Histeria de Massas

O blogger Luís Grave Rodrigues lançou, com grande entusiasmo, uma campanha de anti-boicote ao filme O Código da Vinci.
Escolhi este post deste blogger como poderia ter escolhido muitos outros: não se trata de uma implicação pessoal.
Chamei a este meu post "Histeria de Massas" porque o filme em questão vai mostrar-nos precisamente o que é uma histeria de massas e de que forma é que tais fenómenos podem, ao mesmo tempo, ser tão mediáticos e tão inúteis.
Alguns esclarecimentos prévios:
1. Li o livro de Dan Brown e irei ver o filme, mas apenas quando puder (não alinharei em histerias de estreias ou ante-estreias);
2. Considero que a história em si, da autoria de Dan Brown, deve ser alvo de duras críticas, tanto porque o autor promove as ditas teorias pseudo-históricas como sendo verdadeiras, mas também porque a maioria dos leitores as leva a sério.
Por isso, torna-se evidente que, sem querer sugerir um boicote ao filme (caramba, eu vou vê-lo!), sou muito duro nas críticas que faço a este tipo de literatura em geral, e a esta obra desonesta em particular.
Posto isto, o cerne da minha questão é o que se segue...
O problema das histerias de massas é que polarizam as ditas massas em duas posições empobrecedoras e irredutíveis: há os "nossos", ou seja, os "bons", e há os "outros", ou seja "os maus". Esta infantilização de um fenómeno social complexo não é boa para ninguém! Apelar ao boicote é tão imbecil como apelar ao anti-boicote, sem que neste último caso se tirem as devidas ilacções acerca dos lados negativos deste fenómeno cultural: Dan Brown já vendeu 40 milhões de exemplares de uma obra de ficção que é vendida pelo próprio autor como uma obra baseada em informação histórica sólida!
Bastaria verificar o que Umberto Eco, um autor bem informado que não é conhecido pela sua simpatia pró-católica, tem escrito acerca da miséria das teses de Dan Brown: Eco chega a sugerir que os leitores, e com toda a razão, confiem no site do Opus Dei, por este site conter a informação mais fidedigna e imparcial acerca desta questão!
Vejamos, a par e passo, os erros em que incorrem as diversas facções (não pretendo ser exaustivo nem exagerar na catalogação - isto é apenas ilustrativo de tendências gerais):
PERFIL 1 - O cristão ofendido
Este sente-se, com muita razão, ofendido com a "História" na versão de Dan Brown, que distorce de forma inqualificável a história do Cristianismo, para mais enquanto defende publicamente que fez uma pesquisa histórica séria para compilar as suas teorias. Mas, e isto é o mais grave, muitos dos cristãos ofendidos não se dão conta de qual é a sua parte da culpa! É pela ignorância do crente que tais teorias patetas se tornam perigosas! É devido ao já caótico e catastrófico estado de analfabetismo religioso do cristão moderno que se chegou a esta situação! Campanhas de boicote a um filme não levam a lado nenhum: não geram informação e cultura para o crescimento cultural e espiritual do crente, nem geram informação sobre o cristianismo para a sociedade em geral.
PERFIL 2 - O fã / crente de Dan Brown
Este sente-se perante a revelação do maior segredo histórico de todos os tempos. A euforia da descoberta acelera-lhe a pulsação cardíaca. A elevada oxigenação das suas células cerebrais, contudo, ao invés de lhe tornar mais eficiente e eficaz o raciocínio, gera-lhe entusiasmos pouco regrados: este fã ou crente não irá estudar a questão a fundo. Não irá ler os livros essenciais. O cerne do Cristianismo passar-lhe-á totalmente ao lado, e possivelmente durante toda a sua vida. Para este fã / crente em Dan Brown, finalmente comprova-se o seu antigo preconceito de que a Igreja Católica era um bando de mafiosos e mentirosos. E assim, para este novo adepto da "Deusa", tudo ficará na mesma no que toca à sua ignorância acerca do fenómeno religioso cristão.
PERFIL 3 - O anti-católico que gosta de Dan Brown porque ele diz mal da Igreja Católica
Nesta categoria, inserem-se pessoas como Luís Grave Rodrigues, e muito boa gente que por esse mundo fora se congratula, e bate palmas, ao genial Dan Brown. Seguros que estão das suas certezas preconceituosas acerca do Cristianismo, berram, gritam e gesticulam por "anti-boicotes": não que esses anti-boicotes em si mesmos estejam errados! Eu estou contra o boicote ao filme! Mas porque este tipo de pessoas defendem a posição indefensável de que o público saberá avaliar, por si só, a veracidade das teses do filme, e que, portanto, não há mal nenhum neste fenómeno. Luis Grave Rodrigues critica o facto de vários representantes católicos estarem preocupados com a falta de preparação dos espectadores para visionarem este filme, porque ele pensa que não há perigo no seu visionamento. Ao afirmar isto, o Luís incorre num duplo erro: a) sobrevaloriza a cultura dos espectadores, que todos sabemos ser baixíssima; b) sobrevaloriza a sua própria cultura (se não vê problemas culturais na obra de Dan Brown isso já é suficientemente revelador da sua própria cultura).
Perfil 4 - O céptico face a Dan Brown mas crítico face à Igreja Católica
Nesta categoria, encontram-se, curiosamente, muitas pessoas equilibradas. Normalmente, são pessoas que sabem bem que não devem levar a sério as teorias anti-científicas e conspiratórias de Dan Brown. Mas sentem-se desconfiadas da doutrina católica e da forma como esta foi constituída. O problema, para estas pessoas, está em que, ao afirmarem que a obra de Brown "faz-nos pensar sobre certos dogmas instituídos", estão a cair na cilada de Dan Brown sem se darem conta. É também algo de incoerente: se criticamos a cientificidade de uma obra destas, porquê afirmar que tal emaranhado de pseudo-ciência nos faria "pensar" validamente sobre o que quer que seja? Nada se pode aprender sobre História no Código da Vinci, mas muito pode ser aprendido sobre Sociologia com esta obra. A minha sugestão, para estas pessoas, seria: de que estão à espera para começarem a estudar a Historia da Igreja Católica? Para pegarem num Catecismo? Num Novo Testamento?. Nada pior do que suspeitar de algo só por suspeitar, sem conhecimento de causa...
Evitemos a Histeria de Massas!
Tanto do lado católico como do lado anti-católico ou como dos múltiplos lados ditos "neutros", encontramos muita histeria...
Se algo pode ser aproveitado desta "crise browniana" é o desafio que nos é feito com esta situação concreta (sejamos nós crentes, agnósticos, ateus) para que estudemos, para que nos informemos, para que sejamos sérios quando defendemos esta ou aquela posição. Para que nos eduquemos, para que saiamos de um estado de infantilidade cultural, numa situação deplorável em que as nossas convicções bailam ao sabor das marés mediáticas e dos preconceitos da moda...

Comentários
digamos que no teu caso, btm, a histeria ja serviu para cavalgares a onda oportunista do tema e venderes uns livritos.
não me venhas falar de ciência, quando alicerçada em dogmas e na biblia.
afixado por: tomé | maio 12, 2006 10:22 PM
bm
afixado por: tomé | maio 12, 2006 10:25 PM
Não fossem os cobardes anónimos e a minha vida seria bem menos divertida!
Há muitas coisas curáveis nesta vida, menos a estupidez... Se eu fosse ficar à espera dos "lucros" da venda dos meus livros (ao todo, perto de 1.000 exemplares com proveito de 1,9 € por exemplar para mim), há muito que estaria a morrer à fome, visto que o trabalho que culminou no meu livro demorou dez anos a concluir...
Assim se vê a estupidez de quem fala, com uma raiva cuja raíz é bem legível, sobre o que não sabe...
Passe bem dentro do possível, espécime desprezível de ser humano...
afixado por: Bernardo Motta | maio 13, 2006 12:15 PM
Boicotes? Claro que não. Seria ridículo, ou talvez não.
Histeria de massas. Serão os católicos. E o livro explicando o guião do filme e como foi feito o filme? É um nunca mais acabar.
È só um filme de aventuras género Indiana Jones é o que me ocorre vendo o trailler.
http://www.sonypictures.com/movies/davincicode/psp/
Mas será que não se aprende nada com o passado recente e não progredimos mais que isto. Daqui a 100 anos estamos a falar no mesmo e mantendo as mesmas opiniões, acerca de livros ou de filmes.
Mas vejamos,
(“Je Vous Salue, Marie”) (1985) manifestações em Lisboa contra a exibição. O presidente da Câmara encabeçou a manifestação
(“A Última Tentação de Cristo”) (1988) como seria a vida de Cristo caso ele escolhesse ser um homem comum, com esposa, família e até fantasias sexuais. Não se pode supor?
