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O meu "progenitor B" é professora!

Poderá ser assim que daqui a uns anos, uma criança espanhola responderá, na escola, acerca da profissão da sua mãe. Zapatero e a sua claque estão a transformar a legislação civil espanhola num filme surrealista.
O Boletín Oficial del Estado publicou recentemente a alteração em causa: nos formulários do registo civil de nascimentos, os termos "pai" e "mãe" passarão, respectivamente, a "progenitor A" e "progenitor B". Por outro lado, nos formulários de casamentos, "marido" e "mulher" passarão a "cônjuge A" e "cônjuge B". Tudo isto para acomodar, é claro, a recente moda brokeback do Governo Espanhol.
O que é anedótico, nesta cruzada imbecil, é que da distinção "mãe" e "pai", que colocava a mulher em pé de igualdade, passa-se a mulher para segundo plano, porque esta passa a "progenitor B". Ainda mais curioso é como é que se permite o uso de uma palavra masculina! Porquê "progenitor A e B" e não "progenitora A e B"? Como se garantem assim os direitos que algumas feministas radicais reivindicam?
Espero que tudo isto não passe de um boato. Não consegui ainda ler o texto original do BOE, e por isso, ainda tenho uma secreta esperança de que tudo não passe de uma brincadeira de mau gosto.

Comentários

BOÉ adelante.
Quien te ordena a ti zapatero ...

Uma tempestade num copo de água, o nome que se dá às coisas não muda as relações subjacentes.


“Tudo isto para acomodar, é claro, a recente moda brokeback do Governo Espanhol.”

Olhe a homofobia galopante Bernardo...



Pero no es verdad.

(“Artículo segundo. Adaptación de los modelos de las inscripciones de nacimiento y de matrimonio a la Ley 13/2005, de 1 de julio.

Los modelos oficiales de las inscripciones principales de nacimientos y matrimonios (modelos oficiales 101 y 200, respectivamente, aprobados por Resolución de la Dirección General de los Registros y del Notariado de 25 de enero de 2005) que se practiquen en los libros de los Registros Civiles informatizados deberán recoger las menciones relativas a los progenitores y a los cónyuges como «campos variables», de forma que las menciones actuales y las nuevas se ofrezcan al usuario de la aplicación como opciones alternativas, permitiendo de esta manera conservar los términos de «marido» y «mujer» o los de «padre» y «madre» para los supuestos de matrimonios o progenitores de sexo diferente, o alternativamente emplear las menciones de «A-Cónyuge» y «B-Cónyuge» o las de «A-progenitor/a» y «B-progenitor/a» para los casos de matrimonios o progenitores del mismo sexo”)

Isto é somente para abrir variantes, é que eles lá tem vários tipos de casamento.

Aparte a inverdade da matéria de faccto, lá estás tu a querer estender a todos os teus problemasmorais, religiosos, éticows ou lá o que é. Queres casar-te com alguém do mesmo sexo? Não? Então que raio tens a ver com as vidas de quem tem esse desejo?
Imaginass tu que existe uma "Ética, que seja universal para a humanidade civilizada". E essa Ética seria a tua, claro está...
Quanto à confusão que fará oou não às crianças crescerem num ambiente familiar onde os dois adultos são do mesmo género (a única preocuipação que me parece válida aqui), já inúmeros estudos serviram para aquietar essas preocupações. Ou julgas tu que quem decide estes assuntos estica um dedo molhado para o vento, sente o "ar do tempo" e promulga leis de acordo com palpites?
Não é "cruzada" alguma, muito menos "imbecil". Trata-se apenas de facilitar um pouco a vida a uma percentagem apreciável da população que já sofre qb sem ter de levar com um Estado antagónico.
Que te façam confusão as inclinações sexuais e os projectos de vida dessa malata, tudo bem. Mas não te ponhas a invocar sacrossantos princípios éticos para disfarçar os teus preconceitos.

Está aqui um resumo de vários desses estudos, caso estejas interessado: http://www.cbsnews.com/stories/2005/10/12/health/webmd/main938234.shtml

E descupa as gralhas. É no que dá escrever a correr...

Obedece ao LR, Bernardo. Deixa de ter opinião. Que coisa impressionante, porra.

100% de acordo, Bernardo. Esta paneleirice começa a ser um despautério. Que inventem outra merda de nome para os maricas chamarem uns aos outros, florzinhas ou uma cena dessas. Agora começam entrar por terrenos perigosos.

Quando uma opinião se resume a "achar mal" um comportamento alheio, sem mais suporte que uma "ética" — pessoal e supostamente universal — começa a deixar de ser opinião. Começa mesmo a ser preconceito.

O que eu acho mal, pá, é que os termos mãe, pai, mulher e marido desapareçam da legislação. E isso já não tem a ver com o comportamento alheio.

Cúcio,

«O que eu acho mal, pá, é que os termos mãe, pai, mulher e marido desapareçam da legislação. E isso já não tem a ver com o comportamento alheio.»

Eu não saberia ser mais sintético. Entendes, Luis Rainha? Estou-me nas tintas para que se inventem mais mil formas de "união", que façam figuras legais para uniões de 2, 3, 4 pessoas, quero lá saber. E nos formulários que inventarem para essas novas formas de "família", façamo como quiserem, chamem aos campos "Progenitor 1", e no quadro legal a criar para barrigas de aluger, chamem-lhes "Procriadora A" e "Incubadora B", quero lá saber.
O que me irrita, e é isso que está aqui em questão, é a remoção, com objectivos ideológicos bem claros para quem ainda tem olhos, da legislação dos termos "antiquados" de "mãe", "pai", "maternidade", "paternidade", etc...
E se não vês isto, Luís, és um cínico.

Luís,

«Quanto à confusão que fará oou não às crianças crescerem num ambiente familiar onde os dois adultos são do mesmo género (a única preocuipação que me parece válida aqui)»

Se há crianças que sobrevivem em famílias monoparentais, eu acredito que a capacidade de adaptação das crianças é grande. Mesmo em contextos bizarros como os de "famílias alternativas", é evidente que muitas crianças conseguiriam atravessar a infância e adolescência sem grandes traumas.
Não é isso que me chateia. Cada qual educa os seus filhos como entende. Se um pai gay quer trazer o seu filho para a nova "família" que criar com o seu namorado, tudo bem. É o seu filho. Já me poderei chatear com leis que permitam a adopção de crianças, mas eu nem vou entrar por aí.
O que me irrita, e sobremaneira, é esta "kulturkampf" LGBT que se está a apoderar de tudo e de todos. Não se tratam dos meus fantasiosos "preconceitos homofóbicos", trata-se, isso sim dos preconceituosos actos heterofóbicos que invadem, lentamente, as legislações desta velha, pateta e cansada Europa...

