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Eu cá é mais bolos

croissant
A razão do insucesso de qualquer negócio em Portugal está relacionado com aquilo que costumo designar pelo «síndrome do croissant», uma derivada da famosa expressão «onde mija um português, mijam logo dois ou três».
O «síndrome do croissant» tem o seu início e o seu fim em meados dos anos 80, no século passado, altura em que muitos dos leitores deste blog se preparavam diligentemente para nascer.
Antes dos anos 80 não existiam croissants, imaginem vocês. As pastelarias exibiam orgulhosas duchéses, coriáceas bolas de berlim, empertigados ecláires, esbeltos pastéis de nata, abnegados jesuítas, e muitos outros docinhos que apaziguavam a gulodice bovina de muita gente. A palavra snack ainda não fazia parte da vida dos mamíferos daquele tempo.
Então, surgido do nada, ou provavelmente surgido do empreendorismo de um emigrante da bidon ville (que é praticamente a mesma coisa que nada) surge a primeira croissanterie - assim mesmo, em estrangeiro para parecer mais fino. Ávidos por tudo aquilo que vinha do estrangeiro, na boa tradição do provincianismo nacional, os portugueses acorreram em massa. E o sucesso da primeira croissanteria foi tão grande que, num curto espaço de tempo, o país se transformou numa imensa croissanterie. Era impossível descobrir uma pastelaria. Porta sim porta sim, as croissanterias espalharam-se como um ébola desvairado, por todo o país, ameaçando a sobrevivência do queque e do mil folhas. Cidades houve em que surgiu a «rua das croissanterias». Os portugueses atafulhavam-se de croissants como se não houvesse amanhã.
E de repente, cerca de 5 anos depois da croissanteria original, acabaram tão rapidamente como tinham começado. Tipo dinossauros. A razão: não havia mercado para tanta oferta - estava descoberto o «síndrome do croissant».
Curiosamente, os pequenos empresários portugueses não aprenderam nada e, hoje em dia, o país apresenta um número absurdo de falências que está directamente relacionado com este fenómeno.
Em Portugal, a maneira mais rápida de atingir a falência é ter uma boa ideia lucrativa, que só vai ser lucrativa nos primeiros meses porque será selvaticamente copiada até à exaustão: videoclubes; lojas de posters; ginásios; casas de frangos; lojas de artesanato; restaurantes; cibercafés; etc.
Conclusão: tudo tem de dar lucro no muito curto prazo, um princípio que não é nada saudável para o futuro económico, quer do negócio, quer do país

[Humor Negro]

Comentários

Eu cá é mais torradas ;)

Muito bem visto!

eu diria que o futuro não só não é saudável mas também é negro *r*....mas não lhe chamaria o síndroma do croissant...afinal síndroma é uma hipótese de doença...uma doença que ainda não foi submetida a verdadeira análise científica...e esta pelos vistos foi explorada até à exaustão.... eu por mim sou mais brioches, sou eu e a Maria Antonieta

Ora ai esta um problema danado, hoje em dia tudo tem que ser instantâneo e imediato, não há tempo para esperas. Um negocio é para enriquecer rapidamente não é um modo de vida, uma actividade para a vida como antigamente. O dinheiro tem que começar logo a jorrar, para uma vivenda, um bom carro, ferias no estrangeiro, dar nas vistas, etc.
O emprego igualmente deixou de ser uma esperança e uma actividade para a vida quando se está velho aos 40 a única solução é enriquecer entre os 30/40 para depois não ser tarde.
Já que se falou em empresários portugueses
Há tempos li um texto do empresário português típico. que é assim, acho que já esta ultrapassado hoje em dia é mais gestores.

