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Sem título

A primeira vez que o meu filho mais velho reagiu a uma obra exposta numa galeria de arte foi há alguns anos, numa exposição de fotografias de Gérard Castello-Lopes. Já tinha demonstrado o seu apreço ou mera aprovação condescente em outras ocasiões. Desta vez a sua atenção foi demorada. Sentou-se no chão e ficou a olhar em frente, sem tempo.
A imagem que o cativou, alterando-lhe o semblante (naquela manifestação de olhar fixo e, simultaneamente, perdido), representava um vidro molhado.
Lembrei-me disso porque me ocorreu que uma das grandes mudanças que senti, quando viajei de um país quente para um país temperado, foi a descoberta da chuva. Que me deixava horas a olhar e a desenhar com os dedos sobre vidros embaciados. A tentar perceber uma ordem nos pingos interrompidos pelo ocasional sulco de uma gota.

Comentários

Dirias então que... a sensibilidade passou de mãe para filho? ;)

ai que o Vicente não aguenta con tanto insulto
http://aindamaisescuro.blogspot.com

Realmente ... deve ser do e-Clips ....Que falta de sensibilidade, Chapéu ...

bernardo, creio que é comum a todas as crianças. o fascínio por fenómenos que chamam a nossa atenção. :)

chapéu, cinzento.

fresquinha31, esse teu número intriga-me sempre. :)

POis ... o número é um ganda 31 ... Meto-me em 31's, o que é que queres ? Agora passei só a fres-cota, dado o avanço da idade ...
Devo dizer-te que adoro ler-te. Parabéns !

Pois ... o número é um ganda 31 ... Meto-me em 31's, o que é que queres ? Agora passei só a fres-cota, dado o avanço da idade ...
Devo dizer-te que adoro ler-te. Parabéns !

«bernardo, creio que é comum a todas as crianças. o fascínio por fenómenos que chamam a nossa atenção. :)»

Não é isso, Susana!
É o facto de ele se ter interessado pelo mesmo fenómeno que tu, quando descobriste o fascínio das gotas de água! ;)
Acho extremamente curioso que certos interesses passem de pais para filhos. E não acredito que seja por via genética!

Realmente o teu filho demonstra uma sensibilidade pouca comum na raça masculina....os homens são incapazes de se prender em pormenores desses

O titulo poderia ser:
“Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha”
William Shakespeare

sim, bernardo, mas eu estava a presumir que todas as crianças, com o tempo necessário, ficam fascinadas com a chuva nos vidros. tu não ficavas?

ó rendinhas e venenos, tenho que te apresentar a alguns!

há sempre, leopard.

Fez-me lembrar a primeira vez que reagi a uma obra de arte. Tinha 3 anos segundo me dizem, e ela umas pernas até ao pescoço. Húngara, segundo diz o meu pai.

«tu não ficavas?»

Sim! Ficava, é verdade... Será que é uma coisa universal?

É natural essa reacção caro humor negro....eu nunca vi umas pernas até ao pescoço mas que apanhava um cagaço daqueles....apanhava (risinhos)

Olha Susana...esqueci-me do meu..esse realmente prende-se por pormenores demais infelizmente....

Rendinhas e Veneno:
"Realmente o teu filho demonstra uma sensibilidade pouca comum na raça masculina....os homens são incapazes de se prender em pormenores desses"

Será que é mesmo sensibilidade?
Ou será que os Homens são mesmo incapazes de se prender em pormenores desses?

Não tenho resposta para as questões que colocas, normalmente os homens têm uma visão demasiado prática da vida para se perderem nesses pequenos detalhes...nem sequer reprovo isso, se fossemos todos iguais era uma pasmaceira terrível....depois ainda temos a questão da memória selectiva que fixa o essencial e esquece os pormenores...normalmente o que nos acontece a nós mulheres é fixar os pormenores e esquecer o essencial...daí a minha supresa em relação ao comentário feito pela Susana....

fresquinha, obrigada! (qual fres-cota, sempre fresca!)

humor negro, chegaste a estabelecer relações internacionais com a mulher sem tronco? e os braços, como eram? saíam do pescoço? e tinha rabo, ou era de ligação directa? ;)

acho que sim, bernardo, ou quase. :)

xelb e rendinhas, dado que a fotografia foi feita por um homem e era um proto-homem quem a apreciava, creio que essas perguntas ficam respondidas... :)

Não Susana... o meu vocabulário na altura era reduzido e o domínio de linguas estrangeiras inexistente. Limitei-me só a tomar muita atenção, que é o que um gajo pode fazer naquela circunstância quando tem 3 anos de idade. ;-)

Não se deve julgar um homem pelas suas qualidades, mas sim pelo uso que faz delas.

Ai que bom que é voltar à infância... ai ai... ;)

Lembrei-me - muito assim por acaso ---do filme "Mentes Brilhantes" sobre a vida do Prof. John Nasch. Impressionante o poder da chuva sobre um vidro ...

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