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junho 27, 2006

O Regresso da Blogosfera ou Vou Ali Já Venho

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Em Portugal cultiva-se a filosofia do eterno retorno, também conhecida pelo regresso eterno. É este nosso lado saudosista que sofre daquilo que já teve e que deixou de ter. Pessoalmente acho que a nossa situação geográfica é a grande culpada nesta questão: impedidos de progredir para dentro por causa dos malditos e persistentes castelhanos, fomos obrigados a fazermo-nos ao mar, com todas as consequências que daí adviram.
Ir para o mar, ir em direcção a uma linha do horizonte inexorável e misteriosa, sem a certeza de que voltaríamos, foi o combustível deste nosso mito do eterno retorno (com as devidas vénias e desculpas a Mircea Eliade, que inventou o termo noutras circunstâncias que um dia terei imenso prazer em escrever aqui). Dizia eu que ir para o mar, com a devida imponderabilidade do vazio e daquilo que desconhecemos, contribuiu para que o regresso fosse algo valorizado e esperado pelos portugueses. O caso mais paradigmático deste eterno regresso é D.Sebastião, cujo regresso num dia de nevoeiro sobreviveu à sua existência e continua válido até hoje. Digamos que este será para sempre o regresso que nós esperaremos. Mas há outros. Nós gostamos que hajam. O regresso de Cavaco Silva e de Mário Soares, por exemplo. Podemos não gostar das figurinhas mas aplaudimos com fervorosa estupidez o seu regresso, porque para os portugueses o regresso é uma espécie de recomeço, de eliminação sumária de um passado que é sempre penoso e para esquecer. O regresso é para nós um reinício onde nunca somos intervenientes, mas sempre espectadores – alguém há-de regressar para mudar as nossas vidas, para nos salvar de nós próprios.

[Humor Negro]

junho 25, 2006

Até poderá ter "existido", mas eu estava a falar de um ponto de vista ontológico


Não gostaste menos do que eu.

A Blogosfera Existiu, Sim Senhor!

Também gostei muito.

A Blogosfera Nunca Existiu

Gostei muito.

Por mil palavras... (país dum catano!)

Portugal.JPG

Estamos a perder o gás.

espuma-redes.jpg
Fotografia: MC

Estamos a perder o gás.
O Devagares ainda não encontrou o seu fil rouge e está emaranhado. Encontrará?
Tenho pena. Dei por mim a ter saudades do Afixe.
Falta qualquer coisa, e essa qualquer coisa que não consigo definir faz toda a diferença.
Alguém me ajuda?
Abraços
Mário

junho 19, 2006

Alka Seltzers Literários

digest
Acho piada aquelas edições digest reescritas por uns tipos que têm um imenso poder de síntese, e cuja função consiste em pegar em duas dúzias de páginas escritas e transformá-las numa única página que significa exactamente a mesma coisa. A existência destes indivíduos suscita-me dúvidas filosóficas sobre o papel dos autores originais da obra: se há indivíduos que conseguem dizer em meia dúzia de linhas aquilo que os tipos que escreveram originalmente disseram naqueles calhamaços monstruosos, tipo o «Ulisses» do James Joyce, é porque há ali imensa palha desnecessária que me faz perder tempo desnecessário. Tempo esse que poderia estar a utilizar para ler outras obras em versão digest. Pensem na quantidade de livros que já leram até hoje e multipliquem por 12 ou por 20 e vejam só o que têm andado a perder porque há gajos que não têm a capacidade de resumir a sua lógica de pensamento.
Eu gostaria de ver o que estes tipos que resumem fariam às coisas que a Margarida Rebelo Pinto escreve. Aquilo é tão fácil de digerir que os livros da senhora se traduziriam em apenas uma frase. Por exemplo:

Sei Lá – Gosto de gajos mas não faço ideia do que é uma relação estável.

Não há Coincidências
– Gosto de gajos mas não faço a mínima ideia do que é ter uma relação estável e excitante.

Alma de Pássaro – Gosto de gajos.

Artista de Circo
– Gosto de gajos do circo e com uma elasticidade fora do normal.

I’m in Love with a Popstar – Gosto de gajos desde que cantem.

Nazarenas e Matrioskas – Gosto de gajos e não tenho jeitinho nenhum para arranjar títulos para os meus livros.

Pessoas como Nós – Gosto de gajos normais (à falta de melhor).

Diário da Tua Ausência – Gosto de tudo o que mexa.

