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Islão e confusão

maome.jpg

Um cartoon.
Tomei este como exemplo, mas o que vou escrever poderia ser escrito com base noutro qualquer dos cartoons da discórdia. Este é o poder da imagem, em muitos casos superior ao da palavra. Peço a quem me lê que tente seguir o meu raciocínio, que tentei que fosse imparcial e equilibrado.
Eu vejo neste cartoon, pelo menos, e sublinho pelo menos, duas interpretações diametralmente opostas:

Interpretação A
O Islão é terrorista desde a sua génese, que está em Maomé, o terrorista por excelência. O Islão é uma religião de terror, este último materializado na bomba que jaz sob o turbante do Profeta.

Interpretação B
O Islão está, nos tempos de hoje, subjugado a uma ditadura ideológica de terror. A mensagem do Profeta é constantemente transformada em ideologia de ódio por fanáticos que visam uma guerra cultural em grande escala com o Ocidente "infiel".

Escolhi estas duas interpretações para tentar, exactamente, extremar duas vistas opostas do mesmo cartoon. Penso ser difícil discordar que este desenho permite as duas leituras.
Peguemos na primeira interpretação. É uma interpretação radicalmente xenófoba, no ódio que exala face ao Islão, numa visão totalmente redutora (se bem que sedutoramente popular para a mentalidade dos nossos tempos) de um fenómeno cultural, religioso, tradicional e politicamente complexo e heterogéneo. Aos olhos da legislação actualmente em vigor na maioria dos países ocidentais, uma visão xenófoba como esta poderia ser facilmente condenável ou, pelo menos, censurável.
Peguemos agora na segunda interpretação: sendo uma crítica a um tipo de terrorismo moderno, a crítica seria inatacável, pela sua característica de livre denúncia de abusos terroristas. Nenhum tribunal ocidental poderia, alguma vez, ver esta denúncia do terrorismo fanático como algo de xenófobo.

Temos visto nos últimos dias um assumir de posições em ambos os lados da barricada, precisamente pelo facto de que o cartoon, este e os restantes, se prestam a leituras duais e diametralmente opostas.
Eis o que penso, em suma...
Liberdade de expressão?
Sim, sem dúvida.
Liberdade ilimitada de expressão?
Evidentemente que não!
Toda e qualquer liberdade, assim como todo e qualquer direito, pressupõe o respeito pelas demais liberdades e direitos. O limite de uma liberdade, ou direito, encontra-se exactamente no ponto em que se cruza com outra liberdade ou direito. Não há direitos absolutos nem liberdades absolutas. Isso seria um contrasenso. Há apenas direitos e liberdades relativas.
Onde está a irresponsabilidade dos autores destes cartoons?
Está, precisamente, no uso irresponsável de uma ferramenta poderosa: a do desenho. O cartoon que escolhi ilustra bem o poder deste meio de comunicação para a ambivalência!
E a ambivalência, no actual contexto de política externa, é desastrosa. O cartoonista responsável deveria ter zelado para que o seu desenho fornecesse ao leitor todas as pistas necessárias para a descodificação da sua intenção. De pouco vale que tantos afirmem que o desenho apenas veicula a segunda interpretação que indiquei. O problema é que o desenho permite as duas interpretações. É aqui que reside a necessidade da responsabilidade. Todos os direitos trazem com eles, necessariamente, a responsabilidade.
Claro está que é impossível concordar com as manifestações de violência a que todos temos assistido. Contudo, é de evitar o uso de argumentação falaciosa e sentimentalista, que visa transformar o ponto de vista que defendo num ponto de vista desculpabilizante da violência. A violência que vimos não tem desculpa. Também ela é resultado da instrumentalização de uma grande parte das massas muçulmanas por fanáticos desonestos. Quantos dos vândalos que a televisão exibiu terão, sequer, visto os cartoons com olhos de ver?
Devolvo a pergunta para o lado de cá dos fazedores de opinião: quantos terão, sequer, visto o Islão com olhos de ver?
Infelizmente, muito poucos...

Sobre o debate de ontem na RTP...