(“Jesus Cristo Superstar”) (1973) o meu preferido pela opereta musical tem temas que nunca me esqueceram. Como a canção da Maria Madalena “I Don’t Know how to love him”
Até a Maddona, a material girl comprou brigas com a igreja católica numa campanha da Pepsi com “Like a Prayer” com o clip da canção em que em que a Girl aparece beijando um santo negro.
Tudo isto deu polémica e continuará a dar.
Mas o que o filme do Dan Drown incomodou mesmo foi a Opus, as “legiões” da Opus Dei sentiram-se mesmo incomodadas a ponto de pedirem a revisão do guião. A Opus Dei, que não quer que apareçam as referências negativas que se fazem e que a associam a um movimento de fins e funcionamento misteriosos.
Apesar das besteiradas históricas de Dan Brown não serem nada de novo, a bibliografia literária em torno de Cristo é tão grande quanto o imaginário fabricado pelas lendas de templários e outras seitas secretas. As revelações do livro são irrelevantes para os milhares que entusiasmados o devoraram e que tem um mínimo de discernimento e cultura, mas o mesmo já não se pode dizer para as congregações ou ordens fundamentalmente, não queria dizer fundamentalistas cristãs, como o caso da Opus que não gostaram de ver-se comentadas.
É justamente no tocante à Opus Dei que o livro assume alguma importância. E que motivou protestos.
Por mim custa-me entender que haja organizações não escrutináveis em regimes democráticos Opus ou Maçonaria, em que uma sociedade secreta ou discreta como dizem os maçons citando esta, é oposta a transparência que deve existir numa sociedade democrática identificando-se os seus membros por sinais, toques, palavras indecifráveis para a maioria a não ser para os seus membros ou iniciados sendo sociedades secretas ou discretas que vivem de rituais e que intervêm na vida politica cultural e económica do pais a coberto do anonimato funcionando muitas vezes como lobbys e pontos de colocação dos seus membros em funções chave. Que continuam a guiar-se por códigos e combinações secretas iniciando os seus membros e sendo solidários com eles na vida extra – organização e profissional sem a maioria da população saber das filiações, não se sabendo as verdadeiras intenções.
Já entendia essa situação em regimes políticos em que do anonimato podia depender a vida e então havia propósitos e códigos de linguagem como “chove” para dizer que há um intruso ou não iniciado entre nós, no sentido de vamos lá a ter cuidado com o que dizemos ou fazemos,
Um ex-numerário da Opus Dei, António Carlos Brolezzi escreveu um artigo sobre a sua experiência na Opus, na opinião dele com intenção de alertar outros jovens contando a sua experiência. E fala do Código da Vinci
ÉPOCA Online - Na sua opinião, o que o filme O Código Da Vinci pode trazer de polémica sobre a congregação?
António Carlos Brolezzi - Se o filme fosse uma caricatura falsa ou acusasse somente a Igreja Católica, o Opus Dei não teria nenhum tipo de reacção. Eles não reagiram diante de outros filmes tão ou mais polémicos a respeito do cristianismo. Eles dizem que o filme ataca a Igreja Católica, usando-a como escudo, mas eles ficaram bravos porque aborda aspectos verdadeiros da Obra.
ÉPOCA Online - Quando leu O Código Da Vinci, sentiu que o livro retratava o ambiente dentro do Opus Deis que o senhor vivenciou??
Brolezzi - Senti. O terror, a obediência cega, o recalque do personagem, aquela defesa dos dogmas do Opus Dei.
ÉPOCA Online - O senhor conta em seu livro que foi levado pela primeira vez ao Centro de Estudos por seu irmão e que nunca tinha pensado em fazer parte de uma vida religiosa. O que acha que aconteceu para que continuasse lá?
Brolezzi - O Opus Dei sempre seduziu por meio do segredo absoluto que detinha. Hoje, eles tiveram de sair da carapaça blindada, mesmo que lentamente e a contra gosto. Eles passavam para os jovens que a santificação vinha por intermédio do trabalho profissional. Eles também iludiam pela parte afectiva e, através da manifestação da fragilidade de cada jovem, te aprisionavam. A ideia da santidade usada por eles é a ideia da felicidade perfeita.
ÉPOCA Online - O Opus Dei estaria mudando a forma de agir?
Brolezzi - Não. Se o Opus Dei mudar sua forma de actuação, acaba, porque só existe na medida em que é uma instituição tradicional vinculada ao passado. E eles se sustentam na medida em que as pessoas acreditam que é uma obra de Deus e perfeita.
''O Opus Dei sempre seduziu por meio do segredo absoluto que detinha''
ÉPOCA Online - Como o senhor explica essa força que o Opus Dei criou ao redor de si?
Brolezzi - A força do Opus Dei não é numérica. Sua influência está na qualidade das pessoas que a formam. O fundador armou uma estratégia de conquista na qual Cristo deve estar no cume das actividades humanas. Para eles, não interessa a massa da humanidade, mas sim pessoas em posições influentes. Acho que o ''sucesso'' do Opus Dei se deve a essa estratégia de elitismo, que acredita que se muda a sociedade mudando as elites.
ÉPOCA Online - O senhor teve algum tipo de problema depois que lançou seu livro contando as experiências dentro do Opus Dei?
Brolezzi - Uma pessoa ligada a mim e a minha família, que é cooperadora do Opus Dei, ligou-me dizendo que, como gostava muito de mim, era para eu saber que eu iria para o Inferno com esse tipo de manifestação.
ÉPOCA Online - O senhor vê resultados positivos com a discussão que surgirá a respeito do Opus Dei a partir do lançamento do longa O Código Da Vinci?
Brolezzi - A polémica do filme é excelente e o Dan Brown provavelmente vai ter um lugar grande no céu porque jamais poderia se conseguir uma divulgação do Opus Dei sem ser com o livro e o filme. Como diz o próprio fundador da Obra, ' é bom que as águas corram, porque a água estagnada apodrece e as que correm ficam limpas '. Ele falava isso para que nós não escondêssemos nada do que acontecesse connosco. Como isso não foi usado de maneira correcta dentro da instituição, quem sabe aqui fora seja bom. Se todos souberem o que se passa no Opus Dei, ele se tornará apenas mais uma instituição.
ÉPOCA Online - Foi muito difícil abrir sua vida dessa forma e repensar o que aconteceu?
Brolezzi - Foi uma experiência semelhante a você pular de um lugar alto e ter um colchão abaixo para te segurar. Foi uma atitude de coragem e audácia. Fui muito sincero, pois queria que as pessoas soubessem como funciona lá dentro.
afixado por: leopard | maio 13, 2006 12:29 PM
Isto é muita letra junta para mim...
Qualquer histeria é desnecessária, seja "Brownite" ou anti-"Brownite".
Há que dar sempre a hipótese de escolha; quem quer vê, quem não quer não vê. Sem nos esquermos nunca que se trata apenas de um filme baseado numa obra de ficção.
Qualquer apologia de valor para além disto, demonstra apenas uma grande dose de tempo livre.
afixado por: Ana | maio 13, 2006 02:20 PM
calma bm, só falta dizeres que a publicação naquela altura foi mera coincidência... se vendeu tão poucos, imagina se o publicasses em outra altura! nem os quatrocentos contitos cheiravas...
que sorte, para ti, és um "estoriador" com bom timming... qual será a tua próxima obra? eu até adivinhava...
afixado por: tomé | maio 13, 2006 06:12 PM
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afixado por: blogstars.com.br | maio 13, 2006 11:33 PM
Parece que o nosso comentador "tomé" não deslarga o osso...
É uma grande tristeza vê-lo a persistir na asneira. Torna-se evidente que não leu o meu livro nem o meu site, senão teria percebido que mais de dois terços do material que está no livro TAMBÉM está no site que é de acesso livre e gratuito.
Desde 1997 que acumulo informação histórica na Internet acerca deste tema. Nunca tinha pensado em publicar livro algum, antes do convite que me foi feito pela Ésquilo em 2004, convite aliás que nasceu do facto de o director daquela editora ter lido o meu site, onde o material estava, e sempre esteve, acessível a todos. O meu entusiasmo pela escrita do livro esteve sempre baseado na vontade de levar a minha investigação a quem não tem acesso à Internet.
Com o passar dos tempos, o site irá crescer até ultrapassar a informação contida no livro.
Sempre tudo gratuito. Nunca neguei documentação a quem ma pediu pela Internet, distribuo tudo o que escrevo de forma gratuita, e faço as minhas apresentações sobre o tema sem me fazer cobrar.
O que se torna evidente é que o comentador "tomé" se sente incomodado pelas minhas conclusões: o facto de um católico ter conseguido explicar a fraude do Priorado de Sião deve ser para ele um grande transtorno. Nada como, à moda da boa invejazinha portuguesa, atirar areia aos olhos dos outros, difamando o meu nome, uma vez que a sua bruta ignorância o impede de criticar cientificamente a minha obra (sobre a qual não emite um só comentário analítico).
