Quando for mulher quero ser assim....

"É o sonho de qualquer homem deitar-se com Angelina Jolie ou Madonna, mas eu andava a fazê-lo com as duas e ao mesmo tempo"
Jenny Shimizu
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« março 2006 | PÁGINA DE ENTRADA

"É o sonho de qualquer homem deitar-se com Angelina Jolie ou Madonna, mas eu andava a fazê-lo com as duas e ao mesmo tempo"
Jenny Shimizu
Which of the following two mutually-exclusive choices is your top priority for energy to run your automobile:Either:
A - Cheaper gasoline starting now, so you can drive at least 20% more miles on $30 worth of gasoline.
Or:
B – Eventual independence from foreign oil, so our kids and grandkids can be free of the baggage that goes with dependence on it.
Which is your top priority: A, or B?
No pressure; take your time. And while you’re thinking, here’s a helpful quote from the recent past by Saudi Arabia’s Sheik Yamani, when asked how the oil age might end:
The stone age didn’t end because we ran out of stones.
no blog The Skeptical Optimist

Mostrem-me como dança um povo e eu lhes direi se a sua civilização está doente ou de boa saúde. (Sábio Confúcio, China, séc.VI).
The secret behind the judgment code - Smithy Code Jackie Fisher who are you Dreadnought


Se há por aí história mal contada é aquela de Adão e Eva no paraíso. Senão vejamos: Deus cria o Homem (entre outras coisas) e manda-o para o paraíso. Isto já de si é suspeito. Porque não o mandou para outro sítio qualquer? Porque não o mandou à merda? Nunca saberemos, mas o que é certo é que o Homem lá foi diligentemente para aquilo que Deus convencionou por paraíso. Na realidade era um pardieiro vazio, sem interesse nenhum e completamente despovoado. Não fossem umas arvorezinhas aqui e ali e assemelhar-se-ia ao Alentejo profundo. Diz a história que Adão, farto de contar as árvores, que nem eram tantas como isso, meteu um requerimento a Deus para lhe arranjar companhia. Distraidamente Deus mandou-lhe uma ovelha e rapidamente descobriu o significado da contranatura. Decidiu então fazer um truque com uma costela de Adão, criando dali uma companheira para o entediado mamífero. Chamou-lhe de Eva.
Ainda hoje a ciência tenta perceber que conhecimentos de genética o gajo tinha para fazer um truque daqueles.
A questão das roupas é insidiosa… se os gajos estão no paraíso porque diabo têm que usar parras a tapar-lhes a genitália? Armani e Prada seriam mais plausíveis, bolas! Afinal de contas que paraíso era aquele??
Depois vem outra parte incongruente: aquela em que Deus, num lampejo de autoridade tipo «quem manda aqui sou eu e vou inventar uma merda para vos deixar a matutar» decide embirrar com as maçãs e proibir Adão e Eva de as comer. Qual é o problema das laranjas? E das papaias? Porque não proibir as bananas? Ou toda a gama de frutos secos? É só incongruências…
Chegamos então à parte da cobra que falava. Tudo bem. Eu até ter ouvido as declarações de Fátima Felgueiras, achava que as cobras não falavam, portanto isto até faz algum sentido no meio desta trapalhada toda. Mas a questão é que a cobra de Adão e Eva demonstra uma obsessão voyeurística qualquer por maçãs. Gosta de as ver serem comidas. Há gostos para tudo…
Finalmente os gajos comem a maçã e Deus aparece para os expulsar do paraíso e não se fala mais nisso. Porquê? A história acaba aqui porquê? E a vida porca que eles levaram depois, com a obsessão insidiosa que Adão desenvolveu por ovelhas? Nem Sócrates contava tão mal uma história destas…

** 26 de abril de 1986, o aniversário que ninguém gostaria de comemorar... o acidente de Chernobyl supera os danos causados em Hiroshima e Nagasaki.
**numa primeira fase, a nuvem radioactiva espalhou-se pela Ucrânia, pela Bielorrússia e pela Rússia, passou para a Europa Central, para os Balcãs, Itália, França, Grã-Bretanha e Irlanda(euronews)
**A zona de Chernobyl é ainda hoje inabitável.
**os elementos libertados pela explosão demoram séculos para perder a radioatividade --300 anos somente no caso do césio 137.
**a radiação altera o DNA das células, fazendo com que elas percam o seu ritmo normal de divisão e se comportem como células cancerosas.
**de 1992 a 2002, foram registrados 4.000 casos de cancro da tireóide pela grande incidência de iodo-131.
**a leucemia, só aparece nas pessoas irradiadas pelo menos seis anos depois .
**é impossível especificar o número de mortes relacionadas ao acidente, pelos efeitos a longo prazo.
** a quebra de círculos sociais, a iminência de doenças e o abandono de suas casas criam entre a população sentimentos de depressão,"De qualquer maneira, a morte vai chegar um dia"(france presse)