Fiquei ontem sinceramente desiludido ao escutar Vasco Rato, pessoa por quem tenho grande admiração, naquilo que foi um debate propositadamente confuso em muitos sentidos. A selecção dos intervenientes deve ser sempre feita com critério e muito cuidado. Enquanto que um dos lados estava bem preenchido, o lado do "contra", já o lado oposto estava muito mal representado. Com todo o respeito, a grande maioria dos cartoonistas nem sequer conhece o Islão nem a política externa, pelo que a discussão seria facilmente pervertida num populismo e na mais elementar demagogia. Pensei que a presença de Vasco Rato iria animar intelectualmente o debate. Mas isso foi antes de o ver seguir a estrada do populismo para defender o seu lado. Não sei se foi devido ao facto de ele estar, cultural e intelectualmente, a léguas dos seus "colegas" de debate. Não sei se se deveu ao entusiasmo com que Vasco Rato se encheu pelo apoio por vezes entusiasta da plateia. Sei que o debate teve um momento feliz quando Ângelo Correia, depois de ganhar fôlego, desfez a pseudo-argumentação de Vasco Rato em pedaços.
Foi para mim uma grande desilusão escutar os argumentos desta figura a quem muitos reconhecem, na minha opinião justamente, cultura e erudição.
Ângelo Correia sublinhou, e bem, que há vários níveis que deveriam estar separados na análise científica da questão, se bem que podem ser somados em qualquer legítima tentativa de síntese. São os níveis cultural, político, tradicional e religioso. Mais níveis poderão existir, e isto em qualquer questão sobre a qual nos debruçemos. Há vários meses, Nuno Rogeiro lembrou, de forma muito acertada, que os terroristas devem ser chamados de terroristas, e não de "terroristas islâmicos". O terrorista do IRA não deve ser chamado "terrorista católico", do mesmo modo que o terrorista da ETA não deve ser chamado de "terrorista basco". Terrorista é aquele que pratica o terror, seja qual for a ideologia ou a matriz cultural da qual ele se socorra para levar a sua iniciativa avante.
Não me tenho cansado de afirmar, nestes modestos textos blogosféricos, que a religião organizada assiste, nos dias de hoje, a um duplo assalto: o assalto dos fanáticos (ocidentais e orientais), que conduzem, pela histeria de massas, os seus povos a uma guerra civilizacional; e o assalto dos media, que seleccionam cuidadosamente os conteúdos mais chocantes e provocatórios, desejando, evidentemente, vender, mas provocando uma formatação redutora das mentalidades nos receptores dos conteúdos mediáticos.

Comentários

Não será este artigo uma tentativa de desculpar certas tendencias religiosas totalitárias e violentas?... Negar a relação do terror (seja ele islâmico ou católico) com a religião é negar uma realidade.

Parece aquela visão prosaica de: " da religião só podem sair coisas boas" e como tal há que reinterpretar a realidade de acordo com este dogma.

Não tenho muito a acrescentar a esta visão, com a qual concordo plenamente, e em muitos aspectos reforça o que disse aqui ontem em alguns comentários a alguns posts.
só uma pequena divergência, o Islão tende para a universalidade, assim como o catolicismo e todas as doutrinas monoteístas, procuram conquistar crentes, mas o meio de conquistar é que varia, os católicos vão por meios pelo menos a partir de uma certa época histórica que deixaram de ser violentos e impostos, para serem de persuasão e conquista, pela emoção ou pela razão, a evangelização a missionarização. O Islão faz isto ou procura faze-lo por outros meios?
Depois temos a visão radicalista de lado a lado que diz se um faz ( e faz mal) nós também devemos fazer. Caímos na doutrina do olho por olho dente por dente. Um retrocesso, embora não se deva adoptar a doutrina católica do dar a outra face.

«Não será este artigo uma tentativa de desculpar certas tendencias religiosas totalitárias e violentas?»

Não, caro leitor, não é!
Afirmá-lo é uma asneira que deveria ser evidente. Não vou levar a mal o facto de não ter lido com atenção o meu texto, mas adverto-o do seguinte: é deselegante colocar intenções na cabeça das pessoas quando desconhecemos (claramente) o que elas pensam. Afirmar que eu tento "desculpar certas tendencias religiosas totalitárias e violentas" é uma grave asneira, com contornos de ofensa. Está no seu direito de dizer o que pensa, como eu estou no meu direito em me indignar pelas ideias que erradamente me atribui.

«... Negar a relação do terror (seja ele islâmico ou católico) com a religião é negar uma realidade.»

Então concordará que o terrorismo da ETA tem uma relação intrínseca com o ser basco? Será que eu posso dizer que há uma relação entre o terrorismo da ETA e a identidade cultural dos bascos? Responda, por favor..
É incrível como o ensino em massa prejudicou tanta gente, por já não se ensinarem conceitos fundamentais de retórica e argumentação.

