PÁGINA DE ENTRADA

maio 03, 2006

update

O que acontece quando um excepcional blogger faz de ventríloquo? Transformando adoráveis animais que procuram ser de estimação em cães melómanos?
Era giro que houvesse um blog que nos desse música e vídeos, nos poupasse o trabalho de descobrir os links relevantes e importantes, nos informasse, nos divertisse e nos deliciasse, por ser lindo. Não havia, mas já há: é brand:new.

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abril 20, 2006

mais um post preguiçoso e oportunista

O powerpoint era pesado para colocar aqui, mas vale a pena seguir o link e clicar numa das ilustrações no compartimento superior. Clique na imagem para abrir.
Uma viagem fantástica.

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março 24, 2006

qualidade/quantidade

(ou mais babyblog dentro do blog)

Amorzinho, faz o teu chichi neste frasco. (...) Olha, foi pouquinho, mas deve dar para fazer a análise.

Quinze minutos depois:
Mãããe! Já resolvi tudo. Olha: já temos o frasco cheio. Foi só juntar água...

março 23, 2006

fait divers

Enviado pela amiga do costume. É muito giro. Chamem as crianças, para elas verem também.

março 21, 2006

dúvida conceptual

O meu filho pequeno hoje veio da escola muito excitado com rimas. Não vou contar com o que rimava catapulta, até porque não rimava. Apresentou-me alguns exemplos; uns pouco conseguidos, como lua e lula, outros mais, como rima, prima e menina. Num rasgo, disse-me: e dália rima com dália! Sabes porquê, mãe? Porque são duas dálias diferentes.

março 14, 2006

Sem título

A primeira vez que o meu filho mais velho reagiu a uma obra exposta numa galeria de arte foi há alguns anos, numa exposição de fotografias de Gérard Castello-Lopes. Já tinha demonstrado o seu apreço ou mera aprovação condescente em outras ocasiões. Desta vez a sua atenção foi demorada. Sentou-se no chão e ficou a olhar em frente, sem tempo.
A imagem que o cativou, alterando-lhe o semblante (naquela manifestação de olhar fixo e, simultaneamente, perdido), representava um vidro molhado.
Lembrei-me disso porque me ocorreu que uma das grandes mudanças que senti, quando viajei de um país quente para um país temperado, foi a descoberta da chuva. Que me deixava horas a olhar e a desenhar com os dedos sobre vidros embaciados. A tentar perceber uma ordem nos pingos interrompidos pelo ocasional sulco de uma gota.

fevereiro 24, 2006

catarina cronista

Ontem apareceu uma nova revista no mercado. A Psicologia Actual foca temas da psicologia pertinentes para os relacionamentos comuns entre as pessoas: amorosos, familiares ou sociais.
Usando linguagem acessível ao grande público, numa abordagem que pretende ser cientificamente correcta, o seu objectivo é procurar caminhos para a felicidade.
Conta com o contributo especial de uma cronista de grande prestígio quase internacional que, só por si, trará muitos leitores à revista.
Na sua primeira crónica, intitulada “A eternidade”, escreve:

É isso, a eternidade: o que vem de trás, os pedaços de pessoas que emergem naquela que está agora á nossa frente, através de códigos pré-definidos e em tudo aquilo que passa de mãe e pai para os filhos. A eternidade não é mais do que a continuidade das pessoas nas outras.

Parabéns, mana.

link para a revista

fevereiro 22, 2006

pastilha [paraísos portáteis] #6

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fevereiro 15, 2006

caguei

Cópia autêntica da carta existente na Biblioteca Nacional de Lisboa, dirigida por Pina Manique, Corregedor de Santarém (e futuro Intendente de Polícia do Marquês de Pombal), ao Duque de Cadaval, Corregedor-Mor da Justiça do Reino):

Exmo. Sr. Duque de Cadaval:

Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da
mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por
TU,- Caguei para mim que nada valho.

Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em
Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino, tratar-me
acintosamente por TU,- Caguei para o cargo.

Mas, se nem uma nem outra coisa consentem semelhante linguagem, peço
a V.Excia. Que me informe com brevidade sobre estas particularidades,
pois quero saber ao certo se devo ou não Cagar para V. Excia."

Santarém, 22 de Outubro de 1795


(Recebida de uma amiga, por e-mail. Não resisti a colocá-la aqui)

fevereiro 14, 2006

BESphoto*

Fui ontem ver a exposição BESphoto, patente no Centro Cultural de Belém. Na sua segunda edição, esta iniciativa tem o fito de promover a fotografia nacional, atribuindo um prémio a um dos fotógrafos selecionados. Gostava de saber falar sobre fotografia, para sair daqui um post decente. E teria também sido muito oportuno que os folhetos relativos à exposição não se tivessem esgotado antes da minha ida, porque o google tem pouco para me dar, a este respeito – nem uminha imagem das que vi no CCB estava disponível nos parcos links relacionados que encontrei.