Ouvi agora mesmo na rádio uma notícia preocupante: desde 2004 que o número de militantes neonazis aumentou em 400% em Portugal. É evidente que, se falamos de uma minúscula franja de imbecis, um aumento de 400% no seu número pode não ser assustador.
Mas, a cada dia que passa, sinto que a situação está a piorar.
O maior problema que eu aponto a estes movimentos nem sequer é a sua ideologia. Se os neonazis dos tempos de hoje exibissem a intelectualidade (pobrezita, é certo, mas mesmo assim...) de um Dietrich Eckhardt, de um Alfred Rosenberg, ou de um Karl Maria Willigut, mesmo discordando radicalmente de teorias tão abjectas, sempre existiria um mínimo patamar de literacia para se poder tolerar (apenas em nome da tolerância e da liberdade de expressão) a existência de tais pessoas.
O que mais me aflige com o neonazismo é a sua manifesta total falta de cultura e intelectualidade (apesar de alguns dos seus ardentes defensores se terem em alta estima nestas matérias, isso não muda uma vírgula à deprimente realidade)...
A notícia da rádio deixava este ponto bem explícito, ao afirmar que a principal fonte de recrutamento para estes jovens está nas claques de futebol. Será preciso dizer mais?
Hitler choraria de raiva com o Q.I. e a iliteracia dos seus actuais seguidores...

Sessão de nus
Spencer Tunick fotografa quase duas mil pessoas em Espanha
Centenas de homens e mulheres do País Basco, em Espanha, posaram nus para uma fotografia colectiva.
Então, confessem lá, o fim de semana prolongado em Euskadi foi bom? Choveu? A ETA não comentou?



No! I am not Prince Hamlet, nor was meant to be;
Am an attendant lord, one that will do
To swell a progress, start a scene or to
Advise the prince; no doubt, an easy tool,
Deferential, glad to be of use,
Politic, cautious, and meticulous;
Full of high sentence, but a bit obtuse;
At times, indeed, almost ridiculous---
Almost, at times, the Fool.
T. S. Eliot

Para mim, a notícia da noite não foi o "Porto Campeão" (parabéns aos tripeiros! - mereceram), mas saber que o Império vai fechar.
A última noite é no dia 14 de Maio. Depois... será mais um restaurante de uma cadeia de fast-food.
Felizmente o IPPAR proíbiu a demolição dos painéis, das esculturas e dos tijolos que caracterizam aquele lugar (e que, por acaso, já precisava de uma remodelação).
Mas assim acabam 50 anos de bifes, batatas fritas, molho e canecas.
Dentro em pouco não haverá lugares onde, sem sabor a plástico, poderemos alegre e gostosamente entupir as artérias, alimentar o colesterol, encher os adipocitos e maltratar um bocadinho mais o fígado. E conversar com os amigos, confraternizar com a família ou curtir a solidão.
Todos ao Império no dia 14 de Maio, para uma "última ceia"?
É na Almirante Reis, mesmo ao lado da Alameda, para quem (quem?) não saiba...

"You're okay," Bush gently reassured Hu.
But he wasn't okay, not really. The protocol-obsessed Chinese leader suffered a day full of indignities -- some intentional, others just careless. The visit began with a slight when the official announcer said the band would play the "national anthem of the Republic of China" -- the official name of Taiwan. It continued when Vice President Cheney donned sunglasses for the ceremony, and again when Hu, attempting to leave the stage via the wrong staircase, was yanked back by his jacket. Hu looked down at his sleeve to see the president of the United States tugging at it as if redirecting an errant child.
Then there were the intentional slights. China wanted a formal state visit such as Jiang got, but the administration refused, calling it instead an "official" visit. Bush acquiesced to the 21-gun salute but insisted on a luncheon instead of a formal dinner, in the East Room instead of the State Dining Room. Even the visiting country's flags were missing from the lampposts near the White House.
The number of human embryos needed for medical research could be greatly reduced following the announcement yesterday that doctors have found that testicular cells can turn into a wide range of other types found in the body.
A notícia aqui
Junte-se um grupo de soldados britânicos com algum equipamento vídeo e algum tempo livre lá prás bandas do Kosovo. Agite-se com uma boa dose de humor e a coreografia apropriada. E temos aí o teledisco do ano.
Dia 12 de Abril. STOP. Dois anos de Afixe. STOP.Qual Afixe? STOP. O Afixe. STOP. Banner em honra. STOP.