«Parece aquela visão prosaica de: " da religião só podem sair coisas boas"»

É evidente que não partilho, mais uma vez, das ideias que me quer atribuir. A religião, por definição, constitui-se em torno de pessoas, humanas e falíveis. Do mesmo modo que de um ser humano podem sair coisas boas e coisas más, também dos movimentos religiosos, feitos por seres humanos, saem coisas boas e coisas más.
Daí a tentar afirmar que a essência de uma religião é coetânea com o terror, ou que qualquer religião assenta na defesa de "coisas más", vai um grande salto em direcção à asneira...

Bernardo
O que acho, independentemente da tua análise, que acho formalmente correcta, embora um pouco desfasada da realidade - as pessoas, em turba, movem-se por bandeiras, gritos de guerra e hinos, comandadas por líderes e gauleiters - é que não podes sonegar o poder da religião nestes movimentos de massas, tantas vezes violentos. Ou dito de outra forma, há uma certa complacência em denunciar ou até travar (como se viu com as autoridades dos países em questão) a violência quando ela surge conotada com a religião (e também com outros grupos de pertença, como o futebol), porque quem a critica é associado a alguém que critica a religião. Daí também a tibieza dos governos nestas coisas. Claro que o IRA não são os irlandeses católicos, nem os Mártires de Al-Aksa os palestinianos. Mas estes movimentos servem-se da religião e expandem-se com mais liberdade por causa dela. Conheces algum texto do clero católico irlandês ou do Papa que condene, frontalmente, o IRA? Ou dos líderes religiosos islâmicos que condenem estes ataques? Estou a perguntar porque não me lembro de nenhum. Já é mais fácil toda a gente condenar e ter uma atitude mais intolerante quando a violência vem da ETA, dos Baader-Meinhof ou das Brigatte Rossi, porque são (eram) movimentos estritamente ligados à política.
Abraços e adiscussão é muito interessante.
Quando comecei a ler o teu texto disse logo para comigo: é do Bernardo. Só podia, com o rigor de análise a que sempre nos habituas-te e que nos ensina.

Leopard,

«só uma pequena divergência, o Islão tende para a universalidade, assim como o catolicismo e todas as doutrinas monoteístas, procuram conquistar crentes, mas o meio de conquistar é que varia, os católicos vão por meios pelo menos a partir de uma certa época histórica que deixaram de ser violentos e impostos, para serem de persuasão e conquista, pela emoção ou pela razão, a evangelização a missionarização. O Islão faz isto ou procura faze-lo por outros meios?»

Quero advertê-lo para o perigo da sua pergunta. Ela está mal colocada, e explico porquê...
Hoje em dia, não se pode, na maioria dos casos, começar uma frase como a sua tentando generalizar "o Islão".
É a realidade incrivelmente variada e complexa do Islão moderno que impede, "ipso facto", qualquer esforço de generalização. Do mesmo modo que agentes perturbadores fanáticos tentam passar no Ocidente e no Oriente uma ideia violenta e agressiva do Islão (já bem distante do conceito de "jihad" que vigorava no tempo do Profeta, também ele guerreiro no sentido literal da palavra), vemos que muitas comunidades islâmicas, tanto no Ocidente como no Oriente, mostram uma postura moderada e equilibrada, com horror a qualquer manifestação terrorista ou violenta.
Porque é que a comunicação social não faz um trabalho sobre a comunidade muçulmana de Lisboa? Ou porque é que não falam sobre as tariqahs sufis em Marrocos, por exemplo? Porque é que não se fala nos moderados? Porque não interessa. Não convém à formatação das mentalidades que se "confunda" a questão (que se quer reduzir a chavões) com "complicações" como a dos muçulmanos moderados, ou a das comunidades de árabes cristãos e judeus, ou outras realidades que mostram como o problema é mesmo complexo.
Por exemplo, hoje vigora em todo o lado a ideia errada de que todas as mulheres muçulmanas devem usar "burka". Haverá melhor sinal de que se assiste, por todo o lado, a uma caricatura do Islão? Essa caricatura é lançada por certos fanáticos (alvos interessantes para a imprensa, porque mediáticos), e depois é apoiada por aqueles que eu chamo "extremistas da opinião", pessoas eminentemente incultas (ou desonestas) e xenófobas.
Ontem, no debate, foi incrível que Ângelo Correia tivesse que "relembrar" a um Vasco Rato amnésico a importância cultural para a filosofia ocidental de pensadores islâmicos medievais como Avicena ou Averróis. E apenas se mencionaram dois grandes nomes! Muito mais se poderia falar sobre figuras essenciais como, por exemplo, Algazel.
Portugal, aliás, pode dar grandes lições de história sobre a grandeza do Islamismo, sobre a sua grande elevação e cultura, mesmo quando nesses tempos a guerra pela conquista de territórios era incontornável, e ambos os lados, o cristão e o muçulmano, recorriam frequentemente às armas.
Vasco Rato apenas defendia o lado agressivo da "harb", sem sublinhar o lado doutrinal essencial da "jihad". Ele conhece-o. Porque não o mencionou?
Porque insistem certos fazedores de opinião no obscurecimento deliberado do Islão moderado e tradicional?

