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Carreiras

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Com a actual crise no mercado de trabalho, urge apresentar alternativas de carreira aos que a têm suspensa (à carreira, seus badalhuecos).
Ao mesmo tempo, alastra em Portugal o fenómeno do parolismo, o que todos fingem ignorar, com excepção da comunicação social, indústria discográfica, e candidatos ao exercício do poder político em período de campanha.

Temos assim, uma fracção considerável da população perfeitamente votada ao abandono, sem qualquer instituição que os apoie, sem uma linha directa à qual possam recorrer num momento de aflição, nem um comissário ou provedor qualquer que zele pelos seus interesses. Em simultâneo, uma taxa de desempregados a raiar os 10%.

Crie-se então o parolo officer, adaptação à realidade nacional dos parole officer, indivíduos que, nos states se dedicam a fazer queixinhas quando a rapaziada da condicional pisa o risco. Nós por cá não precisamos disso para nada, damos antes uma peça de bijutaria chipada àqueles que devem ser controlados, mas cuja perigosidade não justifica a preventiva.

Já os parolos, esses sim carecem de acompanhamento pemanente e personalizado. Precisam de atenção.
O parolo officer poderia desempenhar funções de grande relevância social e humanitária, de inegável utilidade.
Já repararam certamente naqueles indivíduos que vagueiam sozinhos pelas ruas aos domingos, passo lento e olhar em paralelo infinito. O officer podia, por exemplo, encaminhá-los para o complexo comercial mais próximo, a fim de promover a sua socialização com os da sua espécie, quer através da participação em animadas procissões rente às montras, ou da sua encarceração no ponto obrigatório de paragem no movimento migratório do parolo domingueiro, o cinema do shopping. E ficava assegurada a integração.

Caberia ainda ao officer a correcção de gestos técnicos deficientemente executados, sob a óptica paroleira. A título de exemplo, cite-se a forma de dialogar. Parolo que se preze nunca apresenta registos vocais abaixo dos 75 decibéis. Fala normalmente acima dos 90, ultrapassando os 110 quando ao telemóvel, sendo porém tolerados desvios, até um máximo de 20%, para momentos íntimos, uma vez que tal marca assegura a sua audibilidade nas moradias dos vizinhos.

Outra das ocasiões em que se tornam mais visíveis as lacunas dos menos rodados na área do parolismo é o da entrada nas lojas. É imprescindível para o parolo, a permanência junto à porta, por período não inferior a dois minutos, geralmente em animada cavaqueira com a respectiva parola e/ou mini-parolos, impedindo a entrada ou saída dos demais do estabelecimento em causa. Para estimular a competiitividade e o apuramento da espécie, aos que conseguissem ficar indiferentes aos pedidos de "có'licença" que lhe fossem dirigidos, o officer atribuiria o parolo de honra ou galardão semelhante.

Como a taxa de inflação paroleira não dá sinais de abrandamento, daqui resultaria seguramente uma redução significativa e sustentada do número de desempregados.

O funcionamento do sistema, seria garantido pelo somatário do que se deixava de gastar em subsídio de desemprego com as avultadas coimas a aplicar aos parolos desertores ou refractários. Mão pesada dos officers para todos os que fossem apanhados sem uma cassetezinha do Dino Meira no carro, ou que na inspecção ao domicílio não demonstrassem ter o quadro do puto chorão em local de destaque, ou dois terços do exterior da vivenda coberto com azulejos hipnóticos ou psicadélicos.

Salvamos uma espécie e acabamos com o desemprego. Política sócio-ecológica!! Estamos à espera de quê ?

Comentários

E os parolos condutores de domingo? Aqules que só tiram a cobertura do carro ao fim de semana para ir buscar batatas à santa terrinha e depois circulam a 45 à hora na A1? Deveria haver escolta para eles...

"Temos assim, uma fracção considerável da população perfeitamente votada ao abandono, sem qualquer instituição que os apoie, sem uma linha directa à qual possam recorrer num momento de aflição, nem um comissário ou provedor qualquer que zele pelos seus interesses. Em simultâneo, uma taxa de desempregados a raiar os 10%."

E para quando uma valente varridela nos organismos de assistência social e de apoio aos jovens? Verdadeiros parasitas, na sua maioria, a receberem verbas gastas em acções para "inglês ver".

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