Repito o que o Leopard já aqui citou; a proposta de lei em causa: "permitiendo de esta manera conservar los términos de «marido» y «mujer» o los de «padre» y «madre» para los supuestos de matrimonios o progenitores de sexo diferente". O que é que não entenderam disto?

Leopard,

«Isto é somente para abrir variantes, é que eles lá tem vários tipos de casamento.»

Eu não tinha a certeza, porque não tinha lido o texto original (facto que, obviamente, por honestidade, mencionei no meu post).
Agradeço o esclarecimento. Sendo assim, o caso muda de figura.
Mas um bocado de preocupação não faz mal a ninguém, neste ambiente hetero-hostil em que vivemos.
Um abraço,


Bernardo,

Essa obsessão com "cruzadas" imaginárias e com sinistros objectivos dos "outros" já deu pano para mangas. Espero que tenhas invocado tal argumento sem te lembrares dos antepassados recentes que esse truque tem.
Já viste que os termos tradicionais afinal se mantêm na Lei espanhola; onde está então a "heterofobia" de que te queixas? Mais uma vez: trata-se apenas e tão somente de facilitar um pouco a vida a quem por norma a tem bem difícil. Só isso.

Outra coisa: o que os estudos indicam, pelo menos a fazer fé na "homófila" CBS, não é que "muitas crianças conseguiriam atravessar a infância e adolescência sem grandes traumas". É sim que a circunstância de serem educados por casais do mesmo género parece não lhe fazer qualquer espécie de diferença.
Cito: "O vasto consenso de todos os estudos mostra que as crianças de pais do mesmo sexo ficam tão bem como crianças cujos pais são heterossexuais plenos".
Poderá não te agradar. Mas não deixa de ser a opinião de quem se dedica a investigar a questão a fundo.

http://www.boe.es/boe/dias/2006/03/09/pdfs/A09483-09484.pdf
Ok. ainda bem que muda, é que muitas vezes é assim que se propagam ideias erradas boatos e se alimentam preconceitos. Os termos pai, mãe, marido, mulher continuam a existir ao par de outros, cada um adapta a sua vida a esses conceitos só isso, não há extinção de uns para sermos todos iguais.

"O que me irrita, e sobremaneira, é esta "kulturkampf" LGBT que se está a apoderar de tudo e de todos. Não se tratam dos meus fantasiosos "preconceitos homofóbicos", trata-se, isso sim dos preconceituosos actos heterofóbicos"

Ainda não percebi como é que as medidas em questão nestes comentários podem ser consideradas de forma alguma heterofóbica. O que vejo (para pena minha) é uma enorme relutância em dar cidadania plena a certos grupos.

Pedro Fontela e Luís Rainha,

Respondo-vos aos dois porque estou numa tarde particularmente complicada, e tenho pouco tempo, e neste aspecto, os vossos comentários são semelhantes.

A minha posição é simples: não tenho qualquer relutância em dar "cidadania plena" a estes grupos. É absurdo acusar-me de xenofobia ou homofobia, porque não é isso que está em causa. Cada qual pode levar a sua vida como entender. O que está em causa é a mudança de interpretação, de abrangência e de significado de um conceito milenar, chamado "casamento" (reparem que eu nem uso a palavra católica "matrimónio", para tentar ser neutro).
Tudo se resume a isto: eu nada objectaria se se criassem novas figuras jurídicas (a união de facto foi um primeiro passo, mas pelos vistos, não era esse o objectivo LGBT) para abarcar novas formas de agrupamento de pessoas. Essa cidadania pode ser dada, com plenos direitos, desde que os termos e as designações não sejam distorcidas. Que mal haveria em criar uma figura de união entre dois homens ou duas mulheres, com os direitos que se concertassem, DESDE que isso não se chamasse "casamento"?
Será que me faço compreender?
O problema não é criar novas figuras legais para dar direitos de cidadania a grupos minoritários (se esse fosse o meu problema, a minha posição seria, realmente, homófoba, se eu não reconhecesse certos direitos como justos). O problema é a destruição (lenta mas segura) de um quadro mental e civilizacional, que é, no fundo, a estratégia LGBT militante, na qual são ajudados pelos tontos que, não sendo LGBT, a apoiam sem verem para onde ela vai.
A ideia nunca foi alargar o quadro de direitos à figura da união de facto (uma pseudo-conquista que nunca estava destinada a ser um objectivo concreto). A ideia sempre foi, depois de vencido o degrau da união de facto, assestar os canhões contra a palavra "casamento", e em geral, contra palavras como "marido" e "mulher", para, sobretudo, destruir o que eles representam.
Como um representante destes ideais "transformadores" disse aqui há dias, o objectivo deles é "abalar valores instituídos".
Quando estão bem-dispostos, estes militantes sabem falar com sobriedade, usando termos como "cidadania" e "direitos". Quando lhes foge a boca para a verdade, usam termos mais reveladores como "abalar valores instituídos".
Só não vê quem não quer...

Ó Bernardo desculpa la a minha intromissão, esse tema já foi discutido há tempos neste blog, não vale a pena repisar novamente só esclarecer um promenor que se calhar não levas em conta. Claro que tens razão o casamento tem um significado e passado que não deve ser confundido com estes casos novos casos de uniões . So que não estas a ver uma coisa essas pessoas é lhes indiferente a palavra, mas não lhes é indiferente o regime juridico patrimonial que disciplina os bens pessoais ou comuns e esse já esta definido para o conceito casamento, importa-se o nome para os outros casos? Ou inventa-se um novo nome mas o regime jurídico patrimonial fica a ser o mesmo para o casamento e para qualquer outra designação, porque tem que ser assim ou vai se fazer também leis patrimoniais especiais e regimes de bens para esses casos.
Não se pode ver a questão do casamento como pessoal somente

Eu estou a ver tudo bem, Leopard. Não quer isto dizer que eu não diga asneiras, mas normalmente penso um bocado antes de escrever.

Tu dizes:
"So que não estas a ver uma coisa essas pessoas é lhes indiferente a palavra, mas não lhes é indiferente o regime juridico patrimonial"

Se tivesses lido a minha mensagem com atenção, tinhas reparado que eu também concordei com isso.
Faça-se uma nova figura jurídica, com idêntico regime patrimonial, mas não se chame a isso "casamento", que não é! Eu não me opunha, neste caso...
Eu sei que já tinha falado no assunto, mas pelos vistos a minha posição ainda não tinha ficado bem clara..
Eu SÓ critico a distorção propositada de conceitos que estão por detrás de valores milenares, que alguns quantos estão fortemente empenhados em "abalar", que é para não dizer "destruír" ou "distorcer".

