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?Civilização # Tríptico + 1 Édipo de Ingres

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O que fizemos desde Hiroxima
Foi paradoxalmente unir toda a Terra.
Olhamos pelo cano da arma engatilhada.
Um alvo, um fado unido
juntos num hiperestado.
Pois a Grécia é Greenham, Greenham a Grécia,
Posídon é Posídon, e não só para esta peça.
Nem todos os lugares, nem as eras humanas
dependem de gente como nós e tu.
Na terceira guerra mundial destruiremos
não só as modernas cidades, mas a memória de Tróia.
As histórias que moldaram o espírito da nossa raça
são pesadas na balança nesta base de mísseis.
Lembrem-se, se puderem, que com o homem vai a recordação
do sentido que poderia ter a história da Humanidade.
É fácil de entender que, quando estivermos mortos,
não haverá mais páginas para lermos.
Nem mesmo folhetos ou peças de paz como estas,
nem Aristófanes do pós-Holocausto.
Por isso, ao soarem nomes novos,
pensem no chão que pisam.
Se formos destruídos,
Levaremos connosco Atenas 411 a. C.
O mundo que existiu até ao último minuto de hoje
e todas as criaturas que nele viveram
irão quando nós formos, de tudo o que o homem fez
nada será lembrado, absolutamente zero.
Nem monumentos de guerra com os seus nomes de mortos,
porque a memória não sobreviverá ao vosso Armagedão.
Assim, Lisístrata, Glenda Jackson, são um único nome.
Desde 1945 passado e presente são o mesmo.
E não importa se é "real" ou uma ficção -
Imaginação e realidade seguem o mesmo caminho.
Por isso não digam que é só um bando de gregos antigos.
São as lágrimas deles que correrão pelas vossas faces
.

Tony Harrison

[na peça Common Chorus (1985) - adaptação de Mulheres de Tróia e de Lisístrata de Aristófanes]

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