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The greatest cover-up in History

Desculpem-me a insistência, mas este material hilariante continua a chegar à minha caixa de correio todos os dias, e a tentação é demasiado forte! Para aqueles que ainda não estão fartos, há ainda muito para rir com toda esta história.

A 28 de Março de 2006 é lançado no mercado o novo livro de Michael Baigent:

Chama-se The Jesus Papers, sub-intitulado Exposing the Greatest Cover-Up in History. O livro é apresentado assim:

What if everything you think you know about Jesus is wrong? In The Jesus Papers, Michael Baigent reveals the truth about Jesus's life and crucifixion. Despite -- or rather because of -- all the celebration and veneration that have surrounded the figure of Jesus for centuries, Baigent asserts that Jesus and the circumstances leading to his death have been heavily mythologized.

Já não sei quem é que plagia quem, porque n'O Código da Vinci, Dan Brown escreve, a certa altura:

Everything our fathers taught us about Christ is false.

Mas é ou não curioso que aquele que a comunicação social apelida de "historiador", em pleno processo de plágio contra Dan Brown, venha aproveitar a oportunidade para lançar um livro novo, e sobre Jesus Cristo? As grandes livrarias já registaram um aumento impressionante das vendas do livro do trio, O Sangue de Cristo e o Santo Graal (1982), obra que segundo os autores Baigent e Leigh, foi plagiada por Dan Brown.
Também divertida é esta entrevista recente dada por Umberto Eco à comunicação social italiana, na qual ele relembra que as verdades históricas não estão sujeitas a copyright. Diz Eco que, ironicamente, o processo que Baigent e Leigh lançaram contra Dan Brown é uma confissão de que são autores de fantasia, porque essa sim poderá não ser de domínio público. Eco termina com uma piada amarga, comparando os entusiasmados crentes d'O Código da Vinci aos eleitores de Berlusconi...

Comentários

O comentário que vou fazer não é um comentário é mai um suspiro de alívio por saber que há quem seja pior que nós portugueses....uffff (suspirinho de alívio) então não é que o Bush resolveu entregar a uma companhia dos Emiratos Árabes Unidos o controlo dos portos americanos? tarefa essa, diga-se de passagem, até ao momento entregue a uma companhia americana....claro que todos nós sabíamos a secreta admiração que eles nutre pelos Árabes, agora que os deixasse brincar à batalha naval com os americanos é que não esperávamos....enfim...será que ele tem o desejo secreto de se transformar num Rudolfo Valentino..na sua luxuosa tenda no deserto, rodeado de odalascas?

Não é para ser chato, caro leitor e comentador, mas... o que é que isso tem a ver com o texto que escrevi???
Pasmo-me sempre que isto acontece: há uma tentação inata em muitas pessoas para escreverem comentários totalmente desligados dos posts onde os colocam... Será que não sabem ler??

Relativamente aos "Jesus Papers" penso que o impacto é mais causado pelo sensacionalismo do que por uma nova geração de crentes...trata-se de uma obra de ficção, escrita ao género dos romances policiais, que prende pelo suspence constante mas que é tão credível como o Harry Potter...aliás os Anjos e Demónios, dentro do género policial, é muito mais empolgante....lamento mas não fui contagiada pelo lado místico...deve ser por causa do meu ateísmo militante

Lamento mas trata-se de falta de prática destas coisas...é a primeira vez que entro num blog e não sei bem como fazer...obrigada pela simpatia (sorriso amarelo)

«lamento mas não fui contagiada pelo lado místico...»

Não lamento nada!
Ainda bem que há quem leia este livro como quem lê o Harry Potter. Isso é sinal de sanidade mental.
"Lado místico" é coisa ausente no "Código Da Vinci", uma das obras mais materialistas dos últimos tempos. Um exemplo: o Santo Graal, que é dos símbolos mais místicos que alguma vez existiu no nosso imaginário cultural. Dan Brown diz que se trata de um útero, do útero de Maria Madalena. Há mais materialista do que isto?

«deve ser por causa do meu ateísmo militante»

Nada tenho contra os ateístas, apesar de discordar necessariamente do ateísmo (sou católico). O "ateísmo militante" pode, na minha opinião, ser problemático. Inúmeros "ateus militantes" aproveitam-se desta onda para, ao mesmo tempo que ridicularizam o livro de Dan Brown, "ir na onda" de desinformação acerca da Igreja Católica.
Seria bom que muitos "ateus militantes", por amor à História ou à Verdade, soubessem reconhecer este livro como um atentado às últimas.