Estão a ver? Já leram oito obras da Margarida Rebelo Pinto em apenas 10 segundos. E agora podem dedicar os vossos próximos 5 minutos a ler todas as obras escritas nos últimos dez anos por tias encalhadas com a ilusão vertiginosa que são escritoras. Não haja dúvida que as versões digest são úteis à brava.


[Humor Negro]

junho 15, 2006

Dias lentos...

Lentos como sombras, os dias escorrem. Teimam em contrariar a mudança e sucedem-se iguais, oscilando entre o matraquear de teclas e os silêncios que me entram em casa por portas e janelas entreabertas. Escorrem cinzentos, dias cor de chumbo, silenciosos e abafados como a chuva envergonhada de hoje.
Tragam-me tempestades, raios e trovões, dias azul eléctrico, noites púrpura, madrugadas súbitas e inesperadas.
Tragam-me velocidade, embriaguez, incertezas, quedas, tragédias, desgostos de amor.
Deixem-me suspensa numa vertigem de abismo, ou quebrada no meio do chão.
Façam-me rir ou chorar como um palhaço.
Tudo menos esta exaustão de tédio.

junho 13, 2006

Mais uma lamentável provocação islamófoba

ballFIFA.jpg

Entre a panóplia de produtos de merchandising do actual "FIFA World Cup", Mundial para os mais íntimos, está esta bola de futebol que certamente foi concebida por algum sionista neo-liberal bushista-sharonesco (acho que não me falhou nenhum adjectivo): como se já não bastasse terem colocado a sacro-santa Arábia Saudita no mesmo grupo da mui católica Espanha, potência ocupante do Al-Andaluz, ainda tiveram o atrevimento de conceber um esférico em que o estandarte daquela, decorado com as luminosas palavras do Profeta, surge entalado entre os pavilhões de Israel e da Dinamarca. Se isto não é estar a brincar com coisas sérias...

junho 10, 2006

Blogspot! Here I go!

Não consigo publicar no "de vagares...", under my nick.

Também não me é permitido publicar imagens "under this nick".

Nem sequer tenciono preocupar-me muito com o "problema", afinal, o blogger está mesmo ali.

Decididamente, isto sem o Paulo Querido não é a mesma coisa. Terça-feira, caso o problema não esteja resolvido, mudamos para aqui.

Afinal, até é de borla!

Um aviso basta. É a velha questão do cliente (e que cliente!) ter sempre razão!

E se há coisa que eu preciso é de um desafio!

aeio-quê?

[Monty]

junho 09, 2006

O papiro não engana: é fazer a conta!

beastpapyrus1.jpg

Se isto é verdade, o sacaninha já nasceu em Janeiro! É mesmo coisa do inimigo: andou tudo lorpa à conta de um seis a mais e entretanto o puto até já anda, deixou as papas, ataca na sopa de repolho e lê Saramago!

junho 08, 2006

6,66 *

The_thin_line_between_the_Twilight_and_the_Light.jpg


All Nature is but Art, unknown to thee;
All chance, direction, which thou canst not see
All discord, harmony not understood,
All partial evil, universal good:
And, spite of pride, in erring reason's spite,
One truth is clear, whatever is, is right.

Alexander Pope (An Essay on Man)

[Quadro de Luis Formaiano - The thin line between the Twilight and the Light]


* 6,66 é a besta à venda...com desconto incluído

junho 06, 2006

Onde estava Deus?


(Fonte: Fox News)

Luís Grave Rodrigues revolta-se, muito chocado com as questões colocadas por Bento XVI durante o discurso que pronunciou em Auschwitz, no passado dia 28 de Maio.
Não é o único: a grande maioria da comunicação social revoltou-se com estas questões. Comentadores discorreram em torno desta citação do Papa, tantas vezes repetida:

«Onde estava Deus naqueles dias? Porque ficou Deus silencioso? Como pode Deus permitir este infindável massacre, este triunfo do mal?»