A família nem queria acreditar. O pai mordeu o lábio inferior até sangrar, ao ser confrontado com a revelação, enquanto a mãe, no sofá, se contorcia com afrontamentos múltiplos consecutivos.
Everaldo nem pestanejou! Estava preparado para as piores reacções e razão nenhuma neste mundo seria suficiente para o afastar da sua natureza, do caminho que escolhera para si.
Sabia que os amigos não mais o olhariam da mesma forma, sabia que não poderia contar a ninguém o que fazia e como fazia, que seria alvo da censura de todos.
Tudo isso pouco lhe importava. Everaldo sabia bem para o que estava talhado. Ser mula.
"Mula Everaldo ? Endoidou bicho ? Tu vai txi arrependê málandro, isso daí não é vida prócê, minino. Cê vai é se ferrar"
Não deu ouvidos a ninguém. Não quis saber. Abandonou o nome de baptismo e passou a assinar E.Mula. Sentia-se apto a assumir a vocação.
Debateu-se durante meses com a hipótese de fazer a operação. Era novidade, e tudo o que era mula que se prezasse já tinha aderido. Foi talvez o primeiro sinal da regressão da mulomania de Everaldo, mas a verdade é que optou por não dar tal passo.
Depois disso, o tempo encarregou-se de mostrar a Everaldo as agruras de se ser uma mula. A vida incerta e desregrada perdera os encantos de outrora. Quis voltar a ser simplesmente o Ever de antigamente.
A transição correu ainda pior que a anterior. Todas as portas se lhe fecharam. "Neim veim qui num teim, pió qui mula sem cabeça, só meismo mula arrependida".
Aos que estiverem prontos a iniciar a viagem, fica o aviso... o bilhete é só de ida. Once a mula, a mula 4Ever!
... Perguntaria a mulher de Judas Iscariotes ao marido, antes de ele sair de casa para ir para o trabalho.
«Olha, querida, vou ali ao Templo fazer um favorzinho ao mestre!»
Esta Páscoa não fugiu à excepção.
A Comunicação Social, um pouco por todo o mundo fora, confunde o Carnaval com a Páscoa, e é vê-los a comentar, uns a seguir aos outros, tudo o que é religioso como se se tratassem de palhaçadas carnavalescas.
Foi fascinante, mas assustador em termos do poder dos media, assistir ao desfilar de notícias este fim-de-semana, desde a redescoberta do «Judas amigo» até à charada de que um cardeal teria supostamente proclamado «novos pecados». Bastaria fazer zapping, desfolhar as páginas dos jornais, e verificar que a religião estava presente um pouco por todo o lado, mas sempre com um esforço por parte de muitos jornalistas em distorcer, em deturpar, em informar mal.
Os artigos na imprensa sobre o Codex Tchacos raiaram o absurdo: o que fará um jornalista pensar que, apesar de ter a carteira profissional, está apto a comentar uma descoberta arqueológica complexa, que normalmente obriga a que se possuam conhecimentos elementares sobre gnosticismo, a corrente que é berço doutrinal do dito documento?
O códice Tchacos, que contém o texto do pseudo-Judas, é um documento histórico genuíno: retrata um tipo importante de gnosticismo que não apresenta caracteristicas surpreendentes nem inovadoras (é um gnosticismo de corrente setiana ou cainita). O códice é a traduçao para copta, feita entre os séculos II e III d.C. (a datação científica permitiu determinar este intervalo com segurança), de um texto originalmente em grego, elaborado por um autor fortemente mergulhado numa corrente gnóstica.
A Igreja Católica conhece bem a refutação a estes textos gnósticos por via do trabalho inestimável de Ireneu de Lião, nos cinco monumentais volumes do seu Adversus Haereses (180 d.C.).
Sem tirar valor à enorme importância arqueológica deste achado, para os católicos ele apenas vem confirmar a precisão do retrato traçado por Ireneu em 180 d.C. relativamente a estes movimentos gnósticos. Por falta de informação, é frequente que certos comentadores tentem transportar os abusos de poder papal em vigor no tempo dos Bórgias para todo e qualquer século de existência da Igreja Católica. No século II d.C., a Igreja estava longe de poder ainda sofrer as tentações de abuso de poder que infelizmente marcaram muita da sua história.
A Igreja debatia-se com a corrente gnóstica, que arrastava um grande número de bispos e prelados para ideias incompatíveis com a tradição apostólica, com a tradição escrita e oral estabelecida por apóstolos como Pedro, Tiago, João, ou o convertido Saulo de Tarso.
Em finais do século II d.C., Ireneu falava destes assuntos, e comentava questões de doutrina, com conhecimento de causa: basta relembrar que Ireneu de Lião chegou a conhecer em Esmirna o grande Policarpo, discípulo do próprio S. João. É, portanto, um dos homens mais habilitados e informados para nos dar, em pleno século II, um retrato fiel daquilo que era a tradição escrita e oral dos apóstolos, e confrontá-la com as novas correntes de pensamento que começavam a espalhar-se de forma preocupante um pouco por toda a Europa e Ásia Menor.
À opinião pública, não costumam soar estranhas as palavras atribuídas a este Jesus gnóstico, adversário da carne, defensor de uma doutrina que preconiza que toda a Criação é obra maligna do Demiurgo. À opinião pública não costuma parecer exótico que Jesus, nascido judeu, defendesse uma doutrina de diabolização da Criação, em contradição com o Bereshit, o Livro do Génesis. Tais confusões não existiam, certamente, na cabeça de Ireneu de Lião.
Regressando à notícia... Será este documento verdadeiramente revolucionário?
Depende do ponto de vista.
Como acabámos de ver, do ponto de vista doutrinal, a novidade é quase nula: a Igreja já conhecia a descrição do gnosticismo cainita feita por Ireneu, e este texto original recentemente descoberto demonstra a justeza das observações do bispo lionês.
Mas do ponto de vista arqueológico, a descoberta é fundamental: trata-se da mais antiga versão escrita deste documento.
Penso que não seria também perda de tempo que a Igreja aproveitasse para reflectir sobre estas questões. A forma como tantas vezes os crentes são infantilizados, a forma como tantos responsáveis se escapam à sua obrigação de falar aos fiéis sobre temas difíceis como é o do gnosticismo, pode bem ser razão necessária para observarmos a indignação com que tantos crentes, tragicamente equivocados, se escandalizam contra a sua própria Igreja, vendo-a como uma Igreja que "ocultaria documentos fundamentais".
