A aritmética do olvido e do horror
Portugal Diário: O embaixador [do Irão em Lisboa] diz que «há muito por contar» e que ele próprio esteve em Auchwitz e fez «as contas». «Para incinerar seis milhões de pessoas seriam precisos 15 anos, por isso há muito que explicar e contar».
Ora, segundo as contas deste senhor, a capacidade de uma incineradora "reduz-se" a 1095 pessoas por dia, mais falangeta menos falangeta (confesso que não ponderei os anos bissextos).
A confrontar:
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A report from Himmler to Hitler, tallying the executions of 363,211 Jews in Nazi-occupied regions of the Soviet Union between August and November of 1942. Source: Hitler and the Final Solution, G. Fleming, University of California Press, Berkeley, 1984.
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A letter from SS-Sturmbannführer Jahrling to SS-Generalmajor Kammler, specifying the cremating capacity of the five Auschwitz crematoriums as 4,756 per 24 working hours. Source: Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers, J.C. Pressac, The Beate Klarsfeld Foundation, New York, 1989.
Sem esquecer outros métodos:
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A mass grave at the Bergen-Belsen concentration camp. Source: National Archives, College Park, Maryland.
Fonte: Holocaust Photo Archive Index
Entretanto, a latere ou talvez não, vide aqui a poderosa reacção do nosso Governo à crise internacional aberta pela publicação dos cartoons sobre Maomé; e, agora sem ironias, a clarividente análise de Constança Cunha e Sá sobre a dita reacção. Reacção? Silly me!
Alguém quer acrescentar alguma coisa?

Comentários
Se me permite, JC, gostaria de acrescentar que os senhores do Irão têm um death wish qualquer. Pessoalmente acho que a malta do médio oriente se reveza para levar porrada: tivemos o Ayatolah Khomeni, depois foi a vez do Muhamar Kadafhi, por sorteio saiu a seguir o Sr. Saddam, e agora que não há ninguém, apareceu um senhor no Irão com pretensões de stand up comediant, com um humor ao nível do nossos stand up comediants nacionais.
Era só o que queria acrescentar. Com licença.
afixado por: humor negro | fevereiro 15, 2006 12:47 AM
Algo vai mal no reino de Portugal quando somos elogiados por facínoras...
Para mim, a maior prova de que Freitas meteu, mais uma vez, a pata na poça está na reacção positiva e tragicamente amigável do embaixador iraniano...
Antigamente, em Diplomacia, falava-se em palavras como "negociação", e outras congéneres. Hoje, a palavra do dia, para os "combatentes da paz", passou a ser "subserviência".
Perante os exageros recentes, eu que comecei por falar contra a islamofobia, começo a fartar-me da "terroristofilia" dos nossos governantes.
afixado por: Bernardo | fevereiro 15, 2006 09:38 AM
Os nossos intelectuais com alguma referência na comunicação social dizem por exemplo: citando um.
(Partindo de um artigo em que defende que os entorses a liberdade de expressão no ocidente são um resultado directo da II guerra mundial em que se criminaliza os fascismos nazismos, não se criminalizando outros factos como o totalitarismo soviético, criminaliza-se o ódio rácico mas não o ódio de classe.) Conclui depois,
“ No meu entendimento de liberdade de expressão, cabe o revisionismo” negacionista, uma pseudo historia que nega o holocausto, criminalizado em vários países, e cabe o direito a ter opiniões xenófobas, racistas e a propaganda nazi. Lamento desiludir os puristas, do politicamente correcto, mas para mim a liberdade de expressão destina-se a proteger o direito de outrem a apresentar os seus pontos de vista, por muito ofensivos, miseráveis, violentos que me pareçam. No limite esta é a salvaguarda última da minha liberdade.”
Pode não ser só apresentar os pontos de vista. É manipular dados informação, manipular factos históricos, manipular a ignorância no sentido de a cativar para o nosso lado.
Mas isso é perigoso quando mexe com valores que contribuem para a desagregração de uma sociedade, mais perigoso que uns inúteis e gratuitos cartoons.
No entanto como há quem defenda que a liberdade de expressão não tem limites, nem os constantes no código penal nem na filosofia do direito. Temos que concluir que somos uma geração avessa ao direito.
Já fiz aqui comentários contra esta posição de liberdade, mas se acham que deve ser assim qual o problema em o homem dizer isso? Esta no seu direito ele acha que os factos históricos estão errados se conseguir reescrever a historia e conquistar o maior número de adeptos possíveis ate mudara retrospectivamente o rumo da historia. Do holocausto e do nazismo. Grandes “historiadores” que há no Irão
Partilho da opinião do Prof. Adriano Moreira que se resumia mais ou menos a isto, a ignorância das massas esta a ser instrumentalizada.