Mário,
Entendo a tua argumentação. Sei bem que, hoje em dia, o que vigora é a histeria de massas. Que, infelizmente, as ideias que julgo serem sensatas são cada vez partilhadas por menos gente.
Contudo, luto pela prevalência do bom senso! Luto para que pessoas como o Sheik Munir sejam respeitadas e veneradas como os defensores do verdadeiro Islão! Porque sinto, e não sou muçulmano, é apenas algo de intuitivo, que aquele homem fala a Verdade sobre o Islão. Por isso, fico tão irritado ao ver pessoas como o Vasco Rato a tentar entrar em populismos que distorcem a verdade dos factos.
Cuidado com o que afirmas, Mário. Fiz apenas uma busca rápida no site do Vaticano pelas palavras "IRA Ireland", e saquei APENAS a primeira entrada que me saiu dessa busca:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/angelus/2005/documents/hf_ben-xvi_ang_20050731_en.html

A Santa Sé é, e tem sido, uma incansável defensora da paz. Isso não impede que certas pessoas dentro dela não se aproveitem, como é infelizmente natural na imperfeição do ser humano, da religião para fins políticos. Mas são essas pessoas que estão mal, e não o catolicismo que por vezes representam de forma incorrecta.
No que toca à liderança máxima da Igreja Católica, ou seja, o Sumo Pontífice, penso que a tua crítica de um suposto (mas inexistente) "silêncio" é injusta.
Obrigado pelas tuas palavras.
Um abraço,

Não, não foi isso que eu quis dizer, e só vou replicar mais esta vez porque corro o risco de estar para aqui a repetir ideias. É que o Islão expande-se através de pequenas células familiares, originárias dos respectivos países ou criadas nos países de adopção, uma mulher que case com um árabe, a educação dos filhos e restante orientação familiar é a da religião do marido, a expansão já não é por cruzadas ou jihad como bem disse mas subterrânea, que depois pode dar origem as tais células adormecidas que são recrutadas para actos terroristas plenamente integradas na nossa sociedade.
Ao contario do catolicismo o Islão faça a distinção que quiser entre moderados ou terroristas, não tem os seus missionários e sempre foi um religião expansiva.
Cumprimentos

Deves estar a falar de um Vasco Rato diferente do que eu conheço. Só pode, mesmo.

LR,

«Deves estar a falar de um
Vasco Rato diferente do que eu conheço. Só pode, mesmo.»

Tu é que és sempre o mesmo... Críptico. Velado. Enigmático. Diz o que pensas, homem!
Eu já te pressinto as ideias, pelo que acorri a corrigir, imediatamente, uma asneira no meu texto. Eu tinha escrito que "todos" reconheciam a cultura do dito. É evidentemente um erro da minha parte. Substituí o todos por "muitos", esperando minimizar o erro... "Muitos" também será, certamente, algo de subjectivo e contestável, por isso exponho o meu dorso à vergasta áspera da tua contestação. Mas, LR, usa mais palavras da próxima, ok? OBRIGADO! ;)

Leopard,

Eu entendi perfeitamente o teu ponto de vista, e concordo com ele em larga medida, mas...

