Todos os impérios têm um fim

Para mim, a notícia da noite não foi o "Porto Campeão" (parabéns aos tripeiros! - mereceram), mas saber que o Império vai fechar.
A última noite é no dia 14 de Maio. Depois... será mais um restaurante de uma cadeia de fast-food.
Felizmente o IPPAR proíbiu a demolição dos painéis, das esculturas e dos tijolos que caracterizam aquele lugar (e que, por acaso, já precisava de uma remodelação).
Mas assim acabam 50 anos de bifes, batatas fritas, molho e canecas.
Dentro em pouco não haverá lugares onde, sem sabor a plástico, poderemos alegre e gostosamente entupir as artérias, alimentar o colesterol, encher os adipocitos e maltratar um bocadinho mais o fígado. E conversar com os amigos, confraternizar com a família ou curtir a solidão.
Todos ao Império no dia 14 de Maio, para uma "última ceia"?
É na Almirante Reis, mesmo ao lado da Alameda, para quem (quem?) não saiba...

Comentários
"...eu só nunca compreendi porque é que teimavam que o Homem descendia do Macaco e ninguém se entretinha a demonstrar que o Macaco descendia do Homem e o Comuna do Macaco. Se uma raça pode ser o aperfeiçoamento de outra, também pode ser a sua degenerescência" – Quitéria Barbuda in, "De Vermelho os Macacos só têm o cu", Tese de Mestrado sobre os Babuínos, Edições RIAPA, 1999.
afixado por: Tenente Proveta | abril 22, 2006 11:51 PM
Mais um lugar de referência da história citadina e urbana de Lisboa que se perde.
A pouco e pouco a identidade e o espírito alfacinhas vão-se desvanecendo...
Será o preço da globalização que os lisboetas têm que pagar ?
As nossas memórias vão-se apagando, paultina mas seguramente,sem retorno...
afixado por: pedro silva | abril 23, 2006 09:10 PM
e tu descendes do quê? do macaco não deve ser...são demasiado inteligentes para serem comparados com uma pessoa que tem tal intervenção que além de despropositada é particularmente idiota!
afixado por: Rendinhas e Veneno | abril 24, 2006 12:53 PM
Quando mostram essa carninha e almentam o desaparecimento de sitios onde se continue a comer bem e à portuguesa (sem comida de plástico) apenas me ocorre lembrar aos portugueses que, enquanto houver vitela mirandesa e a GABRIELA de Sendim continuar a existir, não chorem pelo que desapareceu mas tão só por nunca lá terem comido uma POSTA À MIRANDESA. Que povo é este que nem sequer se conhece a si mesmo?
afixado por: Mirandês | abril 24, 2006 02:15 PM
E por coincidência e por fim de impérios, a forma destes pedaços de carne lembram o mapa da américa latina, onde ficava uma parte do nosso império.
A gente habitua-se
afixado por: leopard | abril 24, 2006 06:09 PM