O clube dos tontos
Começou o processo!
Michael Baigent e Richard Leigh estão em tribunal, em Londres, acusando Dan Brown e a sua editora de plágio. Afirmam que o autor norte-americano, para a escrita do "Código Da Vinci", lhes roubou toda a estrutura teórica de um "trabalho de investigação" que tinham escrito anteriormente.

Da esquerda para a direita: Dan Brown, famoso autor do gigantesco best seller "O Código Da Vinci", Richard Leigh e Michael Baigent, dois dos autores do não tão gigantesco best-seller "O Sangue de Cristo e o Santo Graal" (Londres, 1982).
Os dois últimos, maçons defensores de uma "espiritualidade sem dogma", escreveram nos idos anos oitenta uma obra de pseudo-história nas quais defendiam teses historicamente inconsistentes. Estes autores, chamados inocentemente de "historiadores" por uma imprensa ignorante, juntamente com Henry Lincoln (ausente da acção judicial por alegadas razões de saúde), criaram nos anos oitenta uma rebuscada teia de teorias que pretendia deduzir de um hipotético casamento de Jesus com Maria Madalena uma "linhagem sagrada" de descendentes, que cruzando-se em França com a dinastia dos Merovíngios, teria sido protegida ao longo dos séculos por uma misteriosa sociedade secreta chamada "Priorado de Sião".
Baseando-se na popular mistificação de Rennes-le-Château, os três autores Lincoln, Baigent e Leigh conseguiram um formidável sucesso, divulgando em inúmeros países as histórias fantasiosas do Priorado de Sião, o fabuloso tesouro/segredo descoberto pelo padre Saunière de Rennes-le-Château, e as suas teorias muito sui generis sobre os planos deste mesmo Priorado de Sião para o domínio político à escala global com a criação de uns Estados Unidos da Europa sob a égide de um monarca merovingio descendente de Jesus Cristo!
Muitos cairam na esparrela (eu confesso que caí que nem um patinho), o livro fez sucesso nos aeroportos e nas bombas de gasolina, e a "lebre" foi lançada pelo mundo inteiro. Hoje, são às centenas as obras "filhas" do livro escrito pelo trio. Dan Brown, de forma inteligente, apercebeu-se do poder tremendo desta "lebre" pseudo-histórica, apercebendo-se também de que, no final dos anos noventa, a burla do Priorado de Sião, da autoria do francês Pierre Plantard, era ainda largamente desconhecida de um grande público de leitores ávidos por estes temas.
Se querem que vos diga, contrariamente ao que se poderia pensar, estou com Dan Brown neste caso!
Acho que Baigent e Leigh vão perder uma pipa de massa!
Mas, claro está, falta saber se a balança entre os custos judiciais destes autores e os proveitos do relançamento das vendas do seu livro irá pender para o primeiro, ou para este último lado.
Sinceramente, não vejo suporte factual para a acusação de plágio. Dan Brown retirou a esmagadora maioria das suas teses do trabalho do trio, isso é inegável. E é patético assistir ao advogado de Dan Brown, que sistematicamente o nega, dizendo que a obra do trio apenas foi consultada numa fase final da escrita do "Código Da Vinci".
Mas copiar uma tese ou uma ideia não infringe o copyright.
Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Se Baigent e Leigh vencessem a causa em tribunal, isso poderia comprometer seriamente a rodagem do filme de Ron Howard, agendado para estrear em Portugal ainda neste Verão...
Algumas notícias retiradas do site do jornal The Times:
Historians take Da Vinci Code publishers to court
'Da Vinci Code' Author Accused in London
Da Vinci Code case 'could prove costly' for authors
British court battle over 'The Da Vinci Code'










