Então aconselho seriamente a leitura dos Anjos e Demónios. Aí ele redime-se e o lado místico é uma constante do princípio ao fim do livro...realmente esse está muito mais presente na minha cabeça do que o Código da Vinci..quanto ao ateísmo militante nada a fazer...nada e criada num família católica e no entanto nunca ninguém conseguiu convencer-me da existência dele...ver para crer como S. Tomé *r*....e para mim a Verdade acima de tudo...

«e para mim a Verdade acima de tudo...»

;)
Um crente nunca é crente a sério se não colocar a Verdade acima de tudo. Para o cristão, Cristo é "o Caminho, a Verdade e a Vida".

No fundo, sendo-se crente ou ateu, o importante para nos considerarmos pessoas honestas e intelectualmente sérias é não abdicar de duas coisas fundamentais:

1. Colocar a Verdade e o amor à Verdade acima de tudo

2. Nunca deixar de procurar a Verdade, mesmo que ela seja um limite inatingível em absoluto para um ser humano

Um ateu que se recuse a questionar radicalmente o seu ateísmo é tão pouco sério como um crente que se recuse a questionar radicalmente a sua fé.

É na síntese da "fides" com a "ratio" que reside e amadurece a verdadeira fé, aquela que é esclarecida. Devido a uma campanha desinformativa incessante, muitos afirmam que a fé é cega, ou inimiga da razão. A fé, sem razão, não passa de superstição, porque neste caso não existiria adesão do intelecto à atitude pística.

Discordo desta afirmação mas também a discussão não muda nada. Nem leva a conclusão nenhuma é só mais uma opinião. Não digo que a fé e razão tenham que ser inimigas mas o seu campo de acção é muito diferenciado. Muitas vezes nem chega a ser complementar.
“ muitos afirmam que a fé é cega, ou inimiga da razão. A fé, sem razão, não passa de superstição, porque neste caso não existiria adesão do intelecto à atitude pística.”
Eu continuo a pensar que sim são muito pouco conciliáveis fui formado religiosamente tanto na família como na educação e cheguei a conclusão que a fé não se pode misturar com a razão. Ou se é tocado pela “graça” ou não se é. Não se vai lá com demonstrações cientificas
É impossível para alguém demonstrar De um modo racional cientifico a não ser por meros conceitos teológico filosóficos as razoes da sua fé, como é impossível para outros demonstrar o erro dos que tem fé, recorrendo a analises do pensamento cientifico estamos no campo da sensibilidade, dos sentimentos. Dai que desde o século XIV seja invocado o franciscano Guilherme d´ockam com a honra de demarcar a virada do pensamento escolástico medieval em direcção ao pensamento científico moderno.
Ockham acreditava que não se poderia produzir nenhuma prova racional da existência de Deus. Deus seria uma experiência sensorial e acreditar Nele dependeria da fé, e da fé somente. Divorciando a razão e a fé, Ockham prestou um inestimável serviço à filosofia e as ciências que dela nasceriam. Mas visto que o principal papel da filosofia na Idade Média era o de fornecer uma base lógica para a teologia, Ockham também prestou um igual serviço à teologia, que livre da obrigação de tentar justificar-se racionalmente, pode alçar vôos mais extravagantes. Em nome da fé tudo passaria a ser possível e o céu (literalmente) seria o limite. Mas a igreja num plano cultural sempre defendeu um quadro intelectual em que a fé cristã era a base e pressuposto fundamental de toda a sabedoria humana. E essa fé consistia nas verdades reveladas por Deus aos homens e expressas nas sagradas escrituras, para a doutrina católica a fé representava a fonte mais elevada das verdades reveladas. A famosa citação que só se conseguia a salvação dentro da igreja e grandes defensores destas verdades da chegada a prova de deus são conhecidos S. Agostinho S. Tomas de Aquino
Por isso toda investigação filosófica ou científica não poderia, de modo algum, contrariar as verdades estabelecidas pela fé católica. Os filósofos não precisavam se dedicar à busca da verdade, pois ela já havia sido revelada por Deus aos homens. Restava-lhes, apenas, demonstrar racionalmente as verdades da fé.

Cumprimentos


Já vi que não me expliquei bem, Leopard.