No que diz respeito à National Geographic, o site dedicado a este tema está excelente e bem documentado. Segundo estas explicações, o Evangelho de Judas encontra-se num documento copta, a par com outros textos como o Primeiro Apocalipse de Tiago, uma suposta carta de Pedro a Filipe, e outros. O documento, que recebeu o nome de Codex Tchacos, em honra de Dimaratos Tchacos, pai de Frieda Nussberger-Tchacos, a quem o documento pertence desde Setembro do ano 2000, foi descoberto numa cavidade no deserto durante os anos 70 em El-Minya, no Egipto. As árduas condições meteorológicas preservaram o códice durante 1700 anos. Os dezasseis anos em que o códice esteve num cofre em Long Island foram mais destrutivos para o documento do que os 1700 anos sob as areias e o sol escaldante do deserto. É, pois, um trabalho valioso o empreendido pela National Geographic Society, que após alguns anos de duro trabalho, concluiu o restauro do que resta deste documento. O texto em versão inglesa pode ser lido aqui.
Mas como se pode, cientificamente, deduzir validade factual deste texto? Como se pode tentar conjecturar acerca do que, de facto, se passou entre Jesus e Judas, com base num documento destes? Há duas grandes barreiras: a barreira histórica (o texto atribuído a Judas terá sido escrito entre 100 e 180 anos depois de Jesus), e a barreira doutrinal (o contexto gnóstico do texto atribuído a Judas distancia-o bastante do universo ideológico dos primeiros cristãos).
A palavra "heresia", na sua origem, significa apenas "escolha". Os heréticos eram aqueles que escolhiam seguir uma doutrina diferente da seguida pela maioria consensual. Com o tempo, o termo "herético" passou a designar mais do que uma mera escolha, servindo para, de forma já negativa, classificar estas escolhas como "escolhas censuráveis". Para separar as heterodoxias ("opiniões diferentes") das ortodoxias ("opiniões correctas"). Foi assim que o termo "heresia" se foi, a pouco e pouco, revestindo do carácter negativo que hoje todos lhe reconhecem.
Mas o que escapa a muita gente é que falamos de um processo normal de exegese, de selecção e filtragem doutrinal. Este processo permitiu que a doutrina cristã apresentasse ao longo dos séculos uma coerência inegável e a sobrevivência, até aos dias de hoje, das ideias de um pequeno grupo judaico inspirado em Jesus Cristo e na sua mensagem. As reacções inflamadas de um autor como Ireneu contra as ideias heréticas devem-se, sobretudo, à defesa daquilo que ele sabia ser a tradição transmitida pelos apóstolos.
Esta selecção doutrinal foi um trabalho longo e maturado, que exigiu consensos e cedências. Não se pode também perder de vista que a tradição exegética da Igreja procurava uma coerência não só factual, mas sobretudo teológica e metafísica nos textos que decidia classificar como sacros. Para os olhos modernos, apenas a coerência factual interessaria, mas há níveis mais elevados de conhecimento teórico, sobretudo ao nível doutrinal e metafísico, que justificam amplamente o facto de a Igreja ter decidido fixar João, Lucas, Marcos e Mateus como autores doutrinalmente credíveis. É bem sabido, sobretudo pelos excitados adversários do cristianismo, que estes evangelistas fornecem dados factualmente incompatíveis: os textos neotestamentários apresentam versões diferentes para o local de nascimento de Jesus e mesmo para a última frase que o Messias teria proferido antes de morrer. Será que a patrística nunca tinha dado por isto?
Claro que sim.
Contudo, a selecção dos textos canónicos tinha um fim maior em vista: a coerência doutrinal destes textos com a mensagem apostólica. Fazer corresponder a palavra escrita à palavra transmitida oralmente. Há uma inegável coerência doutrinal de João, Lucas, Marcos e Mateus, tanto entre si, como com os restantes textos da Bíblia. Essa coerência é inexistente quando se procura encaixar essa doutrina com as doutrinas gnósticas presentes em apócrifos como o Evangelho de Filipe, o Evangelho de Tomé ou o Evangelho de Judas.
O protestantismo defendeu a sola scriptura, a crença de que a fé exclusiva na Palavra de Deus era garante da Salvação. Uma das marcas mais distintas do catolicismo sempre foi a de que a Bíblia não deve ser lida literalmente, e muito menos com o objectivo de encontrar sempre informação factual. Essa mesma marca de catolicismo que sempre equilibrou a exegese dos textos sacros com o condimento da tradição apostólica, evitando assim o literalismo. Como relembra Joseph Ratzinger, em O Sal da Terra, o fundamentalismo nasceu nos Estados Unidos da América, ou seja, precisamente entre comunidades protestantes que foram fortemente expostas às novas correntes ideológicas e científicas. No século XIX, os avanços nos estudos bíblicos trouxeram uma torrente de informação científica nova acerca dos textos sagrados. Necessariamente, as correntes protestantes agarradas por necessidade à ideia da sola scriptura, viram-se confrontadas com a contestação da interpretação literal dos textos. Muitos decidiram radicalizar esta interpretação literal, e nasceu assim o dito fundamentalismo cristão.
Há que valorizar o catolicismo como uma visão cristã equilibrada. Os textos apócrifos que foram considerados heréticos, foram-no porque não passaram nos testes de coerência factual, teológica e metafísica. A Igreja Católica não defende a leitura literal da Bíblia Sagrada. Para o crente lúcido, que valida a coerência factual, mas que procura sobretudo a coerência lógica e metafísica (o garante da validade doutrinal), o que fica claro é que os textos têm pesos diferentes: há maior valor nos textos neotestamentários do que nos apócrifos.
Muitos novos historiadores parecem ignorar, ou querer ignorar, o contexto teológico e metafísico dos temas que estudam, e assim a única coerência que almejam é a factual. Para eles, estes textos estariam em pé de igualdade no que toca a saber mais sobre a verdade factual da vida de Jesus. Para eles, o Evangelho de Judas poderia dizer-nos tanto sobre Cristo como os canónicos.
Isso já é pseudo-ciência, já é pseudo-história. O historiador não pode ignorar o contexto mental dos autores dos textos que estuda. O historiador que quer compreender as opções tomadas pela Igreja desde os primórdios deve tomar conhecimento dos critérios de coerência teológica e metafísica que a Igreja procurou, mesmo que ele não possa tomar parte deles durante o seu trabalho, por evidente necessidade de imparcialidade científica.
Há razões para a selecção textual feita pela Igreja.
Os historiadores sérios deveriam estar interessados em estudar essas razões, em vez de procurarem impingir aos leitores e espectadores mal-informados uma série de palpites sobre qual seria a "verdade factual", sem lhes dar os contextos teológicos e metafísicos apropriados. Apesar da qualidade científica da National Geographic, os comentadores da praxe, os fazedores de opinião, irão garantir que "o povo" receberá a versão interpretativa adequada acerca desta descoberta arqueológica.
Infelizmente, tanto para crentes como para não crentes, o que sobrará desta Páscoa turbulenta é um marasmo de confusão, desinformação e desilusão. A verdade fica assim cada vez mais longe de quem procura aprender com base no que dizem os media...