Há uns anos, seriam os judeus a querer dar cabo das nossas instituições, "assestando os canhões" contra o nosso santo modo de vida. Que tristeza, Bernardo; não vês mesmo o que estás a escrever?
O facto de eles quererem casar retira um só grama de importãncia, seriedade ou nobreza ao teu casamento? O simples facto de essa palavra agora poder englobar mais gente diminui o valor da instituição matrimonial em si?
Isso não faz qualquer espécie de sentido; e gostaria de saber como é que seria avaliada pela tua "Ética" a seguinte afirmação: "eles não podem ter uma coisa que eu tenho, senão a minha perde valor". Feio? Pois é.

Caro Bernardo, pelos vistos o «facto» inicial que suscitou o teu post não é facto. O que, desculparás - e dispenso certos excessos de linguajar com que outros te atingiram -, tem como inevitável consequência o enfraquecimento das deduções que dele, não-facto, extraías. Que eu não. Um abraço


Impossível Bernardo. O regime patrimonial do casamento só é aplicável a casamentos heterossexuais. Porque só este casamento é possível pela nossa lei, para isso teria que haver mudança na lei como fizeram nuestros hermanos e então sim poderia haver vários tipos casamentos, heteros, uniões, parcerias o que lhe quisessem chamar e todos com o mesmo regime. Mas assim não da porque a coisa foi tramada e bem tramada. Vai havendo algumas leis avulsas

A força da paneleiragem, ou falando políticamente correcto o "lobbie gay" (já ouviram falar nele, não?)tem uma força que só é igualada neste momento pelos media.
Tou-me nas tintas se casam dois, três ou quatro, e quantos são he, she ou maybe, mas este é mais um passo para daqui a alguns anos passar a ser legal a adopção entre eles.
O objectivo nítido é diluir o laço forte que é o laço pais/filhos e dar mais um passinho para nos tornarmos mais robóticos.
Quem é que advogava a separaçao dos filhos e dos pais para aqueles receberem a educação cxorrecta de modo a serem mais úteis à pátria?
Acertou! Hitler e Stalin.

Luís,

«Há uns anos, seriam os judeus a querer dar cabo das nossas instituições, "assestando os canhões" contra o nosso santo modo de vida.»

Será que vamos usar os judeus, e o nosso terror inato em sermos rotulados de antisemitas (ah, como este está na moda!), para considerar "conspiratórias" todas as preocupações que não sejam "politicamente correctas"?

Deixemos o antisemitismo no seu lugar, que não é para aqui chamado. Deixemos as teorias da conspiração no seu lugar. Eu estou a constatar uma tendência que é um facto, verificável pelas declarações que há pouco referi. Se há pessoas interessadas em "abalar" valores que para mim, como CIDADÃO (também sou, hã!), são fundamentais, e têm sido assim durante milénios, desde que a Humanidade se conhece como Humanidade, estou no meu direito de criticar. Será que posso, Luis Rainha?

«O facto de eles quererem casar retira um só grama de importãncia, seriedade ou nobreza ao teu casamento?»

Sim, para mim, retira toda a importância, seriedade, e nobreza do casamento, QUE NÃO É "meu"! É de todos. É da Humanidade.
Porque qualquer activista LGBT deve saber que só existe neste mundo graças à actividade sexual na modalidade "heterossexual" dos seus queridos paizinhos. E não é apenas uma questão de procriação. A face da Terra, a Civilização como a conhecemos, estaria bem diferente (mais animalesca, menos civilizada) se não fosse essa instituição verdadeiramente civilizadora chamada "casamento", que agora alguns pretendem "alargar" como se o conceito fosse alargável com a inserção de modalidades de vivência que NADA têm a ver com o casamento. Concordo que os direitos materiais devem ser equiparados, mas já vimos que para
estes activistas, essa não é a questão de fundo. A questão de fundo é conceptual, e diz muito sobre a nossa cultura e civilização o facto de tantas pessoas, incluindo tu, estarem perfeitamente tranquilos na aprovação de uma aberração conceptual. Diz muito sobre a falta de lucidez intelectual que está em voga nos tempos que correm, sobre a falta de noção civilizacional, sobre a falta de responsabilidade que temos para com os nossos antepassados, que nos legaram a Cultura em que
vivemos, e a falta de responsabilidade pela incoerência e desgoverno mental que iremos passar aos nossos descendentes!

«O simples facto de essa palavra agora poder englobar mais gente diminui o valor da instituição matrimonial em si?»

Não é uma questão de "diminuir". Num ponto de vista totalmente moderno e materialista, até aumenta! Porque passam a existir mais "casais"! É uma questão de distorcer. E distorce gravemente, na minha opinião.

«Isso não faz qualquer espécie de sentido»

Para ti.

«e gostaria de saber como é que seria avaliada pela tua "Ética" a seguinte afirmação: "eles não podem ter uma coisa que eu tenho, senão a minha perde valor". Feio? Pois é.»

Luís Rainha, pára de tentar contornar o problema. Lida com o problema de frente: o que é que "eles" querem, afinal? Querem apenas a palavrita! Querem poder mostrar o papelito a dizer "casamento"! Querem virar-se para um casal heterossexual e esfregar-lhes na cara o formulário do Registo Civil e dizer-lhes orgulhosamente: "Agora, somos como vocês!", ou pior ainda:

"Agora vocês são como nós!".
Não lhes chega um papelito (assumindo iguais direitos) a dizer "união de facto"?
Se meditares sobre esse desejo profundo, irás notar que esse desejo tem pouco a ver com direitos ou cidadania. Tem, sim, a ver com um profundo desejo irracional e emotivo de revolução social, com uma tendência que certas pessoas têm para procurar um fugitivo "progresso" naquilo que é apenas mudança cega, mudança pela mudança. Aquela mudança "porque sim"! Porque "abala os valores instituídos"!
Repito-te a pergunta, à laia de provocação: porque querem eles a palavra "casamento"? Porque não se ficam com outra palavra qualquer (eles que a escolham!) e iguais direitos aos do casamento?
Dizes-me que quero guardar "para mim" (como se a minha pessoa tivesse sequer alguma relevância nesta discussão) o termo "casamento"?
Meu caro...
Quero que a História do Futuro não marque os tempos presentes como aqueles nos quais se deitou para o lixo, em nome de falsos desejos de "direitos", o conceito basilar do Casamento, pedra fundamental da nossa Civilização.

Nota-se, sobretudo nos media, mas já nas bocas e nas cabeças das pessoas, o uso da expressão "casamento heterossexual". Esta expressão, em qualquer época da nossa História, seria um pleonasmo! Hoje em dia, as pessoas já se sentem obrigadas a completar a palavra "casamento" com o epíteto adequado à ocasião.