«Ao contario do catolicismo o Islão faça a distinção que quiser entre moderados ou terroristas, não tem os seus missionários e sempre foi um religião expansiva. »

Eu não vejo as coisas bem assim! Acho que tanto o Islão como o catolicismo são expansionistas por natureza própria. A questão é apenas esta: o catolicismo move-se hoje num mundo secularizado, o que ainda está longe de se verificar no Oriente... O Islão, nas suas várias e diversas facetas, teve um percurso histórico bem diferente do do catolicismo. Isso explica algumas das coisas que vemos hoje em dia. Para não ser mal interpretado, nada tenho contra a expansão pacífica, nem contra o trabalho missionário. É também errado dizer que o Islão não tem missionários! Basta ir a África! Por muito que isso irrite um espírito secularizado, a postura missionária é intrínseca ao Islão e ao catolicismo. Desde que seja feita com decência e de forma pacífica, é perfeitamente natural e coerente com a vida em cidadania e liberdade, na minha opinião!

"Está no seu direito de dizer o que pensa, como eu estou no meu direito em me indignar pelas ideias que erradamente me atribui."

De acordo.


"Será que eu posso dizer que há uma relação entre o terrorismo da ETA e a identidade cultural dos bascos?"

Claro que existe. Quantos americanos há nas fileiras da ETA? e brasileiros? e chineses? pois é... obviamente que a pertença a uma certa comunidade (religiosa ou regional é um factor nisto tudo).


"É incrível como o ensino em massa prejudicou tanta gente, por já não se ensinarem conceitos fundamentais de retórica e argumentação. "

Guade a descortesia para quem estiver interessado.


"Daí a tentar afirmar que a essência de uma religião é coetânea com o terror, ou que qualquer religião assenta na defesa de "coisas más", vai um grande salto em direcção à asneira..."

Uma religião que se reclama absoluta e benigna tem meio caminho andado para a desgraça - se o que defendem é o bem "supremo" então tudo se torna válido.
Mas nem todas as religiões partilham das psicoses dos monoteismos do deserto.

Bernardo,

gostava de te replicar numa posta, mas agora estou de saída pra fora e sem tempo. Na quinta-feira replico. Abraço

Berith,

«Claro que existe. Quantos americanos há nas fileiras da ETA? e brasileiros? e chineses? pois é... obviamente que a pertença a uma certa comunidade (religiosa ou regional é um factor nisto tudo).»

Exprimi-me incorrectamente. O que eu queria dizer é que o "factor" de que fala não é estruturante. Ou seja, não é a cultura basca a causa do terrorismo da ETA, assim como não é o catolicismo a causa para o terrorismo do IRA, assim como não é o Islão a causa da Al-Qaeda. São factores importantes, é certo, porque da sua manipulação resulta o sucesso destas ideias junto das massas. Mas não são estruturantes. É essa a ideia central da minha argumentação. Os opositores da religião podem, e devem, manifestar a sua oposição, recorrendo ao domínio adequado: o da Filosofia.
Não é honesto, nem frutífero, que os opositores da religião se aproveitem do fanatismo para combater a essência da religião.
Não sejamos hipócritas: é disso que se trata.
Há quem defenda a ideia de que haveria paz no Mundo (ou se calhar, mais paz no Mundo) se as religiões acabassem. Obviamente, sou totalmente contra esta ideia. Mas ela deve ser demonstrada pelos seus defensores. E não é correcto recorrer a falácias para tentar demonstrar este ponto de vista. A Al-Qaeda comete inúmeros erros de base em termos da sua interpretação do Islão e do Corão. Não é costume lermos alguém que ligue a isto. A Al-Qaeda não é ortodoxa, mas sim fortemente heterodoxa na sua visão do Islão. Aliás, nos dias de hoje, assistimos precisamente a uma pluralidade de visões do Islão que resulta, em grande medida, não só da dicotomia original do xiismo vs. sunismo, mas também da adição de vários níveis de complexidade com as visões fanáticas (e heterodoxas) dos grupos terroristas que se reclamam "islâmicos". O Sheik Munir explicou-o, e tem explicado isto, inúmeras vezes, afirmando que estes grupos terroristas estão em aberta contradição com os hadith do Profeta, com a tradição corânica, com o coração do Islão.

«Guade a descortesia para quem estiver interessado.»

Foi você quem começou.
Estamos quites?

«Uma religião que se reclama absoluta e benigna tem meio caminho andado para a desgraça - se o que defendem é o bem "supremo" então tudo se torna válido.»

Isso não é verdade. Outra falácia. O facto de uma religião defender um bem supremo (qual a que não o faz?) não implica que "tudo" se torne válido.