Os trabalhos escolhidos foram apresentados nos últimos três anos e pertencem a José Luís Neto, Paulo Catrica, José Maçãs de Carvalho e António Júlio Duarte. Com toda a isenção que me caracteriza, vou já dizendo que vale a pena lá ir nem que seja só para ver as imagens de José Luís Neto.

As fotografias de Paulo Catrica reflectem sobre urbanidade e natureza, com boas fotografias de cidades e arquitectura e uma, belíssima (entre o núcleo de paisagem) com um imenso monte verde cujo limite em curva oblíqua se dilui estranhamente, na sobreposição de uma nuvem. Diz-me a informação que recolhi que é no Alentejo, mas eu iria jurar que foi tirada na Madeira.
José Maçãs de Carvalho foi o preferido do meu filho mais velho, com um vídeo em que uma mulher diz uma frase sem som: “as imagens são as palavras dos analfabetos”. Ficou vidrado. O mais novo achou curioso que a mulher tivesse só braços e cabeça (sendo quase incorpórea, portanto), até perceber que ela estava vestida de preto sobre um fundo da mesma cor. Também gostou bastante dos caixotes onde o mesmo artista colocou exemplares emoldurados de fotografias suas, à disposição do visitante, mas não quis trazer nenhuma.
António Júlio Duarte apresenta imagens de corpos na noite, alguns tatuados, mulheres de meias de liga e tal, intercaladas com outras de carros acidentados, com o eventual bombeiro a retirar corpos.
E agora, José Luís Neto.
Este rapaz tem-me surpreendido sempre com um trabalho que foge às leituras mais prosaicas da fotografia. Com uma minúcia de relojoeiro no que respeita ao domínio das técnicas (e como eu gostaria de ter o knowhow necessário para escrever sobre provas de prata e brometos de não sei quê... mas não tenho), todas as imagens suas, que tive o privilégio de ver, são paradigmáticas de como a fotografia já se soltou da tradição, para passar a ser obra plástica obtida por meios fotograficos. E de como o fotógrafo investiga incansavelmente a fotografia, caminhando perigosamente nos seus limites.
Evidenciando duas preocupações que me são caras, a da subversão das escalas e a da introdução da percepção do tempo, o inesperado está sempre presente no seu trabalho, como nas fotografias feitas em macro dos perfis de listas telefónicas (parecem pinturas abstractas, numa primeira leitura), que se podem ver no CAM (Gulbenkian).
Aqui, no CCB, apresenta duas séries e uma fotografia de grande dimensão. “Anónimo” é feita a partir de um negativo de Joshua Benoliel, em que sucessivas ampliações permitiram revelar, em claro escuro numa superfície texturada, imersos no grão, os rostos de presos políticos (há uma outra série com cabeças encapuçadas). Uma outra, de miniaturas, “Irgendwo” é constituída por fotografias minúsculas, perfeitas no rigor do enquadramento e na subtileza do detalhe. “Für Claudia”, uma daquelas que parecem desenhos, é um conjunto de linhas horizontais sobre uma comprida página branca. Maravilhoso.
Amanhã será atribuído o prémio. Escusado será dizer em quem eu aposto.

* A exposição poderá ser vista até dia 2 de Abril.

fevereiro 10, 2006

pastilha [paraísos portáteis] #5

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fevereiro 08, 2006

pastilha [paraísos portáteis] #4

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fevereiro 07, 2006

clarividência sonolenta

(ontem, ao deitar)

Mãe, sabes que o muito nunca pode ser completamente muito, nem o pouco completamente pouco?
...
Pois, porque senão era tudo e já não era muito, ou era nada e já não era pouco.
(Ah pois é...)
E olha, por exemplo: podemos ter um milhão, mas também podemos ter menos um milhão, que é um milhão negativo...
(O quê? Vocês no primeiro ano já aprendem números negat...)
...E sabes qual é o número do meio, mãe?
...
O número do meio é o zero, mãe. Não vês?, o zero é o único número que não pode ser o menos dele próprio.