(“O típico empresário português: Homem de baixa estatura e excesso de peso. Na escola nunca foi bom aluno, tendo conseguido concluir a escolaridade primária apenas porque subornou o colega do lado. Já de adulto começou por ser empregado de balcão ou ajudante de trolha. Vigarista convicto, ninguém nas redondezas consegue explicar as razões do seu sucesso. Gosta de enormes vivendas bem hollywoodescas. Tem várias espalhadas pelo país e uma outra no Brasil, onde vai com os amigos em viagens de negócios. Na garagem, um carro para cada elemento da família e dois para ele. Ele gosta particularmente do Mercedes classe S, trocou o Land Rover pelo último jipe da BMW. A excelentíssima esposa tem um classe A. Os filhos estudam no ensino superior nesses institutos que proliferam por esse país. Têm ambos bons carros e gostam de roupa de marca, no entanto, os dois recebem bolsas de estudo. O pai declara-se empregado da fábrica a receber 400€ por mês e a mãe é dona de casa. Ele veste amarelo Gant ou vermelho Paul & Shark. Gosta de sair à noite beber uns copos com os amigos, o jogo é um vício. Conhece as partes intimas de todas as meninas brasileiras do distrito. Tem duas amantes. Uma jovem, separada e mãe de 3 filhos, que ele sustenta porque já não sabe se os filhos são dele ou doutro. A outra amante é a cabeleireira, onde a esposa derrete milhares de euros por mês. Na fábrica ninguém gosta dele. É excessivamente autoritário e paga mal e a más horas. Está convicto de que mais cedo ou mais tarde vai poder trocar os empregados portugueses por ucranianos e moldavos de forma a poupar mais uns cobres. Há 20 anos que não investe nem em equipamento nem na formação dos empregados. Julga que a “fonte” nunca vai secar. No entanto, se isso acontecer, sair-se-á sempre bem. Nada está em nome dele e liquidez financeira apresenta pouca. No café gosta de fazer revelações bombásticas, de forma a chamar a atenção de todos. Afirma que a esposa tem mais de cem vestidos, 300 pares de sapatos, e vai 2 vezes por semana à cabeleireira. Afirma que gosta de comer bem e beber bom vinho. Está a pensar comprar um Jaguar cujo modelo terá de ser importado. No carnaval vai em negócios ao brasil e na páscoa receberá a visita de um grupo de empresários japoneses dispostos a darem milhões pela velha fábrica. Apesar da sua aparente riqueza, afirma sem qualquer problemas que burla o estado à fartazana e nunca teve problemas por isso. Aliás, dá-se muito bem com o “chefe da repartição de finanças”, que lhe garante que tudo está dentro da legalidade.”)

do que te foste lembrar, e não é que foi mesmo assim??, ainda me lembro de croissants com linguiça numa das 1ªas croissanterias de Portugal, no Campo Pequeno.
Mas a metáfora resulta em cheio.

Bem Leopard....esse texto está demais....não sei onde foste desencantar esse texto mas é a carinha chapada de muita gente aqui da zona onde vivo....aqui essa "figurinha" mantem-se

Leopard, você não poderia estar mais certo sobre tudo, é uma pena que sempre acabam vindo a um Brasil que permite tipos como esse saquear desde riquezas naturais até a dignidade de muita ignorante,em relação ao acesso a cultura elaborada. Infelizmente, no mundo, há muitos desse tipo desavisado ao não perceber as transformações sociais em volta de si achando que o seu dinheiro compra tudo e engana a todos. Tiremos o chapéu para as muitas entidades espalhadas pelo mundo, num verdadeiro trabalho de formiguinha, que se tornam resistentes a essa gente sem escrúpulo.
Deixando as comparações de lado: o croissant quentinho é o tudo de bom e um pouco mais.

Leopard, você não poderia estar mais certo sobre tudo, é uma pena que sempre acabam vindo a um Brasil que permite tipos como esse saquear desde riquezas naturais até a dignidade de muita ignorante,em relação ao acesso a cultura elaborada. Infelizmente, no mundo, há muitos desse tipo desavisado ao não perceber as transformações sociais em volta de si achando que o seu dinheiro compra tudo e engana a todos. Tiremos o chapéu para as muitas entidades espalhadas pelo mundo, num verdadeiro trabalho de formiguinha, que se tornam resistentes a essa gente sem escrúpulo.

P.S. Deixando as comparações de lado: o croissant quentinho é tudo de bom e um pouco mais.

Wrong!
Já no tempo da minha avó havia croissants, pelo menos em Lisboa, nas padaraias, nas leitarias - umas pastelarias assim a modos que de segunda em bairros também com poucas estrelas - e nas pastelarias de primeira. Eram iguaisinhos aos que hoje encontramos, uns melhores, outros piores, quero eu dizer na minha que uns são mais 'emaçarocados' e outros mais delicados, mais massa folhada. O que realmente não havia era a tal moda das croissanterias nascida nos 80's. Isso é um grande facto histórico trazido à luz do dia neste teu post.

Mas já agora, croissant mesmo, como os de Paris, não há aqui nem na Conchichina!

Viva o croissant do Paris da França. :)

Um [] e um :)

muito intresante

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