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Match Point

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Chloe ama Chris que ama Nola. Chris é o modelo do rapaz humilde encravado na luta entre classes da sociedade Inglesa. À conta de dar aulas de ténis ao menino rico Tom, converte-se em alpinista social e conquista os favores da irmã Chloe. É o genro perfeito. Os sogros amparam-no: antes a menina caír nas graças de um pobre rapazinho Irlandês que até gosta de ópera e lê Dostoievsky do que nos braços de um provável artista pós-moderno subsidiado agarrado à heroína. Mas Nola, que anda com Tom e depois deixa de andar, é Scarlett Johansson, nada a fazer, Chloe não tem hipótese: a Scarlett tresanda de boa, especialmente à chuva e em movimento. Chris vive obcecado com Nola, é Nola antes de almoço, é Nola entre um take-over e uma merger nas reuniões da tarde, é Nola antes da novela da noite, enquanto a legítima esposa anda um bocado aos papéis e vai mastigando o termómetro em busca do tempo perdido pra conseguir ser fertilizada e conceber vida. O caldo entorna-se quando Nola desata a fazer exigências, porque sim e porque tal, que não aguenta mais ser a outra e que até já concebeu vida. Quase adormeço: a gaja que me segura o balde das pipocas dá-me uma cotovelada! Recobro os sentidos com Chris a entrar em parafuso entalado na dicotomia Hot Sex / Nice Life: a Scarlett não é de se deitar fora, mas um loft com vista pró Tamisa e Westminster em fundo de cena também não é coisa que se arranje todos os dias. Suspense, horror, tragédia: Nola tem de morrer! Entra a Traviata - Un di' Felice Eterea, Alfredo canta para Violetta

Un dì, felice, eterea,
Mi balenaste innante,

E vai o Chris e baleia mesmo, com cartuchos de caçadeira. Ai Bruto! - Pum! Ou melhor, PUM PUM, dois tiros, porque há uma velha que tem de morrer primeiro.

Pelo meio, Alfredo não se cala

E da quel dì tremante
Vissi d’ignoto amor.
Di quell’amor ch’è palpito
Dell’universo intero,
Misterioso, altero,
Croce e delizia al cor.

No fim, o escroque safa-se porque Woody Allen não é moralista como Dostoievsky.

Se isto é o melhor filme do Woody em dez anos, como repetem tantos críticos, eu vou ali e já venho.

Comentários

Mas tu agora vais ao cinema? Já é a segunda vez num ano. Que novidade é essa?

engraçadinho!

Do mal o menos, já arranjaste uma gaja para te segurar as pipocas. Aliás, quase aposto que vais lá só para te alambazares (com as pipocas, claro).

Não sejas mauzinho... o assassinato é exagerado mas a importância da sorte no destino está bem representada. Ultimamente o woody alen só tinha feito filmes da treta, para encher o bolso à custa da fama.

olha: e ela segura bem nas pipocas? :D

Sim, de facto esse é o pedaço de informação mais interessante: como é que ela segura nas pipocas? ; )
(E já agora obrigada por me poupares €8,50 num bilhete de cinema)

M.:
Eu não pensaria a sim, o nosso amigo pode ser tudo de bom, mas apreciador de cinema, não sei. Tenho muitas dúvidas. ;) E não te esqueças das pipocas. ;)

Pois Monty, mas eu não tenho quem me segure nas pipocas, nem me dê cotoveladas se eu adormecer.
Não sei se vale a pena arriscar...

Eu tenho uma relação estranha com o cinema. Tirando merdas como "King Kong", e outras porcarias do género para mentes ainda em maturação, gosto de practicamente todos os filmes que vejo.
É um defeito meu!
Posso dissertar horas sobre se era um bom filme ou não, mas o facto é que gosto de muitos filmes que não são grande coisa. Apenas porque me divertem.
Sou totalmente imune às críticas, por isso, até penso "Woody Allen, quem é esse gajo?" quando vejo um filme dele (ou de qualquer outro realizador elevado ao estrelato pelos media). Gosto de todos os filmes que não sejam um atentado à inteligência. Posso não gostar de filmes que pretendem ser inteligentes, mas isso é outra conversa.
Sinceramente, nunca vi grande genialidade no Woody Allen. Quando vejo os filmes deles, que são quase todos iguais, costumo rir-me bastante, mas nunca os escolheria na minha lista dos 500 filmes favoritos. Por outro lado, este "Match Point" é uma lufada de ar fresco na monotonia "Woodiana". Gostei do filme. Não me ri nada, mas divertiu-me.
E ponto final!

PS: Tens jeitote para fazer crítica de cinema, Gibel! É uma bela síntese, esta que aqui fizeste. E numa altura em que já toda a gente viu, não há perigo de estragar a surpresa a ninguém... Faz mais, pá!

Ah, e quando estrear, lá para o verão, o "Código da Vinci", lá estarei, pois claro!
Mas já por outras razões... de "estudo"! ;)

Os meus meninos e meninas estão muito graciosos :), mas ninguém comentou o assunto da posta, isto é, o tema de fundo.

Eu não pus em causa que o filme divirta e seja engraçado, com um desenlace interessante sobre o valor da sorte na vida. Por isso, M. não deixes de ir ver. Não é é um grande filme à medida do que a crítica tem falado.

Mas já agora, o menino Monty que percebe mais de cinema do que eu, admito, não quer mandar os bitaites dele e falar sobre o filme em lugar de estar a comentar sobre quem me segura o balde das pipocas, hã? :)

Vou ver este fim de semana, sem pipocas, que sou um fundamentalista, mas com gaja.

Bernardo,

tens de escrever uma posta sobre a última notícia do "Código": parece que a Opus Dei americana exigiu alguns cortes na montagem do filme, e parece que a produtora anuiu. Quid juris? :)

Óbvio: toda a gente sabe que um filme é apenas uma história. Se a história é má, logo o filme é mau.

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