Reafirmo o que disse: "tomé", você é um ser humano desprezível. Ataca pessoas e não ideias. Além de que é uma pessoa extremamente desonesta porque fala do que não conhece e ataca uma pessoa que não conhece apenas por excesso de tempo livre e inveja do trabalho alheio...
Nunca farei fortuna da escrita, mas quando Deus me levar desta vida deixarei obra, e o mais importante, deixarei amigos e pessoas que me conheceram e me conhecem bem, e sabem que tipo de pessoa sou.
O que é mais do que se pode dizer de muita gente cuja ocupação é difamar obra alheia...
afixado por: Bernardo | maio 14, 2006 04:05 PM
...desculpem, mas a discussão é sobre o quê?!
estamos a falar de um romance, certo?
de um filme, não?!
então, discutir para quê?
trata-se de ficção.
esta agora.
só há duas hipóteses: lê-se/vê-se e gosta-se, logo sugere-se; lê-se/vê-se e não se gosta, logo sugere-se, na mesma, para que os outros possam formar a sua opinião.
(ou não seremos todos seres pensantes?!)
boa tarde.
afixado por: planície | maio 14, 2006 07:21 PM
pois é bernardo, estalou-te o verniz...
"ser deprezível e desonesto e ignorante", chamas-me tu e tens a distinta lata de me dizer que te insultei...
a absoluta certeza que tens nas tuas descobertas e na universalidade e validade dos teus dogmas, deixam-te feliz e realizado, o que é bom...
não tenho nada contra católicos e só perdes pontos se puxares a conversa para aí, o que te torna incontornávelmente parcial.
o código da vinci é um livro, a bíblia também. tu acreditas num deles, eu não acredito em nenhum.
és um homem de sorte, vês?
afixado por: tomé | maio 14, 2006 10:00 PM
"Tomé",
Sinceramente, não entendo quem é que julga que engana com essa conversa...
Ainda não o vi produzir uma ÚNICA contestação ao que eu escrevi, pelo que qualquer pessoa depreeende uma de duas:
a) não consegue contestar (por ignorância)
b) não quer contestar (porque prefere o insulto)
Em qualquer das duas, não vejo onde é que a sua pessoa mereceria qualquer consideração.
É triste que, por eu ser católico, você automaticamente descarte dez anos de trabalho acerca desta fraude, que me permitem falar sobre ela com muita confiança.
O que é mais divertido é que você nem sequer comenta o facto de vários autores, muitos deles ateus ou pelo menos agnósticos, terem chegado às mesmas conclusões que eu...
afixado por: Bernardo | maio 15, 2006 08:47 AM
«estamos a falar de um romance, certo?
de um filme, não?!
então, discutir para quê?
trata-se de ficção»
O melhor será então que discuta a questão com o PRÓPRIO DAN BROWN, uma vez que ele defende publicamente a veracidade das teses do seu livro...
afixado por: Bernardo Motta | maio 15, 2006 09:15 AM
presunção e agua benta...
um pouco de humildade não te caia nada mal e fazia de ti um melhor católico, bernardo...
afixado por: tomé | maio 15, 2006 12:46 PM
Sou um péssimo católico, e não o escondo...
Continuo sem ver o que é que isso altera o meu trabalho, e continuo sem vislumbrar da sua parte uma só pinga de contestação ao meu trabalho teórico....
afixado por: Bernardo Motta | maio 15, 2006 12:58 PM
já pensaram dar o nome de "a saga continua... parte milésima quinta"? Não entendo que raio de discussão é essa entre tomé e bernardo motta, porque um escreveu livros que venderam algo, mas que os tem acessiveis a todos e entre que outro cujo propósito é?? Tomé qual é o teu propósito?
afixado por: monica | maio 15, 2006 02:09 PM
Deve ser: ver para crer, como o dito cujo santo
afixado por: Mosca | maio 15, 2006 02:17 PM
:) gostei Mosca!
afixado por: monica | maio 15, 2006 02:28 PM
Cara Mónica,
«Não entendo que raio de discussão é essa entre tomé e bernardo motta»
Bem entendo, e aceito, que a minha troca de palavras com essa criatura a nada leva, e de nada serve. As minhas desculpas a quem gostaria de ver esta questão debatida com algum nível. Contudo, queria que a Mónica se colocasse na minha posição: o que deve uma pessoa fazer quando o seu trabalho e a sua honestidade são insultados e difamados?
Eu só vejo três atitudes:
a) ignorar: seria interessante, mas permitiria que certos preconceitos se mantivessem por esclarecer
b) censurar: apagar os comentários do dito "tomé" seria o mais ajuizado, mas depois logo viriam os juízos do costume, de falta de tolerância, etc, etc..
c) responder às acusações
Optei pela última.
Visto que já esgotei a minha conversa com o dito "tomé", considero o assunto encerrado.
afixado por: Bernardo Motta | maio 15, 2006 03:14 PM
Caro Bernardo,
Não leves a mal o comentário e concordo contigo, devemos sempre esclarecer mal entendidos e devemos fazer valer a nossa opinião e a nossa inteligência quando esta é difamada e/ou posta à prova. No entanto, leio tanto comentário estapafurdio e leio palavras de certas pessoas que parecem ou não querem que a discussão acabe que só saiu dos meus dedos "a saga continua ... parte milésima quinta".
Porque tal como escreves a questão/discussão até poderia ter algum nível e aí seria de salutar, mas...
Reservo a minha opinião sobre certas questões pois não gostaria de todo ferir susceptibilidades e muito menos ter que ler certas coisas (que lês) sobre opiniões mais ou menos fundadas por vários livros que li, reli e terei ainda mais prazer em ler.
Em relação ao Dan Brown e à sua "fabulástica" história/romance e outros etcs é interessante de ler e vou ver o filme se para tal tiver tempo e disposição.
O Código d´vici é o que é, e vale o que vale, cabe a cada um dar a importância que acha que merece. Penso que para tudo o que lemos, ouvimos e vemos temos de ter consciência crítica, e saber distinguir entre ficção e realidade, entre fábulas/lendas/contos e factos/veracidade.
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 15, 2006 03:28 PM
Cara Mónica,
Obrigado pela sinceridade da resposta. Sempre que leio comentarios de pessoas cujas vidas e caras desconheço, procuro colocar-me na pele delas. Só peço para que, antes de me insultarem, as pessoas façam o mesmo.
Eu não sou ninguém de importante: calha apenas que, desde 1997, tenho um site dedicado ao tema do Priorado de Sião.
Não fazia, obviamente, ideia que Dan Brown iria, de repente, tornar o tema tão popular. Por isso, caiu sobre os meus ombros uma grande responsabilidade: a de explicar e divulgar a verdade histórica sobre o Priorado de Sião.
Não me move nada contra Dan Brown, à parte da crítica que lhe faço por ser pouco honesto ao defender publicamente a veracidade histórica das teses do seu romance.
Irei ver o filme, assim que puder. Não faço campanha contra o filme. Penso que estamos de acordo no ponto mais importante de todos: é a falar que as pessoas se entendem. É com informação que se está preparado para lidar com a boa e má ficção que se faz um pouco por este mundo fora.
Um espectador informado não corre qualquer risco com o visionamento do filme, e por isso mesmo, o caminho não passa pela censura ou por boicotes.
Sendo católico, logo se vê que eu discordo de algumas das posições pró-boicote sugeridas por alguns católicos de relevo.
O que me entristece é que, sem tecer qualquer consideração ou objecção ao meu trabalho, tantos comentadores (este "tomé" pertence a um enorme grupo já típico nestas andanças), apenas porque eu sou católico, se satisfazem intelectualmente com a aplicação de um rótulo, e partem para o insulto pessoal.
O recurso ao ataque "ad hominem" é uma conhecida falácia, e não encerra em si mesma qualquer tipo de argumentação séria.
Mais uma vez, obrigado pelo seu comentário, uma vez que é difícil para mim inferir a opinião dos leitores sérios, porque frquentemente a caixa de comentários se transforma num circo (com alguma culpa minha) que afasta quem quer debater seriamente.
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo Motta | maio 15, 2006 03:37 PM
Mónica,
Esqueci-me deste ponto importante no seu comentário:
«Reservo a minha opinião sobre certas questões pois não gostaria de todo ferir susceptibilidades»
Não fere, no que a mim diz respeito, qualquer susceptibilidade com a partilha das suas opiniões. As opiniões são o que são e valem o que valem. Não é isso que ofende. O insulto pessoal, sobretudo quando aplicado por quem de direito, esse sim é que pode insultar.
No caso deste "tomé", o insulto nem sequer chega a me ofender, uma vez que eu não reconheço qualquer legitimidade a dito comentador, e todos sabemos que os insultos apenas ofendem quando vêm de pessoas que nos conhecem e que acertam no alvo.