Sempre que chega o Domingo de Páscoa lembro-me daquela história mal contada do coelhinho de Páscoa e da sua estranha ligação aos ovos de Páscoa. O que leva um coelho a distribuir ovos pintados? E onde é que o coelho arranja os ovos? E quem os pinta? Tudo mistérios insondáveis…
A história deste roedor está cheia de lacunas por preencher, o que sugere que deverá haver alguma javardice oculta nisto tudo. Na realidade o coelho é um libertino doidivanas, com um serissimo desvio sexual, que mantém uma relação poligâmica e contranatura com algumas aves. As coelhas não lhe despertam qualquer sentimento libidinoso, e muito menos monogâmico. O coelho enveredou por esta vida porca sem medir as consequências, e quando percebeu que pela lei da natureza nenhum animal estava autorizado a procriar fora da sua espécie, arranjou um esquema que desviasse as atenções alheias da sua vida de alegre e frenético concubinato.
Decidiu assim distribuir gratuitamente as provas da sua virilidade, não sem antes lhes dar um aspecto decorativo e insuspeito. No início começou a distribuir os ovos na época de carnaval, mas não aguentando ver a sua prole esborrachada nas paredes durante as batalhas de foliões, decidiu avançar para a época festiva seguinte, tendo vir parar à Páscoa. Há vidas muito tristes.