Tudo se sintetiza nisto: eles não têm os direitos como objectivo final, se bem que estes possam representar um degrau, uma etapa. Querem a palavra "Casamento". E há algo de irracional e niilista nesse desejo. Algo que se prende com uma vontade, por vezes escondida ou negada, de mudar a sociedade naquilo que ela tem de mais tradicional, no sentido central e estruturante do termo. Para outros activistas LGBT (mas não todos eles, sejamos justos), é também uma vontade de descristianizar a sociedade, mas isso levava-nos mais longe. Mas ninguém parece ver isto...

Luís, quando conduzes um carro, vais concentrado nos pneus, no asfalto à tua frente, ou por outro lado, procuras ver a curva lá ao fundo, o obstáculo distante, mas que se aproxima?

Nas minhas contestações, vistas por muitos como exageradas ou xenófobas, está uma tentativa de vislumbrar o futuro, uma tentativa de antever os erros que agora fazemos (e que agora parecem pequenos como os obstáculos o parecem para quem está ainda longe de os alcançar), enquanto ainda é tempo!

Para terminar, quando falei em "activistas LGBT", referi-me, sobretudo, a esses "revolucionários sociais" que querem distorcer uma palavra milenar, que atravessa culturas e povos diferentes. Não critiquei, nem sequer falei, naqueles homossexuais que apenas querem que os deixem viver a sua vida como entendem, na sua privacidade. Para esses homossexuais que, honestamente, procuram viver a sua homossexualidade legalmente, assumidamente, sem problemas, sem dificuldades nem injustiças sociais, deixo aqui expresso o meu desejo de que encontrem, nas alterações legislativas que se avizinham, a paz, a tranquilidade e a justiça social que procuram. Porque esses querem apenas viver como entendem, não procuram destruir a palavra Casamento, não querem queimar soutiens, não querem exibir os novos formulários do Registo Civil como troféus de guerra, não buscam guerras culturais...

O Xelb o laço pais filhos já onde é que ele vai, a partir do momento em que passaram a ser educados em creches, ser educados pela tv e pelos computadores, e só ter contacto com os pais a noite quando isso acontece. A introdução do conceito de família nuclear dos anos 60 70 deu cabo da família tradicional.

Bernardo,

Não estava a falar em termos gerais e grandiloquentes; estava mesmo a mencionar o teu casamento. Sentirás que ele vai ficar "sujo" ou desvalorizado no dia em que for estendido a pares do mesmo sexo, também em Portugal?
Mais uma vez, explanas a tua visão do casamento e equaciona-la com uma qualquer suposta verdade universal e civilizacional. Acaso pensarás que o casamento era o mesmo no tempo de Cristo? Ou que a nossa modalidade é única no mundo? Que egocentrismo sem limites.
Se calhar, "aberração conceptual", para um muçulmano, é a tua ideia de casamento monogâmico como único padrão "eticamente" aceitável.
Então agora temos que honrar os nossos antepassados, mantendo tudo como era antes? Mas "antes", quando, ao certo? Já agora, dava-me jeito voltar antes a um século qualquer onde o divórcio fosse mais simples: aos tempos de Moisés, por exempo. Por certo que tudo seria ainda mais puro e "tradicional" nessa altura! Que argumento insano.
Mas pior ainda é o resto: os homossexuais querem "esfregar-nos na cara" seja o que for? Meu caro: eles pagam impostos como nós, logo julgam-se, imagine-se, no direito de não querer que uns tenham direiro à tal "união de facto" e ao casamento, enquanto que eles ficam limitados à primeira. Sim, querem ter um tratamento igual. Isso é mau? É uma sinistra maquinação para rebentar com o nosso belo modo de vida? Por favor.
Mais: um casamento representa um contrato, a união de facto não; muitos, homossexuais ou não, querem estabelecê-lo face à sociedade, mas também como laço extra a solidificar a sua união com outro ser humano. E dizes que isto é mau? Um factor que pode contribuir, por pouco que seja, para a estabilidade de milhões de vidas? Eu, por acaso, quero casar; também podia satisfazer-me com a minha situação presente, mas desejo essa formalização, esse laço suplementar a ligar-me à pessoa com quem vivo. Porque será esse desejo bom em mim e mau num homossexual?

Depois vêm as coisas da "história do Futuro" e da "pedra basilar da Civilização". Mas dás-te conta do ridículo disso?
Mais uma vez: o Casamento já foi diferente. Vai ser diferente. Porque é da natureza humana construir instituições fluidas, que vão evoluindo, mudando, crescendo e, às vezes, até desaparecendo.

Qualquer dia, uns quaisquer militantes LGBT, mais todos os outros que defendem cegamente as suas aspirações, ainda vão querer ser considerados "heterossexuais", por considerarem o termo "homossexual" discriminatório.

Bernardo,

Estou de acordo com os comentários do Luís Rainha que tem muita razão em afirmar que é o auge da presunção afirmar que o modelo de casamento que hoje temos é algo exclusivo ou sem variantes ou alternativas.

Depois acho que tem uma visão altamente distorcida de que é um homossexual. Fala em conspirações, em vinganças em esfregar na cara em suma: em mesquinhez. Isto não é um episódio dos “x-files” Bernardo. A conspiração mundial contra o “tradicionalismo” não existe, o que existe são pessoas que exigem o que lhes é devido: igualdade. Igualdade essa que é negada por uma simples presunção de superioridade e exclusividade.

“O problema é a destruição (lenta mas segura) de um quadro mental e civilizacional...”

Ainda bem que alguns quadros mentais desaparecem, porque nunca foram grande ideia. O facto de algo ser “tradicional” não lhe confere valor.

Acho este parágrafo do LR um óptimo resumo: “Mais uma vez: o Casamento já foi diferente. Vai ser diferente. Porque é da natureza humana construir instituições fluidas, que vão evoluindo, mudando, crescendo e, às vezes, até desaparecendo.”

Peço desculpa por estos e outros erros ortográficos e de expressão mas o tempo não abunda,

"tem uma visão altamente distorcida de que é um homossexual"

"tem uma visão altamente distorcida do que é um homossexual"

Peço desculpa por estos e outros erros ortográficos e de expressão mas o tempo não abunda,

"tem uma visão altamente distorcida de que é um homossexual"

"tem uma visão altamente distorcida do que é um homossexual"

Tudo isto quer dizer que o Paquito vai ter de deixar de dizer ao Juanito: "anda cá ao papá"? E eles ficam-se?

Sempre que alguém afirma que dois e dois são quatro e um ignorante lhe responde que dois e dois são seis, surge um terceiro que, em prol da moderação e do diálogo, acaba por concluir que dois e dois são cinco...

Que serei eu, claro.

Sempre que alguém afirma que dois e dois são quatro e um ignorante lhe responde que dois e dois são seis, surge um terceiro que, em prol da moderação e do diálogo, acaba por concluir que dois e dois são cinco...