Cumprimentos,

Gibel,

«gostava de te replicar numa posta, mas agora estou de saída pra fora e sem tempo»

Mas concordas totalmente, ou discordas totalmente? Ou concordas parcialmente e discordas parcialmente? Vou ficar curioso...

acho que não estamos totalmente de acordo, mas no fim vamos chegar a uma síntese hegeliana :)

Bravo, bravo! É isso mesmo o que eu queria! Grande Hegel! ;)

"São factores importantes, é certo, porque da sua manipulação resulta o sucesso destas ideias junto das massas. Mas não são estruturantes."

Discordo, acho que é um factor estruturante, sem ele (uma dada crença religiosa ou nacionalista) não existe razão para o este tipo de terrorismo, estas crenças são essenciais à sua existência.


"Não é honesto, nem frutífero, que os opositores da religião se aproveitem do fanatismo para combater a essência da religião."

Isto também é religião e por isso a crítica é válida, especialmente quando uma percentagem muito considerável de crentes tem o tipo de atitudes inaceitáveis como têm sido vistas nos últimos dias.


"Foi você quem começou.
Estamos quites?"

Eu disse o que o artigo me pareceu ser, se não era essa a intenção sou corrigido e ficamos entendidos – o que eu não fiz foi chamar-lhe semi-analfabeto para dar ênfase á minha “superioridade intelectual”. Enfim, demos este ponto por encerrado.


"O facto de uma religião defender um bem supremo (qual a que não o faz?) não implica que "tudo" se torne válido."

Ai não? Se o que move o Homem é a procura por praticar o “bem” e ele crê ter encontrado a sua expressão absoluta então é a sua obrigação actuar para que tudo se coadune com essa visão, não o fazer seria compactuar com o “mal”. O absoluto teórico leva necessariamente ao absoluto prático. A velha conversa de matar corpos para salvar "almas"...

Parabéns, uma análise equilibrada do problema. Subscrevo inteiramente. Não conhecia as palavras do Nuno Rogeiro mas são inteiramente pertinentes. A maioria das opiniões sobre este problema são vistas sob a óptica do Ocidente. É como olharmos com os «olhos de hoje» as gerações de ontem. É um anacronismo. Decerto encontraríamos muitos aspectos ridículos. Basta pensarmos nisto e ao mesmo tempo ler um qualquer livro sobre o Islão ou visitar uma mesquita e perceber a ausência da figura humana para pelo menos entendermos o que está em causa.

Bernardo, você quer incendiar o mundo? Brincadeira, Bernardo. Você foi feliz nas suas colocações e creio que todos concordam, o problema são as várias emendas que compõem o pensamento e fica parecendo que todos estão falando línguas diferentes.
Não podemos esquecer que muitos se alimentam da miséria da ignorância pois, quando o homem passa a venerar algo sem raciocinar,sem entender o porquê de cada coisa e abolindo de vez o senso crítico tudo fica a mercê dos algozes com fome de dominar, manipular e matar todos os sonhos e descências humanas. Uma coisa é verdade: nunca nos ensinaram que o islã pode ser bom e se admitirmos a nós mesmos veremos quanto somos resistentes a outras idéias e doutrinas que não sejam as nossas, de repente, todos querem insultar de várias formas e em várias línguas.
Aquela gente é embrutecida porque a todo instante estão saqueando sua boa fé, comandados por homens famintos de poder que não medem as consequências dos seus atos e pouco estão se ligando para o Ser que habita corpos contidos de fúria e de medo de soltar os grilhões e abraçar o mundo onde ele possa ser o senhor do seu destino.

Cá temos mais uma tentativa do Bernardo para desculpar o terrorismo e justificar falaciosamente os fundamentalismos, ortodoxia ("heterodoxia" ? lol).
O radicalismo muçulmano pretende utilizar pretextos destes, para aumentar a sua influência no Ocidente. E está a conseguir, pelos vistos...

«Cá temos mais uma tentativa do Bernardo para desculpar o terrorismo »

Eu, de facto, apesar de enganar TODA a gente, nunca te consigo enganar, pois não?
Estás sempre tão atenta...
É que o tio Bin Laden paga-me bem, e a massita faz-me falta... Preciso dos terroristas para viver, Hope! Tem pena de mim! POR FAVOR!! Não me denuncies à Amnistia Internacional!!