cordeiro assado à transmontana
folar transmontano
rosca com erva doce e canela
pudim de amêndoa
....huummmmm

Fotografia: João Gomes Mota
in http://lrm.isr.ist.utl.pt/jsgm/albuns/expo98/ponte.html
Olha a ponte!

[recebido por email, filtrado pelo Department of Homeland Security]
"Qual é o bom pai de família que, por uma ou duas vezes, não dá palmadas no rabo dum filho que se recusa ir para a escola, que não dá uma bofetada a um filho que lhe atira com uma faca ou que não manda um filho de castigo para o quarto quando ele não quer comer? Quanto às duas primeiras, pode-se mesmo dizer que a abstenção do educador constituiria, ela sim, um negligenciar educativo. Muitos menores recusam alguma vez a escola e esta tem - pela sua primacial importância - que ser imposta com alguma veemência. Claro que, se se tratar de fobia escolar reiterada, será aconselhável indagar os motivos e até o aconselhamento por profissionais. Mas, perante uma ou duas recusas, umas palmadas (sempre moderadas) no rabo fazem parte da educação. Do mesmo modo, o arremessar duma faca para mais a quem o educa, justifica, numa educação sã, o realçar perante o menor do mal que foi feito e das suas possíveis consequências. Uma bofetada a quente não se pode considerar excessiva. Quanto à imposição de ida para o quarto por o EE não querer comer a salada, pode-se considerar alguma discutibilidade. As crianças geralmente não gostam de salada e não havia aqui que marcar perante elas a diferença. Ainda assim, entendemos que a reacção da arguida também não foi duma severidade inaceitável. No fundo, tratou-se dum vulgar caso de relacionamento entre criança e educador, duma situação que acontece, com vulgaridade, na melhor das famílias."Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 5 de Abril de 2006 [texto integral]
Quantos italianos votaram em Portugal? E em quem?
Podem ver aqui
Certamente que as motivações de um cristão da massa são muito mais de ordem moral que metafísica. Este cristão define-se, antes de mais, pelo temor de um Deus antropomórfico, não obrigado por um determinismo intemporal, e, por conseguinte, como o próprio homem, senhor a cada instante dos seus actos e das suas respostas; um Deus sem plano preconcebido. Uma tal ausência de metafísica lança o cristão vulgar numa moral estritamente utilitária, atrás de vantagens ou de garantias pessoais no céu ou na terra (...) porque nesta fase de evolução, já não basta anatemizar o Mal para o fazer desaparecer; o sortilégio verbal, desvirtuado pelo uso excessivo, já não consegue obter a adesão. As dualidades são, daí em diante, verdadeiramente sentidas na carne e na alma. Esse cristão encontra-se dilacerado. Não consegue ver, na "queda", exactamente o elemento que condicionou a Criação, e continua a concebê-la como um acto contingente que compromete a sua própria responsabilidade. O seu pensamento, se não o seu corpo, está constantemente voltado para esta exasperação moralista da noção de pecado e leva-o a uma desconfiança profunda não só em relação ao mundo como a si próprio. Literalmente, isolando o Mal em si, e recusando-se a ver no Diabo uma criatura de Deus, os cristãos da massa divinizam-no. Dir-se-ía que o cristianismo vulgar actual foi inteiramente conquistado pelo maniqueísmo. Estes cristãos não compreenderam as palavras do Livro de Tobias: "E porque éreis agradáveis a Deus, foi preciso que a tentação vos pusesse à prova." Verifica a dualidade e alimenta-a precisamente com esse medo que se recusa a ser ponderado e, de certo modo, dissolvido pela inteligência.
Raymond Abellio [Ensaio sobre o papel político do sagrado]



E agora?
Pelo menos mudam os actores mas... a sensação é de "sopa requentada"...