Pedro Cordeiro,

«Caro Bernardo, pelos vistos o «facto» inicial que suscitou o teu post não é facto.»

Pois bem sei, já fui disso mesmo avisado pelo nosso amigo Leopard. Sem ter tido acesso ao texto original, no final do post, deixei em aberto a possibilidade de isto não ser facto. Por isso, evidentemente, tens carrada de razão no que dizes, e reconheço-te a razão que reconheci ao Leopard quando ele me avisou disso mesmo.
No entanto, e como já é hábito nestes posts ;), a conversa tergiversou e já estamos num plano remotamente distante do ponto de partida.
A conversa dirigiu-se para a discussão da alteração do significado da palavra casamento, e nesse sentido, a suposta notícia que era objecto deste post ficou para trás.
Bolas, que isto está a ficar confuso...

Um abraço,

Maldita incompreensão...
Luís, eu sei que isto por escrito não é fácil, mas será assim tão difícil compreender uma merda que já escrevi aqui hoje dezenas de vezes?

«Mais: um casamento representa um contrato, a união de facto não;»

Bolas, faça-se da união de facto um contrato, faça-se com os mesmos direitos do casamento, faça-se o que se entender fazer, MAS... não se chame a isso casamento, porque casamento é uma coisa muito diferente.
Isto é assim tão complicado de compreender? Já o repeti mil vezes sem conta. Luís, é foleiro, no meio desta confusão toda, inventar coisas que eu não disse para reforçar o teu ponto de vista.

«E dizes que isto é mau?»

Não tenho nada contra isso, e no meu mega-comentário antes deste, deixei bem claro no parágrafo final que não me opunha de forma nenhuma a isso. Terei que repetir a porra do texto? És o profissional da leitura diagonal, pá! Queres que eu repita o que escrevi no final? Cá vai outra vez (pobre plataforma Weblog...):

«Para terminar, quando falei em "activistas LGBT", referi-me, sobretudo, a esses "revolucionários sociais" que querem distorcer uma palavra milenar, que atravessa culturas e povos diferentes. Não critiquei, nem sequer falei, naqueles homossexuais que apenas querem que os deixem viver a sua vida como entendem, na sua privacidade. Para esses homossexuais que, honestamente, procuram viver a sua homossexualidade legalmente, assumidamente, sem problemas, sem dificuldades nem injustiças sociais, deixo aqui expresso o meu desejo de que encontrem, nas alterações legislativas que se avizinham, a paz, a tranquilidade e a justiça social que procuram. Porque esses querem apenas viver como entendem, não procuram destruir a palavra Casamento, não querem queimar soutiens, não querem exibir os novos formulários do Registo Civil como troféus de guerra, não buscam guerras culturais...»

Em suma, façam os contratos que entenderem, que achem necessários para repor a justiça, para tapar a lacuna legislativa, mas não chamem a isso casamento!

Pedro Fontela,

Não tenho uma ideia distorcida do que é um homossexual. Recomendo-lhe a leitura do último comentário que deixei ao Luís Rainha. Espero que leia o que escrevi na horizontal, e não na diagonal como o Luís costuma ler. Verá que não sou falacioso, que não coloco os homossexuais todos no mesmo saco, o que seria de uma ignorância imbecil e gritante.
Detesto que me façam de parvo. Podem discordar de mim as vezes que entenderem, mas fazerem-me de parvo é uma coisa que me deixa sem vontade de debater. Os debates devem ser sérios, senão isto é uma perda de tempo.

Em suma: o que escrevi, e que o indignou, diz respeito aos que eu chamei "militantes LGBT", tendo o cuidado de especificar que se tratavam de pessoas mais interessadas, sobretudo, em "abalar valores instituídos". Foi nesse sentido que dirigi a minha crítica. É evidente que as minhas críticas não eram sobre "homossexuais" em geral, mas APENAS sobre as pessoas que adoptam tais medidas. Repare-se na incorrecção da sua observação: por "militantes LGBT" eu refiro-me tanto a hetero como a homossexuais, falo apenas de "militantes" que defendem o "abalar de valores instituídos" em nome dos novos "valores" LGBT.

«Igualdade essa que é negada por uma simples presunção de superioridade e exclusividade.»

Vou tentar ser simples:
1. Concordo com a atribuição de igualdade de direitos entre o casamento e as uniões homossexuais
2. Discordo com a atribuição de igualdade de designação entre o casamento e as uniões homossexuais: ou seja, estou contra o uso do termo "casamento" para designar as duas realidades, que são MANIFESTAMENTE DIFERENTES.

- Igualem-se os direitos: é uma questão de justiça.

-Mantenha-se o diferente o que É DIFERENTE: é uma questão de bom senso e razoabilidade.

Fiz-me entender?

Bernardo,

Eu li os comentários mas não apanhei neles a diferença entre uma casamento heterossexual ou homossexual. O facto de um ter sido instituído como medida legal há muito tempo e o outro nunca ter existido? (e não existiu porque a homossexualidade era criminalizada!!).

Não há crise. Porque se pensarem nos bancos de esperma e nas barrigas de aluguer, passaremos a ter o Progenitor X e o progenitor Y, que dão uma maior graça ainda à situação. E se for de Waco ou de outra seita, os progenitores são, o A, o chefe da seita, os Bês (azuis claros, como na anedota orweliana) todos os da comunidade.

Há cerca de 20 anos entrevistei uma das maiores figuras da Genética, o Professor Marcus Pembrey, de Londres. E quando lhe perguntei se os "desvarios" ou "possibilidades" da engenharia genética não poderiam alterar tudo, ele disse que confiava que a Humanidade continuasse a gostar de fazer as coisas com o gozo com que se faziam antigamente. Passados 20 anos, continuo a concordar com ele, mesmo que haja casos excêntricos.
Posto isto, declaro que sou a favor do casamento de homossexuais enquanto contrato civil e social de duas pessoas que se amam e que partilham lugares afectos e bens, mas que sou contra a adopção por homossexuais, pelo menos enquanto houver tantos casais hetero a querer adoptar. Das 20.000 crianças que estão nos alres, cerca de 250 foram adoptadas em 2005. É por aqui que se deve começar.
Desculpem a verborreia!
Mário

Bernardo,
desculpa lá, mas os teus argumentos resumem-se a uma coisa que é chamada "preconceito". Não lhe chamo homofobia, mas preconceito. E por muito que tentes corrigir o tiro em falso que serviu de ponto de partida para este post, não consegues fugir do preconceito.
O que chamas casamento como sendo um conceito milenar é na realidade o matrimónio católico. Se a tua linha de argumentação fosse tida em conta, isto é, a tradição, estarias a defender que a poligamia dos países árabes seria mais digna de se chamar casamento do que uma união entre homossexuais. Será?
P.S. Eu começo a temer a resposta a esta última pergunta ;-)

Pedro Fontela,

Isto não está nada fácil. Já não sei de que forma hei-de falar para que alguém compreenda.