Quanto aos nossos governantes, e os outros da Europa??? Claro que ao contrário de muitos fazedores de opinião e da imprensa que queriam ver uma espécie de confronto, optaram por uma estratégia de apaziguamento, não só na Europa mas também na América. EUA
Claro que o Freitas do Amaral não é ingénuo, a ponto de não saber os actos de terrorismo e movimentações dos terroristas no ocidente, (ainda há pouco a policia portuguesa prendeu um holandês que se diz ligado ao terrorismo, a policia londrina há dias prendeu um religioso que se dedicava a apoiar o terrorismo, esta é a verdadeira luta a travar mas que é silenciosa e ninguém vê.) Mas Freitas do Amaral esta a falar para os seus congéneres árabes moderados de modo a lançar pontes de concórdia e por fim a violência, estará a errar? Então o ocidente ( governos ) esta a errar todo em conjunto, ao não radicalizar logo o problema. Só que há uma mentalidade no ocidente que acha que não se deve fazer isto. E qualquer passo dado no sentido de estabelecer concórdia com estados muçulmanos é interpretado como submissão, género Europa O - Islão 1. ou já estamos a perder esta guerra, mentalidade de perder ou ganhar, mas não de viver lado a lado com as suas diferenças.( não com as diferenças dos terroristas)
No entanto a doutrina da coexistência pacifica evitou os conflitos directos na guerra fria
Entre EUA e URSS. ( se um para vencer o outro implica a eliminação dos dois, então vamos viver cada um no seu mundo), vem dai a geopolítica de blocos cada um tentado conseguir para a sua orbita o maior número de países satélites. Ate a queda do muro de Berlim.
Os Belicistas dizem e recorrem sempre ao exemplo clássico, do primeiro ministro britânico Chamberlain e Hitler na década de 30. A doutrina do apaziguamento, na pré II Guerra Mundial. Que deixou livre iniciativa de rearmamento a Alemanha e sua preparação para a guerra por inércia das democracias ocidentais e tem razão, mas neste caso estamos a falar de estados. ( o facto de os EUA quererem por fim ao problema do nuclear do irão é um passo positivo no sentido de por fim a um possível rearmamento ) o que vem demonstrar que não se esta a dormir nos assuntos de facto importantes.
Chamberlain era de facto um pacifista humanista e lutou pela paz ate ao fim, procurando evitar todas as calamidades que a guerra veio a causar, até a sua substituição, por Churchill. O problema do Chamberlain como uma pessoa humanista, foi em considerar que estava a dialogar com um antagonista, que seria um ser “humano”, respeitador de tratados. E esse foi o seu problema, não distinguir logo um “animal” do outro lado.
O animal aqui são os terroristas e alguns estados que estão sob vigilância.( Irão, Coreia Norte ) Mas nenhum estado esta a negociar com isto.
afixado por: leopard | fevereiro 15, 2006 10:35 AM
O actual presidente do Irão quer mas não quer, ser confrontado com a sua responsabilidade no envio de crianças iranianas para a frente de guerra contra o Iraque nos idos anos oitenta. Iam a saber das virgens lá ao fundo nos campos minados. Pum, já cá canta um. Pum, já lá foram dois. Sigam, sigam em frente pois. E o embaixador? também lá esteve, ou não? Faça contas às minas, faça contas aos meninos, faça de conta que não tem nada a contar, faça de conta que não tem nada a explicar. De certeza que o Hitler não deixava tudo por queimar nem ele por revelar. De certeza há mães e pais que no Irão agradeceriam ao Mundo um ponto de atenção no percurso libertário desses..."governantes de o Reino de Ormuz".
afixado por: João Ribeiro | fevereiro 15, 2006 04:47 PM
No que toca a exageros, ninguém bate os judeus nem os muçulmanos no papel de vítimas coitadinhas.
O que mais me preocupa actualmente não é apurar a verdade sobre o holocausto, mas os tempos que se aproximam. Vamos ter guerra, é mais que certo. Só me resta uma dúvida inquieta: Que tipo de guerra ?
afixado por: Hopelandic | fevereiro 16, 2006 01:36 PM
qual guerra qual nada, analise um bocado os factos e não a propaganda, guerra so se for no irão, como no iraque
afixado por: leopard | fevereiro 16, 2006 03:08 PM
lol !
afixado por: Hopelandic | fevereiro 16, 2006 04:37 PM