Sem título
A primeira vez que o meu filho mais velho reagiu a uma obra exposta numa galeria de arte foi há alguns anos, numa exposição de fotografias de Gérard Castello-Lopes. Já tinha demonstrado o seu apreço ou mera aprovação condescente em outras ocasiões. Desta vez a sua atenção foi demorada. Sentou-se no chão e ficou a olhar em frente, sem tempo.
A imagem que o cativou, alterando-lhe o semblante (naquela manifestação de olhar fixo e, simultaneamente, perdido), representava um vidro molhado.
Lembrei-me disso porque me ocorreu que uma das grandes mudanças que senti, quando viajei de um país quente para um país temperado, foi a descoberta da chuva. Que me deixava horas a olhar e a desenhar com os dedos sobre vidros embaciados. A tentar perceber uma ordem nos pingos interrompidos pelo ocasional sulco de uma gota.

Comentários
Dirias então que... a sensibilidade passou de mãe para filho? ;)
afixado por: Bernardo | março 14, 2006 10:00 PM
ai que o Vicente não aguenta con tanto insulto
http://aindamaisescuro.blogspot.com
afixado por: Chapéu Cinzento | março 14, 2006 11:35 PM
Realmente ... deve ser do e-Clips ....Que falta de sensibilidade, Chapéu ...
afixado por: fresquinha31 | março 15, 2006 12:15 AM
bernardo, creio que é comum a todas as crianças. o fascínio por fenómenos que chamam a nossa atenção. :)
chapéu, cinzento.
fresquinha31, esse teu número intriga-me sempre. :)
afixado por: susana | março 15, 2006 01:48 AM
POis ... o número é um ganda 31 ... Meto-me em 31's, o que é que queres ? Agora passei só a fres-cota, dado o avanço da idade ...
Devo dizer-te que adoro ler-te. Parabéns !
afixado por: fres-cota | março 15, 2006 04:05 AM
Pois ... o número é um ganda 31 ... Meto-me em 31's, o que é que queres ? Agora passei só a fres-cota, dado o avanço da idade ...
Devo dizer-te que adoro ler-te. Parabéns !
afixado por: fres-cota | março 15, 2006 04:05 AM
«bernardo, creio que é comum a todas as crianças. o fascínio por fenómenos que chamam a nossa atenção. :)»
Não é isso, Susana!
É o facto de ele se ter interessado pelo mesmo fenómeno que tu, quando descobriste o fascínio das gotas de água! ;)
Acho extremamente curioso que certos interesses passem de pais para filhos. E não acredito que seja por via genética!
afixado por: Bernardo | março 15, 2006 10:31 AM
Realmente o teu filho demonstra uma sensibilidade pouca comum na raça masculina....os homens são incapazes de se prender em pormenores desses
afixado por: Rendinhas e Veneno | março 15, 2006 11:35 AM
O titulo poderia ser:
“Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha”
William Shakespeare
afixado por: leopard | março 15, 2006 11:39 AM
sim, bernardo, mas eu estava a presumir que todas as crianças, com o tempo necessário, ficam fascinadas com a chuva nos vidros. tu não ficavas?
ó rendinhas e venenos, tenho que te apresentar a alguns!
há sempre, leopard.
afixado por: susana | março 15, 2006 12:08 PM
Fez-me lembrar a primeira vez que reagi a uma obra de arte. Tinha 3 anos segundo me dizem, e ela umas pernas até ao pescoço. Húngara, segundo diz o meu pai.
afixado por: Humor Negro | março 15, 2006 12:35 PM
«tu não ficavas?»
Sim! Ficava, é verdade... Será que é uma coisa universal?
afixado por: Bernardo | março 15, 2006 01:20 PM
É natural essa reacção caro humor negro....eu nunca vi umas pernas até ao pescoço mas que apanhava um cagaço daqueles....apanhava (risinhos)
afixado por: Rendinhas e Veneno | março 15, 2006 02:40 PM
Olha Susana...esqueci-me do meu..esse realmente prende-se por pormenores demais infelizmente....
afixado por: Rendinhas e Veneno | março 15, 2006 02:41 PM
Rendinhas e Veneno:
"Realmente o teu filho demonstra uma sensibilidade pouca comum na raça masculina....os homens são incapazes de se prender em pormenores desses"
Será que é mesmo sensibilidade?
Ou será que os Homens são mesmo incapazes de se prender em pormenores desses?
afixado por: Xelb | março 15, 2006 04:43 PM
Não tenho resposta para as questões que colocas, normalmente os homens têm uma visão demasiado prática da vida para se perderem nesses pequenos detalhes...nem sequer reprovo isso, se fossemos todos iguais era uma pasmaceira terrível....depois ainda temos a questão da memória selectiva que fixa o essencial e esquece os pormenores...normalmente o que nos acontece a nós mulheres é fixar os pormenores e esquecer o essencial...daí a minha supresa em relação ao comentário feito pela Susana....
afixado por: Rendinhas e Veneno | março 15, 2006 05:17 PM
fresquinha, obrigada! (qual fres-cota, sempre fresca!)
humor negro, chegaste a estabelecer relações internacionais com a mulher sem tronco? e os braços, como eram? saíam do pescoço? e tinha rabo, ou era de ligação directa? ;)
acho que sim, bernardo, ou quase. :)
xelb e rendinhas, dado que a fotografia foi feita por um homem e era um proto-homem quem a apreciava, creio que essas perguntas ficam respondidas... :)
afixado por: susana | março 15, 2006 08:14 PM
Não Susana... o meu vocabulário na altura era reduzido e o domínio de linguas estrangeiras inexistente. Limitei-me só a tomar muita atenção, que é o que um gajo pode fazer naquela circunstância quando tem 3 anos de idade. ;-)
afixado por: humor negro | março 15, 2006 08:19 PM
Não se deve julgar um homem pelas suas qualidades, mas sim pelo uso que faz delas.
afixado por: Rendinhas e Veneno | março 16, 2006 09:25 AM
Ai que bom que é voltar à infância... ai ai... ;)
afixado por: Hopelandic | março 17, 2006 11:53 AM
Lembrei-me - muito assim por acaso ---do filme "Mentes Brilhantes" sobre a vida do Prof. John Nasch. Impressionante o poder da chuva sobre um vidro ...
afixado por: fres-cota | março 18, 2006 06:11 PM
Coisas simples :
http://www.sandfantasy.com/videoclips/videoclips.htm
afixado por: fresquinha | março 19, 2006 02:29 AM