«Eu li os comentários mas não apanhei neles a diferença entre uma casamento heterossexual ou homossexual.»

Eu não me importo, REPITO, não me importo coisa nenhuma com a criação de uma figura jurídica com iguais direitos ao casamento. Apenas me oponho a que se lhe chame casamento.
Ou seja, e já me repeti mil vezes, o meu problema está no aproveitamento indevido da palavra "casamento", com o puro objectivo de agravar uma já longa guerra cultural.
Continuo sem perceber que mal viria ao mundo em criar um tipo diferente de união (diferente no nome, EXACTAMENTE porque é diferente na sua natureza), com iguais direitos ao casamento.
Muitos passam por aqui e criticam, ninguém me responde a isto.
É triste...

Mário,

«Posto isto, declaro que sou a favor do casamento de homossexuais enquanto contrato civil e social de duas pessoas que se amam e que partilham lugares afectos e bens»

Eu também, DESDE que não se chame a essa união "casamento". Casamento é, e sempre foi, entre um homem e uma mulher. E já agora, para os engraçadinhos da praxe, falo na cultura ocidental. Acho que este debate não precisa da confusão adicional de fazer entrar a poligamia (que eu rejeito, obviamente).

«mas que sou contra a adopção por homossexuais, pelo menos enquanto houver tantos casais hetero a querer adoptar.»

Mário, evidentemente, também sou contra. Isto não serve como argumento, mas eu acredito sinceramente que, com estas medidas legislativas tão confusas nos termos, é para aí que caminhamos...

Jorge,

"Long time no see!" ;)

«desculpa lá, mas os teus argumentos resumem-se a uma coisa que é chamada "preconceito"»

Eu desculpo-te o que tu quiseres. Mas não, não se trata de preconceito. O preconceito é uma ideia pré-determinada sobre um tema ou um assunto, sem que tenha existido lugar a busca de informação, maturação de ideias, raciocínio, procura de conclusões, etc...
Ora eu penso que, mesmo mal conduzido porque ninguém é perfeito, eu passei por este processo.
Por isso, podes chamar-lhe "opinião do Bernardo", mas não lhe chames "preconceito do Bernardo", porque isso é totalmente falso e injusto.

«Não lhe chamo homofobia, mas preconceito.»

É o mesmo. A mudança de grau de intensidade não muda a natureza da tua apreciação.

«E por muito que tentes corrigir o tiro em falso que serviu de ponto de partida para este post»

Ora bolas, até parece que todos falam como se eu tivesse sido desonesto! A blogosfera está inundada de boatos apresentados como factos, e eu faço um post sobre um boato (que não tive tempo para aprofundar), mas eu ESCREVO que se pode tratar de um boato. Até posso tomar isto como um elogio, no sentido em que quem me lê julga que eu fiz uma boa pesquisa! Nem sempre é assim! Jorge, sabes quanto tempo despendi neste post? Menos de 5 minutos. Também me dá gozo, de vez em quando, fazer posts estilo "boca", para ver a reacção das pessoas. Não me parece existir desonestidade, porque eu indico CLARAMENTE que não acedi ao texto original do BOE, porque recebi a notícia de raspão e por via indirecta. Isso não tira valor absolutamente nenhum à discussão que se seguiu, relativa já não ao post, mas à natureza do casamento e à sua equiparação à união homossexual. Continuo sem ver, numa discussão que saiu do tema deste post, de que forma é que a falsidade da notícia inviabiliza a discussão que se seguiu...

«O que chamas casamento como sendo um conceito milenar é na realidade o matrimónio católico.»

Enganas-te redondamente. O catolicismo não é para aqui chamado. Isso é uma falácia. Achas que apenas os católicos partilham da minha opinião? Estás a querer transformar, como qualquer vulgar falácia, esta complexa questão em católicos vs. não católicos. Isso é falso a partir do momento em que existam pessoas que partilhem da minha opinião, não sendo católicos.

«Se a tua linha de argumentação fosse tida em conta, isto é, a tradição, estarias a defender que a poligamia dos países árabes seria mais digna de se chamar casamento do que uma união entre homossexuais. Será?»

O que queres dizer com "mais digna"? Há limites para as comparações. É escusado procurar estabelecer comparações dessas quando o fosso cultural é tão grande. Eu não aprovo a poligamia como forma saudável de vivência familiar. Contudo, no contexto árabe, certas condicionantes propiciaram a poligamia como forma de organização social da família. Fora desse contexto, a discussão perde validade. Como nao sou arabista, evito pronunciar-me demais sobre temas que não conheço em profundidade. Não entendo porque é que a poligamia árabe tem que ser chamada para esta discussão, que versa apenas num ponto fundamental: a distorção da palavra casamento no contexto cultural ocidental.

O casamento, quando não é celebrado por uma religião, é um contrato, para todos os efeitos. Homossexual ou não, um contrato é um contrato.
Na adopção, normalmente, uma criança deseja ser adoptada por um pai e uma mãe. A maioria da sociedade está organizada desta forma, não adianta negar. Obrigar uma criança a ser adoptada por homossexuais não me parece ético, e o Mário Carneiro tem razão ao afirmar que existem dezenas de casais hetero que esperam anos para conseguir adoptar um criança. A prioridade deve ser deles. Mas mesmo assim, coloco muitas reticências à adopção por homossexuais, e não me vejo como uma pessoa muito preconceituosa. Eu não gostaria de ter sido adoptada por um casal homossexual e é escusado afirmar que uma criança que for habituada a isso acaba por aceitar, não me parece que seja verdade. A menos que seja homossexual, e mesmo assim...

«O casamento, quando não é celebrado por uma religião, é um contrato, para todos os efeitos.»

OK, Hope, concordo contigo. E já o disse. Mas esse tal contrato não pode ter outro nome que não "casamento"? Grato pela resposta...

«A maioria da sociedade está organizada desta forma, não adianta negar.»

Ainda bem que não adianta! ;)

«Obrigar uma criança a ser adoptada por homossexuais não me parece ético, e o Mário Carneiro tem razão ao afirmar que existem dezenas de casais hetero que esperam anos para conseguir adoptar um criança.»

Eu também não acho ético, mas isso deve ser a minha "Ética" pessoal a mandar no mundo... ;)

«Mas mesmo assim, coloco muitas reticências à adopção por homossexuais, e não me vejo como uma pessoa muito preconceituosa.»

