, e assim, quando o INEM chegasse, era tudo resolvido à porta, sem qualquer prejuízo para o serviço em causa.
Só um problema nesta minha ideia semi-infalível: onde estão os "chatos de merda"? onde se reunem, para ser mais fácil aplicar-lhes o chip?
afixado por: Bernardo | janeiro 25, 2006 06:53 PM
Fixe, pá. Encontraste aqui um bom registo.
afixado por: João Cúcio | janeiro 25, 2006 07:07 PM
Também poderia existir um alçapão em frente ao guichet e, passados os 5 minutos, o chato de merda era atirado à rua.
afixado por: Ana | janeiro 25, 2006 09:39 PM
Sou uma macaca de imitação: fixe, pá.
afixado por: susana | janeiro 26, 2006 02:16 AM
Ai, eu nao fazia assim...eu fazia coiso e tal....ah ah ah
Pois eu nao, pq eu como mijona q sou axo q nhanhanha...
Belo texto Jon.
afixado por: El Greco | janeiro 26, 2006 09:28 AM