Sinta-se à vontade para escrever e comentar o que quiser. Queria que me visse como um teimoso curioso, uma pessoa sempre à procura da Verdade (e ela esconde-se bem). Se sou católico, é porque houve tempos em que não fui. Debati-me com conflitos interiores dos quais apenas saí quando obtive uma resposta satisfatória às minhas dúvidas. Neste percurso aprendi a respeitar quem acredita e quem não acredita.
Não há opinião no Mundo que me pudesse ofender. Muito menos quando as opiniões são bem fundamentadas...
É curioso notar que, por vezes, quando um crente sério à procura da Verdade se cruza com um ateu sério à procura da Verdade, andam mais próximos um do outro do que imaginam... Tenho aprendido isso ao longo da vida.
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo Motta | maio 15, 2006 03:44 PM
Caro Bernardo,
já se deve ter apercebido que sou uma leitora e não uma comentadora dos textos que o Bernardo coloca aqui no blog e dos demais que escrevem.
Estamos muito de acordo sobre "a falar é que as pessoas se entendem", porque um monólogo nunca teve muito piada, porque uma leitura sem crítica (saudável) nunca foi coisa interessante.
Muito gostaria de "discutir" consigo certos aspectos, mas temo que o tempo de escrita a que me viria obrigada a perder seria muito, pelo que quando tiver algum tempo enviar-lhe-ei pontos da minha discordância.
E Bernardo, os leitores sérios respondem-lhe "fielmente" aos seus posts com a máxima dignidade e boa educação e, devo escrever, com inteligência.
Não alimente a escrita de pessoas frustradas, obsoletas, sem um pingo de bom senso.
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 15, 2006 03:49 PM
«E Bernardo, os leitores sérios respondem-lhe "fielmente" aos seus posts com a máxima dignidade e boa educação e, devo escrever, com inteligência.»
Tem toda a razão!
Faz parte da condição humana que eu acabe por gastar mais tempo com os comentadores que ofendem do que com os sérios. O que é uma injustiça e um absurdo!
«Não alimente a escrita de pessoas frustradas, obsoletas, sem um pingo de bom senso.»
Obrigado pelas suas palavras!
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo Motta | maio 15, 2006 03:54 PM
Bernardo,
temos portanto um ponto de "desencontro" porque ao passo que você é católico e um dia não foi, eu não sou católica, mas um dia fui. :)
"É curioso notar que, por vezes, quando um crente sério à procura da Verdade se cruza com um ateu sério à procura da Verdade, andam mais próximos um do outro do que imaginam... "
Concordo, plenamente!!!
afixado por: monica | maio 15, 2006 03:55 PM
Só Deus é ateu. Há quem se tente.
afixado por: tatiranda | maio 15, 2006 08:28 PM
Eu sou ateia...só acredito em mim e mesmo assim tem os seus dias..quanto ao Código da Vinci tem apenas o interesse do suspence"...um livro bom para as férias quem me sequer se pode dizer que esteja muto bem escrito...está escrito ao jeito garantido do romance policial...quanto às teorias deles foram "roubadas" de um francês visionário e tido como louco que morreu à cerca de 20 anos (é a sorte dele senão levava com um processo por plágio)....o mérito do dan Brown é que, ao contrário do verdadeiro autor da teoria, conseguiu vender bem o seu peixe....pessoalmente e dentro do género policial repito, prefiro os anjos e demónios do mesmo autor
afixado por: Rendinhas e Veneno | maio 16, 2006 09:27 AM
Peço desculpa a todos pelos comentários em duplicado.
Se alguém puder apagar os que estão a mais agradecia, desta forma não ocupam espaço desnecessários!
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 16, 2006 09:30 AM
É para já, Mónica!
Não há problema nenhum: acontece várias vezes...
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 09:35 AM
Amiga "Rendinhas",
«quanto às teorias deles foram "roubadas" de um francês visionário e tido como louco que morreu à cerca de 20 anos»
É mais ou menos isso, mas ele morreu apenas em Fevereiro de 2000! ;)
Chamava-se Pierre Plantard.
«(é a sorte dele senão levava com um processo por plágio)»
;)
Exactamente!
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 09:39 AM
Sinceramente, acho que o Bernardo está a desperdiçar um pouco o seu tempo! Não li o teu livro, mas por acaso tenho imensa curiosidade, guardo-o para uma próxima oportunidade, com tempo. Porquê? O tal espírito crítico de que fala a Mónica, gosto de conhecer ambos os lados da questão.
Mas se afirmo que perdes um pouco o teu tempo, não é por demérito: se bem entendo o teu livro parte de um estudo sério, enquanto que o Código é apenas uma obra de ficção, um bom romance policial e nada mais. O Dan Brown deu de caras com uma teoria polémica e, diga-se, interessante, e romanceou-a. Só. O Código - filme ou livro - não pretendem ser um suporte sério ou credível para nada, é puro entretenimento.
Com toda a franqueza, apreciei o Código, foi uma boa leitura de praia.
As teorias nele apresentadas em alguma coisa surpreenderam-me, noutras, nem por isso. Talvez por ser ateia e não ter tido mais educação religiosa que umas leituras autodidactas (sim, li a Bíblia, claro, é por onde se deve começar), sempre achei que a história do celibato de Jesus não batia certo. Nem entendo porque a Igreja aqui faz tanto finca pé; Jesus ganha mais, para mim, como ser humano (não o creio filho de Deus, mas um pregador de muitas e boas ideias) que conhece o amor terreno. E historicamente faz mais sentido: um judeu solteiro, aos 33 anos, não era certamente a norma nem sequer normal.
Por outro lado a ideia do cálice sagrado como símbolo feminino também não é nova, nas culturas primitivas a taça significava a fecundidade feminina, a representação simbólica do ventre gerador de vida.
Sobre o Prioriado do Sião, só sei que nada sei. Muito teria que ler para ter uma opinião válida sobre o assunto.
Mas, sobre o Código, tal como o Bardo, acho que se faz muito barulho para nada.
Cumprimentos.
afixado por: Lisa | maio 16, 2006 09:47 AM
Cara Lisa,
Obrigado pela sua mensagem.
«Sinceramente, acho que o Bernardo está a desperdiçar um pouco o seu tempo! Não li o teu livro, mas por acaso tenho imensa curiosidade, guardo-o para uma próxima oportunidade, com tempo.»
Obrigado!
Aguardo a sua opinião.
«Porquê? O tal espírito crítico de que fala a Mónica, gosto de conhecer ambos os lados da questão.»
Tenho tentado sempre fazer isso.
«Mas se afirmo que perdes um pouco o teu tempo, não é por demérito: se bem entendo o teu livro parte de um estudo sério, enquanto que o Código é apenas uma obra de ficção, um bom romance policial e nada mais.»
Lisa: apenas duas coisas indesmentíveis:
a) Dan Brown defende publicamente a validade científica das suas teorias
b) 40 milhões de leitores leram a obra: quantos levarão a sério as ditas teorias?
Só preciso destas duas razões para cumprir a minha obrigação ética de revelar o pouco que sei e o pouco que descobri, mas que já é fundamental para nos precavermos destas iniciativas.
«O Dan Brown deu de caras com uma teoria polémica e, diga-se, interessante, e romanceou-a. Só.»
Então porque é que Dan Brown defende as teorias? Porque não se limita ele a dizer que escreveu ficção?
«O Código - filme ou livro - não pretendem ser um suporte sério ou credível para nada, é puro entretenimento.»
Palavras de Dan Brown:
«Toda a arte, arquitectura, rituais secretos, sociedades secretas, tudo isso são factos históricos»
«O mais importante facto é que o Santo Graal não é o que as pessoas julgam (…) o Santo Graal não é uma taça, é algo muito mais poderoso»
“O segredo descrito no romance tem sido narrado durante séculos“
“Fiquei surpreendido pelo facto de os historiadores estarem tão desejosos de partilharem os seus conhecimentos comigo”
“Um académico disse-me que o seu entusiasmo pelo Código Da Vinci estava baseado em parte na sua esperança de que «este antigo mistério fosse desvelado para uma audiência mais vasta»”
"Vários académicos acreditam que o seu trabalho [o de Leonardo] fornece intencionalmente pistas para um segredo poderoso… um segredo que permanece protegido até aos dias de hoje por uma irmandade clandestina da qual Da Vinci era membro"
"Algumas das evidências mais dramáticas podem ser encontradas nas pinturas de Leonardo da Vinci"
"Contudo, o segredo por detrás do Código Da Vinci estava demasiadamente bem documentado para que eu o desprezasse"
Tudo isto são afirmações falsas: não preciso de ser eu a dizê-lo. Posso ir buscar autoridades como Umberto Eco (que não é crente) ou Massimo Introvigne (director do CESNUR e reputada autoridade em novos movimentos religiosos e sociedades secretas - http://www.cesnur.org).
«Com toda a franqueza, apreciei o Código, foi uma boa leitura de praia.»
Óptimo para si! Mas saiba que MUITA gente, depois de ler o livro, julga ter aprendido coisas nessa leitura.