Aqui fica uma curiosidade. Foi feita pela Sky para anunciar uma nova temporada. Os autores da série gostaram tanto da brincadeira, que a utilizaram num episódio.
PS: Post escrito na ressaca da abençoada overdose de fim-de-semana na Fox, ontem enriquecida de um compacto «Simpsons desesperadas», em honra a outra série do mesmo canal.
Notícia de última hora:
Court rejects Da Vinci copy claimThe Da Vinci Code author Dan Brown did not breach the
copyright of an earlier book, London's High Court has
ruled.Michael Baigent and Richard Leigh, who wrote 1982 book
The Holy Blood and the Holy Grail, sued Random House,
publisher of both books.Mr Brown said the verdict "shows that this claim was
utterly without merit"."I'm still astonished that these two authors chose to
file their suit at all." The ruling clears the way for
the Da Vinci Code movie to come out in May.
Fonte: BBC (7-4-2006)
Conforme se esperava, Dan Brown saiu a ganhar deste processo. De facto, era complicado encontrar base legal para plágio, mesmo sendo evidente que o autor se baseou em larga medida na obra de Lincoln, Baigent e Leigh, O Sangue de Cristo e o Santo Graal.
Divertido, foi mesmo ouvir Dan Brown, à saída, afirmar que qualquer romancista se deveria poder basear em «ensaios históricos» (sic) sem que tivesse que ver o seu nome arrastado para tribunal. Brown demonstrou grande fair play, usando um termo altamente elogioso para a obra pseudo-histórica de Lincoln e amigos, que assim poderão conseguir vender mais alguns milhares de livritos para pagar aquela que se imagina ser uma brutal conta em advogados...
Como ainda existe muita gente desorientada e crédula destas teorias pseudo-históricas, aqui deixo uma página com 25 perguntas e respectivas respostas acerca deste fenómeno mediático, cuja loucura máxima ainda está para vir, após a estreia a 19 de Maio do filme homónimo de Ron Howard:
http://bmotta.planetaclix.pt/codigodavinci.html
Extremamente útil e elucidativa é também a leitura do resumo do julgamento.
Para terminar, recomendo vivamente aos interessados que façam o download do texto completo do julgamento, onde se pode verificar com grande facilidade como a Justiça Britânica não tem dificuldade em reconhecer a fraude do Priorado de Sião como tal.
Infelizmente, há pessoas que, mesmo assim, não vão desistir das teorias que pensam que "aprenderam" com a leitura d'O Código da Vinci, de Dan Brown. Há pessoas, e muitas, para quem a atracção e a paixão puramente emotiva por uma ideia falsa vale muito mais do que a verdade histórica...

Cria on-line a tua própria novela de Dan Brown!
Experimenta aqui.
Basta refrescar a página para se obter, imediatamente e sem esforço, uma nova novela de Dan Brown. Depois, muda o nome do autor para o teu próprio nome e fica rico!
Já vem equipado com críticas favoráveis de jornais importantes.
De que estás à espera? Experimenta já!
Apoio nuclear...

Faz as contas comigo. Se aos teus pais não lhes tivesse dado para a brincadeira naquela noite tu não estarias neste momento a ler este texto. E se os pais deles não se tivessem enrolado naquelas precisas noites, também aqui não estarias. Aliás, se os avós e os bisavós, e todos os outros antes, não o tivessem feito, era pouco provável que estivesses a tentar seguir o meu raciocínio.
Para tu estares aqui a ler o post houve muita gente envolvida. Recua por exemplo 8 gerações e já tens 250 pessoas a enrolar-se para aqui chegares. Se continuares a regredir até ao tempo de Shakespeare vai ter 16.384 antepassados a trocar fluídos em teu favor. Há 20 gerações, o número de pessoas que procriaram em teu proveito ascende a 1.048.576. Cinco gerações antes disso houve pelo menos 33.554.432 homens e mulheres de cujas inspiradas uniões a tua existência depende.
Se recuarmos ao tempo dos lusitanos de Viriato, há 64 gerações, este número de cúmplices aumenta para um milhão de trilião. E aqui é que está o busilis da coisa: um milhão de trilião é um número mil vezes superior ao número de todas as pessoas que alguma vez habitaram este pequeno planeta.
Significa isto que eu fiz mal as contas? Não. As contas estão feitas para linhagens puras, ou seja, considerando trocas bem sucedidas de fluídos de pessoas de familias diferentes. Assim sendo, sabes o que tudo isto significa?
Que para tu hoje chegares aqui houve incestos para caraças!!
(inspirado por Bill Bryson e a sua «Breve História de Quase Tudo»)
Até podem andar cabisbaixos e a ser importunados por catalães atacados pelo pecado da soberba, mas não hesitem em responder que, apesar de remediados mas honradinhos e não ganharmos sempre no futebol, pelo menos:
NOSALTRES NO SOM DEPENDENTS DE CASTELLÁ!!!!!!!!!
[ok, a nossa independência vale o que vale, mas sempre temos as nossas fragatas e os pastéis de tentúgal e a Manuela Moura Guedes a pagarem imposto de selo à República e eles sempre se danam e além do mais este post deu-me um trabalhão a fazer, à cata de vocabulário catalão na web que isto nem é língua de gente, se fosse em castellano era mais sexy mas os gajos fingiam que não entendiam e assim não há desculpas para tomarem e irem buscar!]
Dr. Muhammad Wahdan: […] Khifadh circumcision is not meant for all girls, only for some.Interviewer: Which girls?
Dr. Muhammad Wahdan: I will tell you which girls. A girl
phoned me once - A woman called me - there is no shame in asking
questions about religion… A girl called me and said: When I take the
Metro, wearing tight jeans… The Metro in Egypt jolts about like
this… She said: I get really aroused. What should I do?Dr. Malika Zarrar: God help her….
Dr. Muhammad Wahdan: I asked a doctor, I'm telling you what
happened… I asked a doctor, who told me this girl's clitoris was very
high, and that a small part of it must be cut off.
Excerto de debate na Kuwaiti Al-Rai TV em 28 de Março.