À Amnistia Internacional ?
Erraste na instituição Bernardo, claro ;).
Sabes bem que precisas de pelo menos mais 50 linhas para conseguir incorporar algo de minimamente correcto no que afirmas... Vá lá, faz mais um esforço. 5 linhas, pelos vistos, não bastam :D

À ONU??
À AMI?
À Sociedade Protectora dos Animais?
À União Zoófila?
Ao Hamas?

Mais 40 linhas e pode ser que lá chegues ;)

Estamos em Guerra ou não?

Cada um que escolha o lado onde se deve colocar.
Escolha o lado da barbárie
ou o lado da civilização.
Estamos a falar da sobrevivência da nossa civilização e do futuro dos nossos descendentes.
Já começa a ser tempo de por de lado os pensamentos hipocritamente correctos e defendermos o nosso território da peçonha que o assolou.
Isto que se tem passado é uma amostra do que essa religião estúpida e os seus seguidors facínoras reservam aos nossos descendentes.
Nós os ocidentais estamos a ficar gordos e covardes.
Como é possível ficarmos inertes perante o assalto selvático às embaixadas ocidentais?
Como é possível o nosso ministro vir a terreiro numa atitude covarde criticar um país aliado e civilizado por ter medo da chusma Árabe.
Olhemos para Israel aprendamos como se negoceia e convive com aquela gente.

Já basta!


Enquanto que, uma vez mais, os Muçulmanos auto-permitem-se cair na ratoeira reaccionária que lhes foi montada, confirmando,assim, a tese dos cartoons ofensivos, ao reagirem furiosa e violentamente, consideremos preferível reflectir sobre a súplica do Profeta Muhammad(s.a.w.), proferida nos primórdios do Islão, em Taif. Esta é a súplica (dua) por ele proferida, com as sandálias cobertas de sangue, feridas espalhadas pelo corpo e terrivelmente insultado, caluniado e ridicularizado pelos habitantes de Taif. O mais importante a reter, é que isto teve lugar após um longo boicote de três anos sofrido às mãos dos Coraichitas, em consequência do qual os Muçulmanos viram-se obrigados a comer erva e a viver em árvores.
Eis o que foi dito pelo Profeta (a paz esteja com ele), ao abandonar a cidade de Taif:

“A Oração de Taif”

“Ó Allah! A Ti me queixo da minha fraqueza,
Da minha falta de recursos e da humilhação a
que fui sujeito.
Ó Todo-Misericordioso para com aqueles que são
misericordiosos;
Ó Senhor dos fracos e meu Senhor também.
A quem me confiaste Tu?
A uma pessoa distante, que me recebeu com hos- tilidade?
Ou a um inimigo, a quem concedeste poderes
Sobre aquilo que é a minha missão?
Nada me preocupa, desde que não estejas zangado comigo.
A Tua protecção é o que eu tenho de mais precioso.
É sob a luz do Teu Rosto que procuro refúgio,
Esse Rosto que faz com que toda a escuridão se dissipe
E regula todo e qualquer assunto deste e do
Outro Mundo.
Receio ter-Te desagradado e que a Tua fúria re
caia sobre mim.
É meu desejo agradar-Te e satisfazer-Te.
Não existe outro poder para além do Teu,
E ninguém é tão poderoso como Tu”.

Se aqueles que afirmam amar tanto o(s) Profeta(s), ao ponto de estarem dispostos a infringir o comportamento profético devido à raiva e à fúria cega que sentem, reflectissem um pouco a respeito desta oração, isso seria para eles uma luz orientadora e uma indicação clara de como um Muçulmano deve agir face à actual situação. Este é também o único caminho que permite a almas e corações atormentados encontrarem a paz, pois não será em piquetes ou em manifestações violentas que a encontrarão. Tais actos não podem e não devem ser usados como métodos para a clarificação da nossa reverência para com o sagrado e o divino.
A quem foi que o Profeta (s.a.w.) disse o seguin- te: “O Islão nada mais significa, a não ser possuidor de um bom carácter?”.

Estamos a readoptar às normas tribais pré-Islâ- micas, as quais defendiam a vingança e a retaliação, quando devíamos encarar o sucedido como uma oportunidade para alterarmos a nossa maneira de sentir e agir, seguindo o exemplo do nosso bem amado Profeta, que se manteve calmo e compassivo face ao ódio e à inimizade de que era alvo.