Um leitor mais distraído poderia pensar que Bento XVI teria ficado sem resposta. Que Bento XVI, de alguma forma, ignorando a resposta à sua pergunta de retórica, teria atirado a culpa da Shoa para Deus.
Ora sucede que o discurso do Papa foi ligeiramente mais longo do que aquilo que foi notificado pela Imprensa. É bem sabido que uma frase fora do contexto permite dar largas às mais fervilhantes imaginações. Sobretudo quando queremos, à viva força, encaixar os factos, espremer as curtas e cortadas palavras de outrém, nas nossas precipitadas conclusões já formuladas a priori dos acontecimentos que queremos comentar.
Foi o que sucedeu, julgo eu, como Luís Grave Rodrigues: comentou largamente um discurso do qual apenas tinha lido uma frase. O que é uma pena para si e para os seus leitores, que assim apenas tiveram acesso a uma frase do Papa fora de contexto e a uma série de comentários que não vinham a propósito por ignorarem o texto completo do discurso papal.
Porque há que informar, e informar de modo sério, vejamos o texto integral, que está perfeitamente acessível no site do Vaticano.
Versão em Inglês
Versão em Italiano

Férias Lusas

ferias lusas
Não há nada mais exasperante do que ir de férias para um sítio recheado de portugueses. Depois de 18 anos a levar com portugueses no Algarve prometi a mim mesmo passar as minhas férias, para o resto da minha vida, fora de Portugal. A maior parte das vezes consigo viajar para sítios sem tugas. Outras vezes não tenho essa sorte, e já sei a sorte que me espera:

No Avião para Lá

Para parecerem muito modernos e muito rodados na onda de viajar de avião, os portugueses comportam-se como se estivessem num autocarro de carreira em hora de ponta. Andam de um lado para o outro de pé. Encostam-se à cadeira de quem calhar. Sentam-se nos braços da cadeira ao seu lado. Gritam ruidosamente para manter uma conversa com a excursão de amigos e amigas que viajam com eles, sentados em pontos opostos do avião. E naqueles vôos de longo curso, onde o que eu só quero é dormir para não sentir a viagem passar, passam a noite excitadinhos que nem uma criança à espera do Pai Natal, e a beber que nem uns javardos. Gosto particularmente da fase da aterragem, onde todos batem palmas como se estivessem num circo.

No Pequeno Almoço do Hotel

Distinguir um português em férias antes de ele abrir a boca é um exercício penosamente elementar. Podemos distingui-los pelo belo calçãozinho de banho com padrão príncipe de gales, acompanhado pelas chanatas, ou pelo sapatinho de vela com peúga de cor variada, dependendo do seu grau de sofisticação social. Mas se porventura já aprenderam a vestir-se decentemente há uma coisa que não falha: a quantidade inacreditável de comida que, no buffet, conseguem transportar nos pratos. E a quantidade de vezes que repetem. Se não repetirem 3 vezes é porque estão com azia da viagem.

Na Praia
Aqui continua ser fácil porque se comportam como se estivessem na Caparica: berram que nem uns desalmados, levam um lanchinho proveniente do pequeno almoço, e estão sempre acompanhados por uma bola de futebol que insistem em chutar para cima dos outros (mais por falta de jeito do que intencionalmente). Os que não levam bola passam o dia a chafurdar dentro de água, a dois metros da areia, numa actividade que consideram tratar-se de snorkelling.

No Comércio Local

Não compram nada que não seja muito bem regateado. Não interessa nada se estão a regatear preços miseráveis. De calculadora na mão, estão dispostos a negociar 5 cêntimos para orgulhosamente acharem que não só não foram enganados, como enganaram o pelintra que estava a vender o pechisbeque para comer a sua refeição diária. Claro que neste processo a chinfrineira é mais que muita...

No Avião de Volta

Regressam normalmente decorados com os artigos locais: o chapéu de palha ou feito com folha de palmeira pelo barman do hotel; a camisinha às flores; a t-shirt alusiva tipo «Yo estube en Varadero»; O cabelinho entrançado à lá nativa; a tatuagem temporária no braço; todos com um bronzeado excessivo, próximo da insolação, meio inchados do sol e da bebida. O seu comportamento dentro avião é um remake do que fizeram à ida.

Felizmente tenho um agente de viagens que me compreende. Quando me vê chegar para comprar as minhas férias, diz sempre: «já sei onde é que não vai passar férias este ano».

[Humor Negro]

junho 04, 2006

Não é todos os dias...

Bandeira Montenegro.png

Um novo País, embora uma nação já antiga e com muitas tradições.
Um toque de Tintim - será aqui a Sildávia?
Que tudo corra bem, pelo menos melhor do que em Timor ou noutros novos países onde grassa a incompreensão, o desperdício ou a falta de vontades, a vários níveis.
O Montenegro já tem o €. O resto virá, se eles (e nós) quisermos.
Parabéns aos montenegrinos, neste dia único!

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