«sempre achei que a história do celibato de Jesus não batia certo»
Aí está Dan Brown em acção!
Porque é que diz que "não bate certo"? Entende, Lisa, o poder do preconceito, da ideia pré-concebida? Com que bases é que contesta a tese do celibato de Jesus?
Sabe o que eu penso? Basta saber os rudimentos de teologia para compreender que o casamento de Jesus não lhe retiraria a divindade. Conclusão?
Se Jesus tivesse sido casado, a Igreja primitiva NUNCA se teria importado. Não haveria, NEM HÁ, razões para esconder uma vida marital de Jesus.
Conclusão?
Porque é que Jesus não podia ter sido solteiro?
«Nem entendo porque a Igreja aqui faz tanto finca pé»
Minha cara amiga: devolvo-lhe outra pergunta. Se Jesus foi solteiro, de que vale tentar agora casá-lo "a posteriori"?
«Jesus ganha mais, para mim, como ser humano (não o creio filho de Deus, mas um pregador de muitas e boas ideias) que conhece o amor terreno.»
Lisa: com todo o respeito. Entendo que Jesus "ganhe mais" para si, mas se ele foi solteiro, o seu desejo, por muito forte que seja, não faz dele casado. A História sucedeu como sucedeu.
O que interessa, não é a ideia que as pessoas gostavam de ter acerca de Jesus (Dan Brown sabe jogar com as emoções). O que interessa saber é que se ele foi, DE FACTO, casado.
E nada o permite supor.
E nada há que o impedisse: não há razões para omitir esse acontecimento, se ele tivesse acontecido de facto.
«E historicamente faz mais sentido: um judeu solteiro, aos 33 anos, não era certamente a norma nem sequer normal.»
Não era, certamente, a norma. Pergunta simples e óbvia, do mais elementar bom senso: não havia solteiros em Israel ao tempo de Jesus?
Outra pergunta: um líder espiritual como João Baptista... Também teria sido casado? Todos os homens na Palestina, àquele tempo, eram casados?
Esse raciocínio seu permite demonstrar que Jesus foi casado?
«Por outro lado a ideia do cálice sagrado como símbolo feminino também não é nova»
Sim, não é nova. Mas não tem nada a ver com o Graal. Em nenhum romance do Graal, o símbolo surge como associado a um "culto da Deusa", como pretende Dan Brown.
«nas culturas primitivas a taça significava a fecundidade feminina»
Não só, minha cara!
Não só!
Entende a falácia desta argumentação? A taça simboliza muitas coisas:
a) meta espiritual
b) centralidade do ser humano
c) estado edénico, ou adâmico
d) fonte da juventude
e) elixir da vida eterna
quer que continue??
O simbolismo é tema complexo, para ser tratado de forma infantil.
«Sobre o Prioriado do Sião, só sei que nada sei.»
Poderia ler o meu site, ou o meu livro: lá encontra toda a história real do Priorado, que é bem conhecida em França desde finais dos anos 70.
«Muito teria que ler para ter uma opinião válida sobre o assunto.»
Convido-a: não deixe de o fazer!!
«Mas, sobre o Código, tal como o Bardo, acho que se faz muito barulho para nada.»
Leia. Veja o que há para saber sobre o tema. Depois, regresse. Aqui estarei à espera. Diga-me, depois de ler, o que acha. Diga-me, depois de estudar o assunto, se acha que se faz barulho para nada!
Mais uma vez, obrigado pela sua mensagem, e boas leituras!
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 10:07 AM
Ok...obrigado pelo reparo...estava a tentar usar o método bombástico de Dan Brown e atirei o barro à parede..na realidade não fazia ideia de quando o tal francês morreu nem tive tempo para verificar......isto aqui no trabalho está complicado hoje....de maneira que afirmei uma coisa contando com a ignorãncia das pessoas...mesmo ao estilo do Dan Brown *r*
afixado por: Rendinhas e Veneno | maio 16, 2006 10:17 AM
Sem problemas, "Rendinha", sempre ao dispor. Eu também só sei estas tretas de cor porque já são "ossos do ofício", de resto sou um tipo normal ;)
Um abraço,
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 10:24 AM
Cara Lisa,
1- "celibato de Jesus/ Igreja aqui faz tanto finca pé"
De outra maneira não poderia ser, e porquê? Porque 1º aos olhos da religião cristã e outras religiões quem não é casado e tem relações (excluindo o namoro sem relação sexual) não é uma pessoa pura, inocente e tem a alma "conspurcada" "maculada" (não é desta forma que penso) e esta visão nasce do facto de que o espírito tem de se sobrepôr à matéria, ou seja, o espiritual é o reforço da fé sobre o mundano; 2º se Jesus tivesse sido casado e constituído família como poderia a Igreja explicar a divindade e pureza necessárias para ascender ao Reino dos Céus? para se sentar à direita do Pai?; 3º se Jesus casa-se ou mantivesse relações sexuais seria um comum mortal e não o Filho de Deus.
Daí o finca pé da Igreja.
2- Taça/ Cálice Sagrado
A taça não é bem a representação do ventre gerador de vida, mas mais a visão dos dois princípios, feminino e masculino, tanto que uma taça não tem sentido recto, nem em linha, é toda ela redonda, o que simboliza o acto sagrado da comunhão entre o mundo espiritual e o mundo material.
As culturas primitivas (ou ditas pagãs) utilizavam a taça como simbolo da água que tudo lava, que tudo purifica, e essa água (num ritual) era derramada sobre a terra para esta ser fertilizada.
É óbvio que estas descrições são muito sucintas, estes temas dão "panos para mangas".
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 16, 2006 10:38 AM
Bernardo e Mónica: obrigada pelos esclarecimentos.
Obviamente têm muito mais vastos e sólidos conhecimentos sobre a questão que eu, uma vez que apenas me debruço sobre estas coisas por pura curiosidade.
A falta de leituras sobre o tema apenas se prende com uma crónica falta de tempo, que tem que ser dividido por muitas outras leituras que me interessam. Curiosidade não me falta, garanto.
O celibato de Jesus: entendo a vossa perspectiva, mas continuo a achar que o facto de ser casado ou ter uma companheira não lhe reduzia o valor, impacto histórico ou mesmo o carácter divino. Falo como ateia, é uma mera opinião.
Quanto ao cálice e sua simbologia, já vi que é assunto que dava pano para mangas. Calo-me, por nada de novo ter a acrescentar.
Entendo perfeitamente o empenhamento do Bernardo na defesa da contestação ás teorias subjacentes ao Código, e admiro-o. Ao me referir à perda de tempo não pretendia minimizar o teu trabalho e dedicação séria ao assunto, muitos houvesse com esse espírito de investigação, esclarecimento e dedicação.
O problema é que estas polémicas só contribuem para a notoriedade do Dan Brown, que deve estar felicíssimo com toda a publicidade grátis!
Claro que ele defende que as teorias são verdadeiras: se isso lhe convém e alimenta as vendas do livro!
Mas tal facto não lhe confere credibilidade. Dan Brown não é um estudioso ou sequer aborda o assunto de forma científica; quando muito é um curioso.
Para mim vale muito mais a opinião de verdadeiros pensadores e estudiosos como o Umberto Eco, também ele polémico - à sua maneira - mas uma pessoa séria e francamente credível.
Obrigada pela atenção e cumprimentos
afixado por: Lisa | maio 16, 2006 11:10 AM
Bernardo, qual é o seu site??
Gostaria muito de "dar uma vista de olhos" e ler os seus trabalhos!
afixado por: monica | maio 16, 2006 11:14 AM
Cara Mónica,
Permita-me discordar de alguns pontos nas suas observações.
«Porque 1º aos olhos da religião cristã e outras religiões quem não é casado e tem relações (excluindo o namoro sem relação sexual) não é uma pessoa pura, inocente e tem a alma "conspurcada" "maculada"»
É, de facto, essa a situação no que diz respeito às relações sexuais fora do matrimónio.
«(não é desta forma que penso) e esta visão nasce do facto de que o espírito tem de se sobrepôr à matéria, ou seja, o espiritual é o reforço da fé sobre o mundano»
Concordo. A sobreposição do espiritual sobre o temporal é a regra, no que diz respeito a qualquer tradição espiritual. Obedece aos preceitos metafísicos que estruturam a maioria das religiões que conhecemos.
«2º se Jesus tivesse sido casado e constituído família como poderia a Igreja explicar a divindade e pureza necessárias para ascender ao Reino dos Céus? para se sentar à direita do Pai?»
Aqui discordo RADICALMENTE!
Se Jesus tivesse sido casado segundo a lei judaica em vigor, isso não retiraria uma GRAMA à sua divindade. A questão da divindade de Jesus é complexa. Convido-a a conhecer as complexidades da questão da "consubstancialidade", ou seja, o longo debate acerca de Jesus ser uma pessoa ("Filho") com duas naturezas ("physis" em grego, que seriam a natureza humana e a divina.