Tocaste na ferida, Hope. Hoje em dia, há certos assuntos sobre os quais não se deve discordar do "status quo", não se pode ter uma opinião contrária ao "politicamente correcto". Se o fizeres, serás rotulada de "preconceituosa".
Um exemplo bom é a questão da Democracia. Hoje em dia, não se pode contestar a validade da Democracia como "a última palavra em organização social", porque se o fizermos vão-nos chamar de "fascistas" ou de "teocráticos" ou de "ditatoriais".

«Eu não gostaria de ter sido adoptada por um casal homossexual»

Eu seguramente que não!! ;)

«e é escusado afirmar que uma criança que for habituada a isso acaba por aceitar, não me parece que seja verdade.»

Aqui discordamos.
Acho que uma criança que nasça numa família homossexual, quase sempre, irá habituar-se a isso, com ou sem sequelas (não é garantido que existam sempre sequelas, ou sequer que existam frequentemente sequelas). Não quer isso dizer que a adopção em causa passe, pelo facto de a criança se adaptar, a ser automaticamente uma coisa ética.

Bernardo, desculpa lá mas há alguma contradição nos teus argumentos. Constatação minha talvez.
Por um lado aceitas, não sei se defendes, mas não podes defender, que haja liberdade de haver outras designações para uniões parcerias etc o que lhe quiserem chamar.
Isso implica a adopção de novos conceitos para novas realidades familiares de modo que cada um organiza ou adapta a sua vida a esses conceitos. Até aqui de acordo.novas realidades sociais criem-se novos conceitos jurídicos mas não se use a designação casamento.
No entanto nos países que assim já procederam e deram esses passos, foram criadas essas tais novas designações para novas realidades convivendo a par das anteriores, de modo a todos saírem satisfeitos, pai mãe, marido mulher, progenitor (a) etc. e este o tema que deu origem ao post serviu para o Bernardo zurzir nessa tal legislação que cria novas designações, e isto passa-se no estrangeiro como seria se fosse dentro de portas?
Não há qualquer querer aproveitar a palavra casamento. Simplesmente na nossa lei é a única que tem um regime jurídico completo que satisfaz interesses pessoais e patrimoniais, a falta de outra usam analogamente esta. O Bernardo acha que deve haver outros nomes para isso eu de acordo, mas o Bernardo apoiaria tal legislação? Não é uma questão de apoiar no fundo mas desde que não prejudique em nada o nosso conceito e regime tradicional de casamento é uma questão de reconhecer liberdade e cidadania aos outros de defender os seus interesses. Então porque critica as de outros países que já fizeram isso?
Quanto a adopção é claro que não pode haver, não por uma questão de legalidade, mas porque extravasa a esfera de duas pessoas adultas de viverem como querem a sua vida e inserem uma terceira pessoa nesse meio com uma personalidade em desenvolvimento e pode ser prejudicada do ponto de vista desse desenvolvimento. Só tenho esta rejeição a opor, pois por uma questão de proporcionar bem estar, conforto ou carinho não me atrevo a fazer comparações, pelos recentes casos da comunicação social que se tem visto em relação a crianças maltratadas por casais heterossexuais.
O Tema do post tem razão de ser, por uma simples questão de que caminhamos de há longos anos para uma sociedade multicultural, multisocial com permanentes transformações, quando uma professora pergunta a um aluno(a) pelos pais(?) Já terá que equacionar esta designação pois o conceito clássico que vinha logo a mente pode não corresponder a realidade familiar.
cumprimnetos

Bernardo,
ando sem tempo, um dia destes alisto-me nos bloggers anónimos ;-)
O preconceito referia-se apenas à parte da tua aversão a chamar-se "casamento" não a qualquer juízo de valor sobre o que pensas sobre a homossexualidade. Aqui peço eu desculpas por não me ter explicado melhor. O que eu queria dizer é que o conceito de "casamento" como o descreves, é o católico. É óbvio que não são apenas os católicos que se casam, mas o princípio 1 homem + 1 mulher = filhos é o casamento católico. Eu chamei o casamento árabe, que também se chama casamento, para contrapor ao que dizes. O casamento assume a forma que a constituição de um país dita. No nosso caso, tal resultou do facto de Portugal ser um país de raízes católicas. Mas um estado pode mudar as tradições, quando elas já não se adequam à situação actual. Um dos exemplos fundamentais, por exemplo, foi o fim da discriminação dos filhos fora do casamento. Quanto a chamar-se ou não casamento, eu prefiro que se chame casamento por simplificação, desde que signifiquem a mesma coisa, isto é, exactamente os mesmo direito, incluindo os filhos. Para quê chamar-se nomes diferentes, se são a mesma coisa?
Quanto à adopção, o problema não é ser homossexual ou não. O problema é saber se os pais (no sentido inglês de parents, sem distinção) estão preparados para o ser, sejam ou não homossexuais. Quem avalia é que deve verificar se aquele casal tem capacidade para fazer aquela criança feliz, dar-lhe uma vida normal (e aqui o normal é sem qualquer preconceito, um casal heterossexual pode adoptar uma criança que vam a ser homossexual, e vice-versa), e detectar se os motivos que levam à adopção são legítimos, independentemente de serem ou não heterossexuais. Se pensarmos "mas será que em Portugal se vai saber lidar com este assunto?" já é outra conversa, mas isso é tema para outro post ;-)

Ui, Leopard, vamos manter isto mais ou menos claro. Peço isto a todos, antes de escreverem mais qualquer comentário (eu preciso de trabalhar!), parem um pouco para respirar.

Eu parti, com este post, com base num boato, que me chegou via email de uma fonte à qual dou credibilidade, porque não costuma falhar, que dizia que em Espanha, as designações "pai" e "mãe" teriam desaparecido, dando lugar a novos termos. Afinal, tal notícia era falsa, um exagero, porque os termos clássicos não teriam desaparecido. Teriam, isso sim, sido criados novos termos para as novas figuras. Sendo assim, e eu já lhe tinha dado razão logo no início (você é que me apontou o erro da notícia), eu nada tenho a objectar.
Como vê, não há qualquer incoerência. Eu teria ficado melindrado, isso sim, se as palavras clássicas "mãe" e "pai" tivessem desaparecido de vez, do mesmo modo que fico melindrado com o uso da palavra "casamento" para outros fins, mesmo que estes possam existir legitimamente e de pleno direito.
Tentemos evitar confusões, e não inventemos contradições onde elas não existem.

É sempre um contrato Bernardo. Pode também ser uma vinculação oficial do amor que os une, mas é sempre um contrato legal.