Estaremos nós a ceder ao pior dos pecados, que é a violência gerada pela falta de esperança? Isto quando devíamos seguir o exemplo do Profeta Muhammad (s.a.w.), que nunca a perdeu? E que, já fora de Ta’if, respondeu da seguinte forma: “Não, espero que um dia este povo adore a Deus somente”, quando o Anjo, em resposta à sua súplica, se ofereceu para destruir todas as montanhas em redor da cidade, reduzindo-a a pó?
A menos que possuamos a calma e a consciência do Profeta (s.a.w.) de Deus, segundo a qual, todo e qualquer acontecimento, favorável ou não, é representativo da oportunidade de fortalecermos o relaci- onamento que mantemos com Deus, continuaremos a ser vítima de todo e qualquer estratagema ou truque.

Em lugar de reagirmos com violência e fúria, deveríamos intensificar o nosso trabalho na partilha da bonita e misericordiosa mensagem do Islão, especialmente agora, que o Profeta (s.a.w.) é notícia nos meios de comunicação em massa. Permitamos que a oração proferida pelo Profeta (s.a.w.) em Taif seja publicada em jornais Europeus, como exemplo da sua magnanimidade e paciência.

Violência, ameaças de morte e fúria servem apenas para denunciar a falta de confiança no poder e na luz do Sagrado; confiança, essa, perfeitamente ilustrada pela experiência do Profeta (s.a.w.) no jar- dim exterior a Taif, quando pessoas que ouviram a sua oração sentiram-se movidas a aderir ao Islão. Além disso, e após este incidente, quando regressava a Meca, muitas pessoas que haviam ouvido a recitação do Alcorão por parte do Profeta (s.a.w.), aquando da sua oração nocturna, converteram-se também ao Islão. E, pouco depois da sua oração nocturna, o Profeta (s.a.w.) ascendeu ao Céu. De facto, após a tempestade vem a bonança.

Contudo, com o anúncio feito por alguns eminentes eruditos do Islão, intitulado “Um Dia de Ofensas”, receio que nada mais sejamos, a não ser sa- botadores. Porque não “Um Dia para Recordar o Profeta”, ou “Um Dia de Características tremendamente Proféticas”? Porque não”Um Dia da Oração de Taif”?

Dado o momento que vivemos, recomendo que façamos circular “A Oração de Taif”, a qual servirá como antídoto de toda a loucura e veneno do turbilhão emocional a que assistimos. Manifestemos sim, forte e firmemente, o nosso protesto. Mas dentro da lei.

Que Deus nos oriente para aquilo que é justo e nos conceda a sorte imensa de olharmos os nossos inimigos como se de amigos chegados se tratassem (ver Alcorão, 41:34-36), e aos quais temos o dever de transmitir o amor de Deus e do Seu Profeta (s.a.w.). Ámen.

«Jamais poderão equiparar-se a bondade e a maldade! Retribui (ó Muhammad) o mal da melhor forma possível, e eis que aquele que nutria inimizade por ti converter-se-á em íntimo amigo! Porém a ninguém se concederá isso, senão aos tolerantes, e a ninguém se concederá isso, senão aos bem-aventurados. Quando Satanás te incitar à discórdia, ampara-te em Deus, porque Ele é o Omniouvinte, o Omnisciente.» — Alcorão, 41:34-36.
«É possível que Deus restabeleça a cordialidade entre vós e os vossos inimigos, porque Deus é Omnipotente. E Deus é Indulgente, Misericordio- so.» — Alcorão, 60-7.

"Olhemos para Israel aprendamos como se negoceia e convive com aquela gente."

Boa Noite

Caro João,

tendo em consideração a sua frase, peço-lhe que leia Tanya Reinhart "Destruir a Palestina"
e veja realmente como é que o poder político e militar actua
("Apartheid" ou emigração compulsiva que já chegou aos 4 milhões de pessoas)

Não confunda a maioria da população de Israel, com o seu poder político e militar.

A srª Reinhart é natural de Israel e prof. Universitária.

Convém não esquecer o desmantelamento dos colonatos de gaza (ofereceu-se um rebuçadinho como disse Nuno Rogeiro)

Um obrigado a quem comenta os factos procurando conhecer e estudar as causas.

Apesar de compreender a sua posição penso que não deve conhecer alguns membros da comunidade islâmcia de Lisboa que, envoltos num manto de pacifismo são no seudia-a-dia pessoas ignobéis e cruéis. Esteja atento

da vai te lixar cao come gomas de merdinha de cao

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