Não há nada, na patrística cristã, que impeça um Jesus casado de ser visto como Deus. O pecado que refere no ponto 1) da sua argumentação diz respeito à sexualidade extra-marital. Repito o que afirmei: se Jesus tivesse sido casado segundo a lei judaica, teria sido perfeitamente possível manter a crença na sua divindade.
O que é um facto inegável é que Jesus defende o celibato, para "aqueles que não se casam por amor ao Reino dos Céus". Ao mesmo tempo que defende que o homem se deve juntar à mulher e serem «uma só carne».
Não há qualquer pecado na relação sexual intra-matrimonial. Ela é sinal do Amor de Deus.
Contudo, uma cultura ocidental estabelecida tendeu, sobretudo na Idade Média, a reforçar uma imagem negativa da relação sexual entre marido e mulher, imagem negativa essa que está totalmente ausente dos ensinamentos de Jesus, e que por isso é de "invenção humana".
«se Jesus casa-se ou mantivesse relações sexuais seria um comum mortal e não o Filho de Deus»
De novo, não entendo este raciocínio. Ele está longe de ser raro! Há muitas pessoas a pensarem como a Mónica! Mas eu não encontro sustento teológico nem doutrinário para esta afirmação. É evidente que o celibato de Jesus faz parte da cultura cristã, não adianta negá-lo.
Mas as conclusões acerca da divindade de Jesus poderiam ter sido as mesmas se Jesus tivesse sido casado de acordo com a lei judaica.
A razão evidente para Jesus ter escolhido o celibato: uma inteira dedicação à "vontade do Pai".
«A taça não é bem a representação do ventre gerador de vida, mas mais a visão dos dois princípios, feminino e masculino, tanto que uma taça não tem sentido recto, nem em linha, é toda ela redonda, o que simboliza o acto sagrado da comunhão entre o mundo espiritual e o mundo material.»
Essa interpretação não está totalmente errada, se bem que não é linear aplicar a linguagem "masculino/feminino" que aplica. É mais correcto usar o simbolismo "espiritual/temporal" para entender o Graal. Recomendo este artigo de René Guénon, que para mim me mostrou a profundidade, o alcance, e a complexidade do simbolismo graálico.
Esta interpretação está nos antípodas das "infantilidades" de Dan Brown:
http://bmotta.planetaclix.pt/santograal.html
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 11:21 AM
Caro Bernardo,
antes demais obrigada por ter disponibilizado o site.
Mas vamos ao ponto de discordância.
1- não me referi nem uma única vez ao Graal, falei em Taça ou Cálice Sagrado, se se vai estabelecer a priori que o Graal é um Cálice ou Taça, nem comento!
2- A meu ver a linguagem feminino e masculino não está errada, são dois princípios imutáveis e que estão ligados ao espiritual e material e não espiritual e temporal(não o referi tb).
3- Fala-se na lei em vigor hoje em dia da religião cristã e não na lei judaica do tempo em que Jesus andou na terra! E há que convir que nos dias de hoje tiraria toda a divindade a Jesus se este efctivamente tivesse casado!
No entanto, não pretendo discutir esse tema Bernardo, por uma simples razão, vamos partir pedra e vamos ficar os dois com a opinião que temos agora.
Pelo que me apercebo o Bernardo é teimoso e curioso, e obstinado nas suas crenças, tal como eu!!
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 16, 2006 11:32 AM
Mónica,
De nada!
O site, propriamente dito, começa no endereço:
http://bmotta.planetaclix.pt
«1- não me referi nem uma única vez ao Graal, falei em Taça ou Cálice Sagrado, se se vai estabelecer a priori que o Graal é um Cálice ou Taça, nem comento!»
Tem razão. As minhas desculpas. Normalmente, a temática da "taça" surge associada ao Graal, e sobretudo no que aqui estamos a discutir: a obra de Dan Brown. De modo nenhum o Graal se esgota no simbolismo da taça, e de modo nenhum o simbolismo da taça apenas se pode associar ao Graal.
«2- A meu ver a linguagem feminino e masculino não está errada, são dois princípios imutáveis e que estão ligados ao espiritual e material e não espiritual e temporal(não o referi tb).»
Do ponto de vista do Graal, o simbolismo feminino/masculino não faz sentido. Mas, como disse a Mónica, há outros sentidos no uso da taça. Em relação à questão "temporal" ou "material", penso que se entende o que eu quis dizer. Escolhi a palavra "temporal" como antónimo de "espiritual". Acho que, neste contexto, é um antónimo tão legítimo como "material".
«3- Fala-se na lei em vigor hoje em dia da religião cristã e não na lei judaica do tempo em que Jesus andou na terra!»
Jesus foi judeu!
A religião cristã, por muito que Dan Brown diga que é uma invenção de Constantino, começou com Cristo, que era judeu!
«E há que convir que nos dias de hoje tiraria toda a divindade a Jesus se este efctivamente tivesse casado!»
A doutrina é a mesma. Quando diz que isso "tiraria a divindade", fala em termos de opinião pública ou em termos de doutrina?
«No entanto, não pretendo discutir esse tema Bernardo, por uma simples razão, vamos partir pedra e vamos ficar os dois com a opinião que temos agora.»
Não necessariamente. Sempre que mudei uma opinião minha, fi-lo por várias razões, por raciocinio individual, por raciocínio colectivo, pela troca de ideias, etc...
«Pelo que me apercebo o Bernardo é teimoso e curioso, e obstinado nas suas crenças, tal como eu!!»
Certamente! Isso é bom se estiver alicerçado em fundamentos sólidos. Todos nós, em maior ou menor grau, cometemos erros ou imperfeições quando comunicamos. Eu não serei excepção. Queria apenas deixar claro que, quando pareço teimoso, é por força de uma convicção que julgo ser baseada em factos sólidos, e não por uma qualquer teimosia asinina!
Teimar por teimar é para os tolos...
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 11:56 AM
Pois claro que não, se alguém é teimoso porque quer ser teimoso e não vê mais além é pior que um burro com palas nos olhos! Concordo que cometemos erros e não somos perfeitos (como poderia não concordar?) e é mais que óbvio que só comunicando, reflectindo e usando o bom senso e discernimento é que fundamentamos ou alteramos as nossas opiniões/posições ideológicas, religiosas, políticas etc sobre algo.
Não quero que o Bernardo pense que por ter escrito "não pretendo discutir esse tema" estaria a fechar porta ao diálogo, longe de mim; mas... já tive diálogos, discussões, conversas, escritos sobre este tema e vai-se sempre ou quase sempre parar ao ponto de partida!
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 16, 2006 12:11 PM
OK, Mónica.
Gostaria de saber a sua opinião acerca do texto de Guénon que indiquei, e se por acaso conhece este autor e a sua obra.
Não conheço melhor autor moderno a escrever sobre estes temas. Apesar de ter morrido nos anos 50, a sua obra é intemporal.
Só para que entenda que não se trata de um autor católico, falamos de alguém que, tendo nascido católico, se converteu ao Islão a meio da sua vida, tendo-se mudado para o Cairo, onde veio a morrer, com o título de "sheik" e o nome de Abdel Wahid Yahia. Além disso, Guénon foi maçon durante quase toda a sua vida adulta.
A obra de Guénon é uma lufada de ar fresco: aprendi tanto com a sua obra que hoje seria uma pessoa diferente se não a tivesse conhecido.
O principal calcanhar de Aquiles da obra de Guénon (nada é perfeito nesta vida), é a forma incorrecta como este autor trata da questão dos sacramentos católicos. Mas isso levava-nos muito longe... Fica para outro dia!
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 12:17 PM
Carissímo Bernardo,
não ponho rótulos nas pessoas por serem católicos, islamicos, budistas, etc., aceito os outros como gosto que aceitem a minha pessoa, com as qualidades e defeitos que possuo, tal como os demais comuns mortais nesta terra! Por isso não recuso a leitura de qualquer texto. (mas percebo o seu cuidado, devido a incidentes recentes)
Já fui ao seu site e dei a tal "vista de olhos", dado que agora é impossível ler o texto, mas prometo ler com toda a atenção para posteriormente dar a minha opinião sobre o que Guénon escreve no texto.
O nome não me é de todo estranho, mas... possivelmente li ou ouvi algo sobre tal autor.
Sinceros Cumprimentos
afixado por: monica | maio 16, 2006 12:28 PM
Bernardo,
li o texto de Guénon que tem no site, gostei do que li, gosto e dá-me prazer ler textos onde se tenta perceber vários pontos de partida e onde se estuda, sem preterimento, os assuntos tendo em atenção questões que podem ou não estar intimamente ligadas apesar de não fazerem parte da mesma linha ideológica.
Vou tentar encontrar as referências correctas de alguns livros que li sobre este e outros assuntos(para mim claramente ligados), e passá-los a si pois penso que de alguma forma lhe serão úteis.