«Não se vai lá com demonstrações cientificas»

Não disse nada disso, amigo!
Imagine-se que a Fé e a Razão são os temperos de um intelecto equilibrado. É como o azeite e o vinagre numa salada. Não quero transformar um no outro, ou seja, confundir Fé com Razão. E muito menos quero afirmar que uma depende exclusivamente da outra.
O pensamento racional não pode demonstrar verdades písticas pelo simples facto de que extravasam largamente o seu domínio.
A fé é algo de muito mais abrangente do que a razão, porque diz respeito a realidades metafísicas. Mas, seguramente, essas realidades metafísicas cruzam-se em vários pontos com o nosso mundo concreto. Nesses cruzamentos, a razão não pode ser violada.
Ou seja, nenhuma verdade transcendente que se manifeste no nosso mundo pode violar leis racionais. Jesus Cristo, com a sua Vida e exemplo, não traz nada de irracional. Se bem que seja inegável que o caminho por ele aberto é um caminho de transcendência, um caminho que não se acaba nem se abrange com pensamento racional.

Conclusão: a fé precisa da razão, não para se justificar plenamente e metafisicamente (o que é impossível), mas para, no que diz respeito ao nosso mundo, ser possível uma conciliação.
A verdade metafísica da fé não pode ser contraditória face à verdade de uma proposição racional. Não há duas verdades. Há domínios diferentes de aplicação do conceito de Verdade.

"Devido a uma campanha desinformativa incessante, muitos afirmam que a fé é cega, ou inimiga da razão."

A fé faz afirmações que não pode sustentar (nem sequer argumentar convincentemente) e por isso não pode ser considerada com algo real. A única coisa real no meio disto tudo são as acções dos homems que agem crendo nessas fés.

Pedro,

«A fé faz afirmações que não pode sustentar (nem sequer argumentar convincentemente)»

Já falámos muito sobre isso no passado.
A única coisa, Pedro, a única coisa que nos separa, se simplificarmos muito esta questão é a realidade da Metafísica:

a) eu, como crente, concebo que existe um plano metafisico, ou seja, uma realidade para além do sensorial, do empírico, do mundo que conhecemos com os sentidos; esse plano metafísico está acessível, em parte, pelo nosso intelecto, mesmo que este seja limitado, que o é;

b) o Pedro não concebe a realidade deste plano metafisico.

O Pedro pode dizer que o crente é deficiente porque concebe como reais coisas que não abarca sensorialmente.

Mas eu posso retorquir, e dizer de igual modo, que o Pedro, e qualquer ateu, é deficiente porque o seu intelecto não consegue reconhecer a realidade de conceitos metafísicos.

Isto não nos leva a lado nenhum, desprezar e insultar intelectualmente o nosso adversário...
Eu respeito o ateísmo por uma razão muito simples: a discussão metafísica não é assunto de provas materiais. Não há lugar, literalmente, para um "quod videtur" nos debates metafísicos! ;)
Logo, há espaço para ambos os lados esgrimirem os seus argumentos.

Outra coisa é dizer que a crença não pode ser argumentada convincentemente. Esta frase é falaciosa: o Pedro usa a palavra "convincentemente", o que fragiliza a sua frase. Porque esse advérbio de modo está dependente da natureza do sujeito. Eu deixo-me convencer pela argumentação de S. Tomás de Aquino, por exemplo. Já o Pedro, claramente, não se deixa convencer.
O que não quer dizer que não exista uma argumentação!
Fiz-me entender?
Um abraço,

Já o tinha entendido quando falámos antes Bernardo :) foi só mesmo para deixar a perspectiva ateia (empirista) clara :)

Falando em conceitos metafísicos... acredite que eu já andei às voltas com alguns e nunca (mas nunca mesmo) percebi qual é o "selling point". Passo a explicar-me, o que é que num argumento metafísico é mais convincente que uma realidade tangível? É aqui que vamos sempre divergir.

