
(imagem bbc)
Devido a problemas técnicos parece que certos comentários não estão a conseguir a sua publicação, pelo que, temporariamente e enquanto a situação não se resolver, publico aqui a continuação do debate sobre este tema.
O famoso "ambientalista" a que te referes faz parte de uma organização ambientalista ligada à energia nuclear... a EFN - the association of Environmentalists For Nuclear Energy. É natural pois que a defenda.
E como considerar que os argumentos do outro são falaciosos parece estar na moda, pois então é a minha vez de afirmar que os teus, então, são extremamente falaciosos.
Onde estão os factos e números que defendes?
Eu já dei os meus, mas da tua parte ainda não vi praticamente nada.
Já agora, se queres alguns números sobre acidentes nucleares (apesar de, devido à sua gravidade, serem habitualmente camuflados), dou-te apenas alguns que se referem a um só país: os EUA (já dá para calcular a quantidade de acidentes existente nos restantes países).
Se queres alguns factos sobre a influência da radioactividade nos trabalhadores que extraem o urânio, e os que trabalham nas centrais ou manuseam armas:
Se queres alguns factos acerca da dificuldade, ainda hoje existente, na medição da contaminação radioactiva e da sua extensão no tempo:
Transporte e actividades ilícitas:
Inconsistência teórica :
Se isto é astrologia, falácia, ou o que lhe queiras chamar, então, acho melhor ires rever o verdadeiro significado destas palavras...
O que aconteceu na Rússia foi uma catástrofe e não um mero acidente isolado como pretendes demonstrar. Algo que pode muito bem acontecer em Portugal, ou em qualquer outro país, com a grande diferença de termos um território bem mais pequeno.
Não te esqueças de colocar os teus famosos "factos concretos". É que até agora ainda não vi praticamente nada, apesar de afirmares que os apresentaste.
Mais importante que tudo isto é que o texto do meu artigo não se refere apenas ao perigo do nuclear, mas ao de outras indústrias poluentes e, sobretudo, ao impacte na paisagem desta e outras estruturas industriais. Também aí temos uma visão dramaticamente diferente.
O teu conceito de nação é muito diferente do meu. Se queres uma nação rica e poderosa a qualquer custo, acho melhor trocares de nacionalidade.

É a paisagem de sonho que desde há muito revela a gula de todo o liberal portuga que se preze. O que interessa são os números, ganhar dinheiro a todo o custo, imitar os manos ibéricos que estão a ficar tão mais ricos que se torna difícil conter entre nós o assustador crescimento de borbulhas de inveja. É verdade que o brilho dourado dos países mais ricos no que respeita ao PIB e outros índices de desenvolvimento nos encandeia e precipita numa corrida alienante, mas não é menos verdade que a par da alegria tio patinhas dos euros e dos dólares se escondem as taxas mais elevadas de poluição e de verdadeiros "assassinatos" ambientais. Vamos produzir energia atómica, submetendo-nos aos riscos incalculáveis de uma central que caia fora do controlo ? Ou vamos arranjar outras alternativas energéticas menos perigosas e que respeitem o ambiente ? Não será melhor comprá-la, apesar de sermos pobrezinhos ? Prefiro, sinceramente, que continuemos na cauda da Europa, limpos de industrias poluentes e perigosas que ameaçam a saúde da população e a beleza do território. Temos um país lindíssimo, onde já abundam indústrias de verdadeiros bandidos e mafiosos que não hesitam em poluir rios e continuar a destruir paisagens de eleição, e ainda querem mais?

Excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes à revista Visão, onde, às tantas, se evoca a guerra do Ultramar, em Angola, em que o Autor tomou parte:
[...]
V: Ainda sonha com a guerra?
ALA: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que, agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.
V: Parava a guerra?
ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?
V: Não vou pôr isso na entrevista...
ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?
[…]
(artigo gentilmente subtraido ao vizinho conversasdexaxa4)
(os azulinhos do Porto desculpem lá, mas...)

(ilustração de João Cóias)
Há acontecimentos para os quais ninguém está preparado. Sói dizer-se. O conteúdo absolutamente inopinado desta caixa de comentários do Semiramis é, por certo, um desses casos. Um autêntico tratado sobre a massa informe em que se pode transformar o humano em sociedade - particularmente quando aquele, como nalguns comentários daquela caixa, tem máscara que lhe oculte os traiçoeiros rubores.
Tudo começou com este comentário:
Caros amigos, A Joana partiu para não mais vai voltar. Eu era uma das três únicas pessoas que conhecia a sua identidade. Na hora da partida não sei qual a sua vontade em relação ao magnifico blog que mantinha com grande paixão. Sinto-me orgulhoso por ter sido seu amigo durante os últimos 15 anos. Onde quer que estejas, não te esquecerei.! Publicado por: Um conhecido da Joana às fevereiro 6, 2006 11:40 AM
Continuou com outros comentários, do "Amigo de longa data da Joana" e do "Outro conhecido de Joana", a asseverarem o inditoso acontecimento.
Seguiu-se então o comentário do Nuno Cunha Rolo que referiu:
"Sobre a Joana, já escrevi no meu blog, Arcadia, o que tinha a dizer. Os meus sentimentos à família e o meu agradecimento, através dela, por todo o conhecimento e cultura me deu a conhecer. Obrigado. E oxalá publiquem em livro os melhores posts dela, ou seja, todos (sem exagero). Porque todos demonstram o que acima disse. NCR Publicado por: Nuno Cunha Rolo às fevereiro 10, 2006 12:10 AM"
No dito blogue, NCR confirmava:
"É com grande, grande pesar que soube, por amigos da família, que a Joana do Semiramis morreu, no Domingo, por uma fulminante embolia pulmonar."
Hoje, cerca do comentário 200, alguém, assinando Joana, refere:
Acabo de chegar de uma viagem ao Extremo Oriente, por razões profissionais, e estou siderada com o que leio. A blogosfera preparou-me para todos os dislates e, por isso, não me surpreende que uma cabeça oca tenha decidido matar-me. Imperdoável é que tenham aparecido comentários assinados por «amigos» meus e que alguns tenham, inclusive, envolvido a minha família. Vou pensar seriamente se vale a pena manter este blog. Publicado por: Joana às fevereiro 13, 2006 07:34 PM
Sobre a questão da morte da Joana, tenho as minhas certezas, pessoais e intransmissíveis. O que aqui releva, e este sim é o propósito deste post, é alertar para aquela caixa de comentários. O teor daqueles comentários, naquela caixa imensa, revelam muito, talvez tudo, da natureza humana.

Animação garantida. Uma produção de_vagares inc. all rights reserved...

(ilustração de joão cóias)
Hopelandic é uma linguagem utilizada pelo grupo musical sigur ròs que, naturalmente, conta entre os meus preferidos.
Todas as formas de linguagem comum são inventadas. Nascem de um acordo progressivo entre a emissão de determinado som, mímica ou imagem e a identidade de determinado objecto externo ou interno. Acordo este que é maioritariamente aceite pelos seres que as produzem. São indiscutivelmente úteis, mas imperfeitas.
Hopelandic é igualmente uma linguagem inventada. Pretende ultrapassar a impossibilidade da sintonia perfeita entre a linguagem comum e os sentires individuais. É uma linguagem em reinvenção constante, circunscrita inevitavelmente à realidade a que se refere.
Não sei se alguma vez conseguirei falar hopelandic, mas a ideia agrada-me, e daí a escolha do nickname.
Um grande OLÁ a Todos ! E divirtam-se !!!