O Bernardo aguçou ainda mais a minha curiosidade e agora vejo-me obrigada a ir em busca dos livros de Guénon. :) Obrigada
afixado por: monica | maio 16, 2006 01:23 PM
Mónica,
«O Bernardo aguçou ainda mais a minha curiosidade e agora vejo-me obrigada a ir em busca dos livros de Guénon. :) Obrigada»
Não tem nada que agradecer! Estamos totalmente de acordo em relação a manter uma mente aberta e receptiva a dados provenientes de outros referenciais.
Não tenho problemas nenhuns (e digo-o publicamente, mesmo quando falo com padres ou amigos católicos) em afirmar que aprendi muito acerca de doutrina católica com um muçulmano maçon!
Um abraço,
afixado por: Bernardo Motta | maio 16, 2006 03:10 PM
Este post devria chamar-se "Histeria do Tomé". É ver para crer.
PS. Não tenho fé suficiente para ser ateia.
afixado por: fresquinha | maio 16, 2006 06:21 PM
Este post deveria chamar-se "Histeria do Tomé". É ver para crer.
PS. Não tenho fé suficiente para ser ateia.
afixado por: fresquinha | maio 16, 2006 06:21 PM
Este post deveria chamar-se "Histeria do Tomé". É ver para crer.
PS. Não tenho fé suficiente para ser ateia.
afixado por: fresquinha | maio 16, 2006 06:22 PM
O Livro não passa de um Romance histórico, nada mais.
De cientifico não tem nada... só especulação.
Tenho dito.
__
http://lookingtheworldnow.blogspot.com/2006/05/cdigo-da-vinci.html
afixado por: Guerreiro da Luz | maio 16, 2006 08:08 PM
Para passar um pouco à frente, eis uma achega recente a propósito do papel da sexualidade intra-marital:
"Na realidade, eros e agape — amor ascendente e amor descendente — nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral. Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso, ascendente — fascinação pela grande promessa de felicidade — depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará « existir para » o outro. Assim se insere nele o momento da agape; caso contrário, o eros decai e perde mesmo a sua própria natureza. Por outro lado, o homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom."
Autor: Joseph Ratzinger, aka Bento XVI.
Fonte:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
afixado por: João GM | maio 16, 2006 08:20 PM
e agora pergunto, será que não é possivel haver esse amor, esse dar e receber, esse dom maravilhoso do ser humanno sem se estar casado? e sem ser considerado pecado? imoralidade?
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 16, 2006 09:50 PM
lol fresquinha!
afixado por: monica | maio 16, 2006 10:03 PM
Na minha perspectiva, sem estares casada, tens mais hipotéses, Mónica. O dar e receber nem pode ser tão contabilizado, como na maioria dos casamentos. (Ora pago eu, ora pagas tu. Modernices dos casamentos de hoje.)
Quem acha que é pecado ou imoral, que atire a primeira pedra.
é coisa de Igreja Católica ..não ligues)Enquanto não se descobriu que os padres casavam com Deus e com os meninos do bairro e as meninas do convento ...
afixado por: fresquinha | maio 16, 2006 11:47 PM
É um entusiasmado, o Luis Grave. Primeiro foi a cena da promoção do casamento contra-natura, agora deu-lhe para aqui.
afixado por: monty | maio 17, 2006 09:42 AM
bem trata-se mesmo de histeria de massa...nunca vi um texto com tantos comentários...já vamos em 54!!! e agora o tema parece que deixou de ser o Código da Vinci e passou a ser o casamento *r*
afixado por: Rendinhas e Veneno | maio 17, 2006 10:24 AM
bem trata-se mesmo de histeria de massa...nunca vi um texto com tantos comentários...já vamos em 54!!! e agora o tema parece que deixou de ser o Código da Vinci e passou a ser o casamento *r*
afixado por: Rendinhas e Veneno | maio 17, 2006 10:25 AM
Concordo Fresquinha,
hoje em dia o casamento é algo visto como dado adquirido! como se nenhum dos seres que fazem parte de um casal tenham de se esforçar e de se surpreenderem, é a velha questão do dar e receber, sem que um dê mais que o outro. Cada vez mais os casamentos se assemelham a contratos, eu dou isto e tu dás aquilo, eu vou aqui e tu vais comigo.
O ínicio do casamento parece: "vamos passar a uma estratégia de gestão, de negociação"
A questão que coloquei foi devido ao facto do "intra-marital". Quer dizer se eu não encontrar ninguém com quem queria estar junta, tenho de viver uma vida de celibato?? Tenho de renunciar ao mais belo da vida que é o amor, a amizade a cumplicidade entre os seres humanos.
Na minha visão NUNCA NA VIDA JAMAIS!
afixado por: monica | maio 17, 2006 10:29 AM
Rendinha,
não considero uma "histeria de massa", são saudaveis estas discussões, são pontos de vistas de cada um.
E no código fala-se do presumível casamento de Jesus com Maria Madalena! e andamos agora à volta do tema :)
afixado por: monica | maio 17, 2006 10:34 AM
Duvido que isso tivesse acontecido...afinal e aqui entre nós a Maria Madalena era muito falada e arrastava a asa a todos...já dizia a dita cuja no Jesus Christ Superstar "I had so many men before in so different ways....he's just one more"..para quê casar?
afixado por: Rendinhas e Veneno | maio 17, 2006 12:01 PM
lol rendinha! ena conseguiste arrancar primeira gargalhada do dia!
afixado por: monica | maio 17, 2006 12:16 PM
« Quer dizer se eu não encontrar ninguém com quem queria estar junta, tenho de viver uma vida de celibato?? Tenho de renunciar ao mais belo da vida que é o amor, a amizade a cumplicidade entre os seres humanos.»
Mónica,
Quando amamos queremos estar juntos, viver uma vida em comum, de partilha, e por aí a diante... Celibato é "jejum" de sexo, não de amor!
Ó Bernardo,
começo a achar que mais vale escrever prós peixinhos! ;)
afixado por: is@ | maio 17, 2006 05:15 PM
Sra.Isa,
peixinhos????
Eu não estava a falar só de amor, estava a referir-me ao sexo também! e penso que os peixinhos não se casam!
Amar alguém não significa só andar de mãos dadas, nem comtemplar só o pôr-do-sol.
Mas como se costuma dizer, "cada cabeça sua sentença". E penso que sou livre de dizer o que penso sem ter de ler comentários como "Ó Bernardo,
começo a achar que mais vale escrever prós peixinhos! ;) "
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 17, 2006 10:40 PM
Algumas notas ao comentário anterior que é comentário ao anterior:
1.is@ não é senhora, é acrónimo;
2."Amar alguém não significa só andar de mãos dadas, nem comtemplar só o pôr-do-sol." Quem o afirmou?
3. "penso que sou livre de dizer o que penso". Concordo. Eu tb me considero livre para fazer comentários e críticas a frases que em si mesmo contêm contradições.
4."Ó Bernardo,
começo a achar que mais vale escrever prós peixinhos! ;)" era para o Bernardo, não para a Mónica, e não pretendia ser ofensivo!
4. :)
afixado por: is@ | maio 17, 2006 11:26 PM
Ei, calma ! Deixem essas coisas para o Tomé. Alguém viu o Tomé ????
Mónica, ao amor não se renuncia. A não ser que pagues alguma promessa mas aconselho-te outro tipo de promessa. Por exemplo, deixares de comer verduras.
Ninguém, a meu ver, é obrigado a nada. Pode-se viver um amor num apartamento de 3 assoalhadas, às 3ª, 5ª e domingos. E ver o pôr-do-sol de mão dada ou não, nos outros dias. É mais uma questão de negociação. Quanto ao problema do sexo, pois é quando calha e sabe bem. Sem assoalhar (faz mal aos joelhos)...
afixado por: fresquinha | maio 18, 2006 01:51 AM
Fesquinha,
o tomé foi-se, largou a bomba e... pufff, é tipo de pessoas que gostam de dizer mal por dizer.
E tens razão, não devemos andar ao bate boca, sem necessidade nenhuma. :)
Is@,
não levei o comentário como ofensa, posso não ter gostado, mas ofensivo não!
Possivelmente não me fiz compreender da melhor forma ao redigir o 1º comentário sobre amor/sexo, etc., mas adiante.