Pedro,

Se virmos bem, os sentidos enganam-nos sempre. Nada do que apreendemos empiricamente é real. A visão, por exemplo: quando vemos um objecto vermelho, ele é tudo menos vermelho. Quando algo nos parece compacto, se virmos com atenção e muita ampliação, é tudo menos compacto. O tacto, por exemplo. O que nos parece ter fronteiras bem definidas, como por exemplo uma parede ou uma porta, não as tem. Apenas batemos contra a parede ou contra a porta devido a forças repulsivas.
Parte do tecido do real pode ser manifestado de forma empírica. Ou seja, podemos apercebermo-nos de que há um real pelo facto de que este se manifesta empiricamente. Mas se queremos chegar à essência das coisas (às "ideias" de que falava Platão), temos que recorrer ao intelecto.
Em última análise, a essência do Ser (do conceito metafísico que abarca todos os seres, nas suas formas indefinidamente variadas) é puramente Intelecto. Não é possível apreender esta essência, que é a essência da nossa ontologia, através dos cinco sentidos. Apenas um caminho intelectual indutivo permite, a partir da variedade complexa da manifestação, conceber um Princípio irredutível, que
é o Ser total.
Nesse ponto, estaremos a falar da realidade à qual os crentes ocidentais chamam "Deus".
Note-se que o próprio conceito que procurei ilustrar é um conceito que não pode NUNCA ser expresso de forma satisfatória por palavras, ou por qualquer outra forma. Por definição, o Ser é "tão transcendente" que ultrapassa qualquer forma. É inexprimível.
O que é curioso é que todo o raciocínio de indução metafísica se processa por eliminações sucessivas de restrições (ou seja, não é um raciocínio positivo, não progride por definições axiomáticas, mas sim por eliminação de restrições às definições anteriores). Vamos restringindo cada vez mais os nossos conceitos. Chega-se ao Ser não o limitando de forma alguma. Os orientais vão ainda além do Ser, pela mesma lógica, pensando que existem possibilidades de não-ser, ou seja, negando ainda a última e derradeira restrição: a ontológica. Assim, a totalidade, o Tudo, o Infinito, estaria no Não-Ser, que contém as possibilidades inerentes ao Ser, mas também contém as possibilidades de não manifestação do Não-Ser.
A grande beleza do pensamento metafísico é a sua coerência, a sua unicidade, e a sua "simplicidade complexa". Ou seja, permite explicações universais simples para realidades complexas. Para quem a entende (eu ainda apenas tento), a Metafísica tem ainda o fascínio de tratar de conceitos que, depois de estudados, apresentam uma lógica e uma coerência interna que os tornam ainda mais convincentes. Adquirem-se assim certezas intelectuais que até então se achavam inacessíveis a quem pensava apenas com base no empírico.
Isto dava pano para mangas, como se vê...
Mas eu sou um amador, com uma terrível tendência para tergiversar!
Um abraço,

Ó Bernardo a crença pode ser argumentada convincentemente mas não pode ser demonstrada convincentemente, não passa de argumentação do nosso intelecto.
Mas essa “verdade” transcendente metafísica como se chega a ela? como pode ter a certeza que existe, que se manifesta no nosso mundo, tanto pode existir como não existir, é linguagem não são coisas, existem corporeamente, incorporeamente? existem por si mesmos ou na nossa inteligência sendo produto dela? Mas tem que haver uma relação entre as palavras e as coisas.
Por exemplo rosa é o nome de uma flor, quando a flor morre a palavra rosa continua existindo, no entanto estamos a falar de uma coisa inexistente. Uma palavra que deixou de ter realidade no mundo das coisas.
Esse é um problema filosófico que levantou muitas disputas a discussão das ideias gerais ou os chamados universais de Aristóteles, em que o método escolástico que vigorou em grande parte ate a idade média e ate depois disso em muitos outros países católicos, priveligiava o estudo da linguagem para depois passar para o exame das coisas, o que levantava a questão qual e relação entre as palavras e as coisas?
O proveito disso é o puro prazer intelectual de argumentar. Santo Agostinho e S. Tomas de Aquino podem nos fascinar com as suas eloquentes palavras e convencer-nos intelectualmente, mas não podem nunca provar o que afirmam entrando no campo da realidade do mundo dos factos essa é a verdade nua e crua.
não é uma questão de deficiência conceber coisas que existem, metafisicamente, mas não se pode provar isso e os crentes tentam provar os seus argumentos recorrendo a razão . mas como argumentação não esta mal.

acho que podiam trocar e.mail's ou mesmo moradas...
o código, os anjos e a conspiração, são excelentes policiais. :-)

"Não há maior prova de ignorância do que acreditar que o inexplicável é impossível"

Não, o inexplicável, não é impossível embora haja coisas que fisicamente são impossíveis, (pelos conhecimentos teórico /técnicos de cada época) mas não de acreditar nelas, ou se puderem ser constatadas pela nossa incapacidade intelectual e técnica de as explicar. Essa foi a evolução do homem mas tentando compreender e explicar o inexplicável que é fisicamente possível a medida que os avanços de conhecimento e a técnica assim lho permitia. Que armas usou?

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