Sou um fã da primeira trilogia do Star Wars e acho que a paneleirice dos efeitos especiais de última geração que tomaram conta da segunda trilogia, tornaram o produto final mais pobre. Ainda assim divirto-me com os seis episódios. Não haja dúvida que aquilo é mesmo ficção científica, mas não pelo facto de retratar um possível futuro e envolver naves espaciais, galáxias distantes, e seres esquisitos à porrada com andróides. Aquilo é ficção porque supostamente retrata uma aliança humana que, sabemos hoje, seria impossível de obter.
Imaginem que o exército revoltoso da Aliança era formado pelos 25 países da união europeia, e conseguem ter uma perspectiva daquilo que provavelmente aconteceria.
Os franceses recusar-se-iam a combater pela Aliança até que esta adoptasse o francês como língua oficial. Os ingleses formariam um grupinho à parte e nunca se perceberia se faziam parte da Aliança ou não. Os alemães fariam campos de extermínio de droids e siths e ficariam assim entretidos. Os holandeses evitariam andar à porrada e praticariam uma política de tolerância com as forças Imperiais, procurando retirar dividendos daquilo a que chamariam uma “parceria comercial sem fins políticos”. Os espanhóis atiravam-se de peito feito a todas as naves imperiais e extinguir-se-iam logo de seguida. Os italianos criariam uma unidade especial de combate (os carabinieri rabetini) especializada em atacar o Império pela rectaguarda, mas só depois de terem recebido as "luvas" de combate. Os dinamarqueses andariam felizes como a merda a conduzir as suas naves todos nús, promovendo alegres orgias inter-estelares. Os gregos criariam a «Ala dos Namorados», uma força gay de intervenção, distinguindo-se por usar sabres de queijo feta com uma mestria capaz de engordurar qualquer soldado do Império. Os belgas especializar-se-iam em desbastar as crianças Sith. Os polacos, lituanos, checos e todas as nações do leste europeu, combateriam valentemente a qualquer preço, desde que não os mandassem embora da Aliança. Os portugueses, esses rapazes do Quinto Império, nunca teriam qualquer intervenção no conflito. A bordo da sua única nave, um chaço comprado a prestações e em segunda mão pelo ministério da defesa, chegariam sempre tarde a qualquer batalha interestelar, conquistando a alcunha de “o cú da Aliança”. Pequeninos e ruidosos, sempre em autocomiseração, percorreriam galáxias em direcção a lado nenhum. O costume…
May the force be with you.

Esta fotografia não é para nada, mas estava farto de abrir o Blog e ver um ovo a cavalo num apetitoso bife...
Tirei os ovos, a salada e as batatas e arranjei umas frutazinhas!

Esta fotografia não é para nada, mas estava farto de abrir o Blog e sair a carantonha de um treinador da bola...
"O Sporting começou a ganhar no Estádio da Luz à 19ª jornada e não mais parou. Soma 10 triunfos consecutivos e, neste período, sofreu apenas 2 golos. Mantém o melhor ataque da prova (46 golos) e alcançou o estatuto da segunda melhor defesa(22) – mercê do tento sofrido ontem pelo Benfica no Estádio do Restelo. Neste particular, só o FC Porto se superioriza ao conjunto comandado por Paulo Bento." [Record]
(enviado por email, desconheço onde foi publicada a notícia)