Cumprimentos
afixado por: monica | maio 18, 2006 10:32 AM
Fugindo ao tema interessou-me ouvir falar no Rene Guenon ou o revoltoso contra o mundo moderno
Mas o Rene Guennon tem uma filosofia antiprogressita quanto baste, defensor da perenidade e do status quo. Rene Guenon pode ser fascinante e foi considerado um mestre, grande mestre para o esoterismo ocidental e para escola tradicionalista, dai talvez um maior conhecimento dele de quem se dedica a estas áreas, mas quanto a mim as ideias são bastante retrógadas, na questão da vida da sociedade mas não pretendo discutir isso, só expressar o meu comentário acerca do assunto. Eu infiro dai algum desconhecimento quanto a sua filosofia ao contrario de outros pensadores. Como os existencialistas que são bastante discutidos e conhecidos. As suas ideias inserem-se nas chamadas filosofias perenes termo usado para uma verdade perene imutável ou universal, a filosofia comum e eterna que esta imanente a todas as grandes religiões mundiais, com as suas místicas ou esoterismos. Derivadas de uma verdade absoluta central, a gnose onde todas se vão alimentar ( isto é bom para o ecumenismo)
A ideia que esta por detrás das filosofias perenes é que a verdade metafísica básica a gnose é una, universal e eterna, a metafísica pura não tem donos, não é paga nem crista é universal, as formas religiosas são um modo de expressão simbólico, as diferentes religiões serão somente diferentes linguagens ou os vários esoterismos que conduziriam a essa gnose que exprimem ou expressam esta verdade única, uma demanda do conhecimento intacto e da perfeição humana. Dizendo Rene Guenon por exemplo em
( Oriente e Ocidente) que nenhuma civilização pode se sentir superior às demais em tudo.
Os apologistas das teorias Guenonianas apressam-se a teorizar que toda a forma tradicional é por definição boa e quanto mais antiga mais validade teria por resistir as sucessivas contestações através das épocas, o que pode não ser verdade mas apenas o manter de um status quo. É a ideia das filosofias da perenidade. Essa suposição Guénoniana tem a ver com uma certa visão mítica do desenrolar histórico da humanidade. Estaríamos em constante declínio moral, social, religioso. É toda uma ideologia, social e politicamente retrógrada. É uma reacção à ideologia dominante e oposta, a do progresso da Humanidade. No entanto a Humanidade ora progride, ora regride, é assim a vida de maneira não linear e não absoluta, e talvez que em questões básicas para o seu desenvolvimento ela continue absolutamente igual como instinto de preservação ao longo dos séculos. Mas contra esta visão do Guenon e seus apologistas podemos opor outra filosofia religiosa. A budista.
(“ Não acredite no que você ouviu, não acredite em tradições porque elas existem há muitas gerações, não acredite em algo porque é dito por muitos, não acredite em afirmações meramente escritas de sábios antigos, não acredite em conjecturas não acredite em algo por força do hábito, não acredite na autoridade de seus mestres e anciãos, somente após a observação e análise quando for de acordo com a razão e condutivo para o bem e beneficio de todos, somente então aceite e viva para isso” Buda)
Mas então então podemo-nos interrogar Como Guénon pensa e ve o mundo? O que o zanga tanto e irrita tanto na modernidade? Quais os motivos do seu não-conformismo?
As filosofias dele são de desilusão criticando a modernidade em todas as suas facetas e desiludido com o caminho que o mundo ocidental tomava, a crise do mundo moderno. Todos estes profetas que vêem um mundo ruir ou de que não gostam vaticinam o Apocalipse. E embora ele detestasse que as suas ideias fossem aproveitadas pela politica corriqueira e detestasse muito da erudição e academicismo. A verdade é que muitas dessas ideias fazem parte de um mundo e de uma ideologia que vigorou na Europa nos anos 30 e foi aproveitada mesmo que ele não quissesse para maior prestigio, pelos monárquicos franceses e espanhóis e pensadores fascistas espanhóis e italianos como Julius Evola. Havendo uma divergência de alguns conceitos entre Evola e Rene, as filosofias por ele defendidas não deixam de se inserir em áreas que pretendem manter um status quo imobilista derivado da tradição, dai que caiam bem em alguns pensadores religiosos ou políticos que tem uma visão da vida elitista, tradicional e não igualitária para todos.
Guennon ao defender que a quantidade pode ser inimiga da qualidade. É contrario as democracias que vigoram no mundo ocidental que procuram dar acesso e igualdade de oportunidade a todos ou seja a nivelação vai ser por uma média não por baixo, se temos um pais de analfabetos e só uma elite instruída a nivelação é só pela elite, mas se letrarmos e instruirmos a população significa que vamos ter mais pessoas instruídas e concorrendo com as elites anteriores. Mas este mundo existiu e pertenceu ao passado. Há quem o considere um gnóstico e um apóstata pelo seu percurso de vida, isto claro no campo religioso.
O que é facto é que Guenon é citado nos sites dos movimentos fascistas (como o orgulho de ser reaccionário). actuais a par de Julius Evola
afixado por: leopard | maio 18, 2006 03:09 PM
Saimos um bocado do tema, hã Leopard? ;)
Mas não queria deixar de dar uma achega:
«O que é facto é que Guenon é citado nos sites dos movimentos fascistas (como o orgulho de ser reaccionário). actuais a par de Julius Evola»
Os fascistas dos tempos modernos, na sua larga maioria, analfabetos manifestos, procuram sempre nomes sonantes para dar uma aparência de intelectualidade à sua patética causa.
Contudo, e apesar de Evola ter sido claramente pactuante com o regime fascista, há um abismo intelectual entre Evola e os mais inteligentes dos actuais líderes neofascistas.
A questão de Guénon é mais simples de resolver: Guénon nada tem a ver com o fascismo, foi grande crítico de Evola, apesar de partilharem de ideias "perenialistas" semelhantes, mas Guénon nunca foi racista nem usou a raça como sinal de superioridade ou inferioridade.
Guénon "batalhava" no campo puramente intelectual. As elites que Guénon defende são elites intelectuais e não raciais...
E isso arruma de vez a questão: Guénon não tem uma gota de fascista nem de racista.
Cumprimentos,
afixado por: Bernardo | maio 18, 2006 03:24 PM
É verdade saímos do tema, eu também não disse que ele tinha a ver com o fascismo, ate disse o contrario que foi aproveitado oportunisticamente, e nunca disse que foi ou defendeu o racismo que tirando certos movimentos específicos do nacionalismo a maior parte não defende mas sim o patriotismo, mas de facto o que a mim me interessa no Rene é o seu método da gnose e de chegar ao conhecimento puro, que eu partilho, e que me foi ensinado quando aprendi o Kant, esta claro não na busca de Deus, quanto a sua ideologia na sociedade para mim esta posto de lado.
Já agora as minhas desculpas por ter saído do tema e
cumprimentos
afixado por: leopard | maio 18, 2006 04:34 PM
Parabéns pelo blog e pelos excelentes artigos, Bernardo.
afixado por: João Dias | maio 19, 2006 07:18 PM
João Dias,
Obrigado!
afixado por: Bernardo Motta | maio 19, 2006 08:21 PM
Vim parar aqui por acaso e devo dizer que voltarei mais vezes...
Muito bem, Bernardo! Continua, lerei o que escreves com regularidade. Prometo
afixado por: Moranguitu | maio 22, 2006 08:47 PM
I actually read the first two or three chapters of Dan Brown's Da Vinci Code. Then I stopped, of course, because he's a very bad writer indeed.
His writing is the dullest, less skilled, most anodyne thing I've come across since I've read the Portuguese Constitution. I know village priests who are more interesting to follow when they moan about moral standards in our modern society; I have aunts who construct more original phrases and general discourse in birthday cards.
Seriously, if I had to choose between the two, I'd go for the Yellow Pages.
You'll tell me it's a matter of taste: no it's not. It's a matter of ignorance. Anyone who read Hemingway, or Waugh, or Amis would agree with me and avoid Brown with a yawn.
But that's the problem, isn't it? No one reads these authors, so Brown is understood to be a writer.
Those who liked it, only show a deep ignorance in Literature and History. His plot puts me to sleep. Even as fiction, it isn't original or exciting, but forget about that: some people even think it isn't fiction at all.
There are so many exciting events and characters in History that could be used for a great novel. But not by Dan Brown, because he doesn't know much about history, does he? And even if he did, he can't write anything apart from a shopping list.
Like Talleyrand. Born an Aristocrat in 1754, his nanny dropped him once in his childhood and he broke his foot. He never fully recovered, which meant he couldn't pursue a career in the army, or in Versailles, as a courtier.
Priesthood then; which he hated. Instead he read Voltaire and no celibacy, please. Talleyrand was always very successful with the ladies. Once, while foreign minister, he dispatched one of his diplomats, M. Delacroix, in a mission abroad. Then seduced Madame Delacroix and they had a child, Eugéne, the celebrated painter who created Marianne leading the revolution with her bare breast.
Exiled from France and then from England, survived for a while in the US, working in Banking, then came back to France; launched Napoleon's career, helped him in the coup which gave him full power over France; saw his fall, unscathed and appeared, uninvited, in the Congress of Viena where he obtained, through diplomatic genius, a very favourable peace treaty for France.
So much material. But no. Mr. Brown goes for some idiotic story about the holy grail and creepy organisations who wish to dominate the world. Who cares?
Copiado do blog Nuno Carneiro
afixado por: trovão | junho 5, 2006 01:32 AM