O miúdo pode "habituar-se" a ter pais homossexuais mas sente-se sempre "diferente" e penalizado por lhe faltar a "outra" parte nos vínculos mais próximos. Já basta em muitos casos não conseguir fugir ao "ser diferente", quanto mais "obrigar" alguém a "habituar-se" a isso. Sou muito sensível em relação às crianças e ao que sofrem por certas situações bem menos problemáticas, nem quero imaginar o que poderão vir a sentir nesses casos. "Brincar" com a vida das crianças dessa forma, tipo experiência social, parece-me um pouco demais.

Desculpa, não respondi directamente à pergunta. Sim, é um casamento. Quantos casamentos não foram celebrados sem que os casais sequer se conhecessem, a não ser na celebração? Se a religião o permitir, se a lei o permitir, o princípio é o mesmo, a forma é que muda.

Jorge,

O casamento entre um homem e uma mulher está suficientemente vulgarizado há muitos séculos. É absurdo dizeres que é por ser católico. Pode-se dizer, com toda a justiça e clareza, que o catolicismo não inventou nada de novo no que diz respeito à forma física e concreta de constituir família. Visto que a união homossexual, pela sua natureza intrínseca, é estéril, nunca foi considerada uma forma social vital ou essencial para qualquer raça. Já a poligamia, mantendo-se fecunda, foi, em certos casos, legitimada. Mas isso não faz da união heterossexual uma invenção do catolicismo!
Jorge, dás-te conta do que escreveste?
Caramba, eu sou católico, mas não me atrevo a dizer que a minha religião inventou o marido e a mulher!

«Quanto a chamar-se ou não casamento, eu prefiro que se chame casamento por simplificação, desde que signifiquem a mesma coisa,»

Não significam.

"isto é, exactamente os mesmo direito"

Porque é que se há-de confudir direito com natureza? Um exemplo: eu sou adulto, tenho direito a votar, por isso sou eleitor. Uma mulher adulta também tem direito a votar, por isso é eleitora. Mas eu não sou mulher, uma mulher não é homem. Usamos palavras diferentes para conceitos e entidades diferentes, mas temos os mesmos direitos. Estás a ver a grande diferença entre os direitos (que podem ser partilhados por entidades ou conceitos diferentes) e a (suposta) igualdade dos seus portadores?
Um casal heterossexual é radicalmente diferente de um casal homossexual (é o exacto oposto). Podem ter os mesmos direitos, mas a união, em cada um dos casos, é de natureza radicalmente diferente (é mesmo de natureza exactamente oposta, por definição).
Vou mais longe: porque é que se usam palavras como "homossexual" e "heterossexual"? Usamo-las para distinguir realidades diferentes. É só isso o que eu peço.
Um abraço,

Ó LR, desculpa lá, mas esse estudo é surrealista ;)

Blue,

Eu não sei se o resto do mundo está calado, e não comenta, porque também discorda de mim. Será que sou o único por estas bandas que ainda pensa assim?
Não discuto que se trate, em ambos os casos, de contratos.
O que discuto é que se diga que são coisas com princípios idênticos. Muda o princípio e a forma. Na civilização ocidental, casamento é a união de um homem com uma mulher, com vista a constituir uma família. Se os tempos mudaram, e se vamos dar legitimidade (que não discuto) a uniões homossexuais, não vejo o problema de se inventar um termo novo. Fazem-se neologismos todos os dias. A vontade em usar o mesmo termo é uma pura teimosia. Se usamos termos idênticos para realidades distintas, não será isso uma perversão da linguagem?
Hope, repara como tu e quase todos aqui caem neste alçapão:

1. Todos têm imenso cuidado, nas suas conversas, em falar de "casais heterossexuais" e de "casais homossexuais".

2. Ora bolas, por essa lógica, porque é que se usaria a palavra "hetero-" ou "homo-"? Se se tratam de uniões iguais, porque não falar apenas em "casais"?

O nosso cérebro prega-nos partidas destas a toda a hora, Hope. Mesmo sem nos darmos conta, o nosso cérebro cataloga um casal homossexual numa caixinha, e um casal heterossexual noutra caixinha. E isso é normal: por muito que queiramos ser "politicamente correctos", o nosso cérebro sabe bem ver as diferenças que todos negam. Por isso, temos tanto cuidado em adjectivar correctamente a palavra "casal". Por isso, é abusivo manter a mesma palavra para uma realidade que todos (mesmo que por vezes apenas inconscientemente) acabamos por considerar como diferente.

ao que chega o liberalismo...

Está bem. Então vamos a sugestões:
Pela lógica temos,
Casal - dois entes de sexo oposto
Dupla - dois entes do mesmo sexo
Casamento - Ligação religiosa ou oficial de um casal
Duplamento - Ligação religiosa (pois não sei se existe alguma religião que o permita...) ou oficial de uma dupla

Está bom assim? ;)

Agora é só fazer a proposta ao ministério do interior (salvo erro) ou aos grupos parlamentares.

Bernardo,
agora estás a deturpar o que eu disse. O que eu disse é que um casamento de um único homem com uma única mulher e daí resultam os filhos é a concepção católica. Depois há as outras concepções (que até podem ser iguais). E a questão que levantas da esterilidade é interessante, pois era motivo para anular casamentos ou para, como Abrãao (se não estou em erro), legitimar segundas mulheres (mas que também não era a mesma coisa). Mas aí dava para levantarmos a questão se um casal em que um dos elementos é estéril, ou já está numa idade em que não pode ter filhos, já não se pode casar. Acho que não vale a pena ir por aí.
Quanto ao exemplo que deste do voto, foi um mau exemplo, pois o voto das mulheres foi conquistado após muita luta e muitos argumentos contra (como acontece agora com o casamento homossexual). E se tu és homem, e uma mulher é uma mulher, ambos são "eleitores", porque os votos valem o mesmo, não se criou um conceito diferente para o voto feminino apenas porque o voto masculino tinha mais tradição. Pelas diferenças que defendes, quando foi permitido que as mulheres votassem, talvez os homens, por tradição, devessem "votar", e as mulheres, porque não era a mesma coisa, devessem "emitir, por aposição de uma cruz num quadrado, a sua opinião", afinal não era a mesma coisa (esta última parte pode parecer irónica, mas na altura em que foi garantido o direito de voto às mulheres não seria).

"Eu não sei se o resto do mundo está calado, e não comenta, porque também discorda de mim. Será que sou o único por estas bandas que ainda pensa assim?"

Népias. Mas quando te defendes tão bem, resta-nos aos outros apenas ler-te. Escrever idiotices ou pleonasmos daquilo que dizes melhor é escusado.

Vai-te a eles!! (lol)

Luis Dias,

Nem imaginas o reconfortante que é ler palavras como as tuas... As pessoas que concordam não deveriam ficar caladas! Às vezes, são tantos a "dar-me na cabeça" que chego a duvidar da minha própria sanidade mental.
Um abraço,

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