fevereiro 01, 2006

pastilha [paraísos portáteis] #3

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janeiro 31, 2006

a morte na vida

Um episódio infeliz levou-me a passar dois dias num hospital.
Tendemos a ver estas experiências como extremamente nefastas e cabalmente negativas. No entanto, saíndo para fora do nosso drama pessoal, um hospital torna-se um lugar fascinante, como outro qualquer.
Passeando pelos corredores meticulosamente desenhados em labirinto, subindo e descendo escadas, é fácil perdermo-nos. Vamos parar a sítios habitados por equipamentos aparentemente recuperados de filmes antigos de ficção científica. Ou a uma ala nova, cheia de caixotes, com cheiro a materiais de construção, onde paira uma musiquinha e se pode dançar um pouco, num intervalo.
Há quem precise de ajuda, facilitando a saída da nossa angústia particular. Mães inexperientes recebem sempre com alívio uma sugestão que possa apaziguar o choro intermitente das suas crias, ou uma mão que as embale enquanto vão tratar de si.
Numa das minhas excursões noctívagas, procurava uma porta por onde pudesse sair para o exterior para fumar um cigarro – e por onde pudesse voltar a entrar. Entabulei conversa com duas enfermeiras, que decidiram levar-me com elas até á saída das urgências. Aqui, passei por corredores sem fim, repletos de macas. Sobre elas jaziam, quase invariavelmente, velhos. O olhar vago, a expressão de quem não sabe se espera o tratamento ou a morte, a tentativa falhada de corresponder ao sorriso que lhes dedicamos, a fisionomia crispada pela dor.
A vida está presente nas vertentes expressivas da morte, da doença e da salvação.
Tenho um amigo cuja saúde o obriga a frequentes internamentos hospitalares. Um dia, uma das suas visitas estranhou a bonomia com que ele enfrentava tratamentos penosos, temporadas passadas em enfermarias. Ele respondeu estás a ver todas aquelas camas vazias? Já foram todos embora. Sorriu. E olha que não foram para casa.

janeiro 28, 2006

Bancada Central

Bancada Central é um programa de rádio que passa na minha cozinha, de vez em quando. É apresentado por Fernando Correia, que demonstra ser, no meio do desporto, o agente com mais serenidade e fairplay da nossa praça.
O programa é uma amostra de grunhice incomparável. Ali se ouve falar de bola com gana, com fúria, com estupidez. O tom insultuoso roça de tal modo o absurdo, que o riso, no auditor, é incontrolável. As explicações para as derrotas parecem enredos de teorias de conspiração elaboradas – mas sem nexo.
Os comentadores que para lá telefonam pegam-se, são mal-educados, agridem-se – e o apresentador põe ordem no balneário. Sem descompor ninguèm, mas chamando firmemente à ordem quem sai da linha, como quem disciplina uma criança.
Não sou uma adepta ferrenha de futebol. A minha opção clubística não chega a mnifestar-se, sequer, pelo conhecimento dos nomes dos jogadores que compõem a minha equipa.
Torço pela minha equipa, pela Selecção e – ainda – pelo Figo, que merecia ter um belo momento de glória como corolário da sua carreira, em vez do desapontamento que nos faz dizer “ah, Figo...”. Do Cristiano Ronaldo também gosto, tem uma coreografia elegante, uma precisão no arranque, ...cof, cof (ainda bem que não comenta na bancada central...)
Gosto de ver um bom jogo. Se a ocasião o permite, organizo-me com cervejas e tremoços para assitir. Grito, vaio, pontapeio, salto no momento do golo, deixo-me cair, em desalento, no sofá, quando afinal a bola vai à trave.
Não sei se o jogo passa na televisão ou se vou ter que ficar pelo relato radiofónico. Mas hoje, quero fazer ondas.

janeiro 26, 2006

receitinha pedida: sopa de peixe

O processo inicia-se com alguma antecedência. Como sou muito poupadinha, de cada vez que cozo peixe, guardo a água da cozedura no congelador. Restos de peixe, seja qual for o cozinhado, vão também para o congelador, à mistura com as eventuais batatas e bróculos que também tenham sobrado.
Chegado o dia da sopa, refogam-se umas cebolas pequenas com azeite e alho. Junta-se tomate aos bocados ou, na versão preguiçosa, polpa de compra/tomate enlatado. Acrescenta-se a água reservada e atira-se lá para dentro os tais restos heterogénios, uma folha de louro, sal e mais uma ou duas batatas, consoante a quantidade. Quando estas estiverem cozidas, baixa-se o lume, retira-se a folha de louro e junta-se um molho de coentros. Deixa-se cozer dois ou três minutos e tritura-se a sopa. A partir daqui, há três opções:
1. a sopa tem boa consistência, não nos apetece ter mais trabalho e está andar - passa-se à fase seguinte, a do tempero.
2. queremos uma textura veloutée / a sopa está demasiado líquida: preparamos, à parte, uma boa colher de maizena dissolvida em leite, que se depeja lentamente para dentro da panela, mexendo sempre. Depois de engrossar , se ficar demasiado espessa, acrescenta-se leite, até ficar perfeita.
3. arranja-se uma mulher que esteja a amamentar e espreme-se o leite para dentro da panela, se se quiser desperdiçá-lo, a par de fazer uma sopa de merda.
No fim junta-se pimenta preta moída e umas gotinhas de tabasco verde. Há quem goste de juntar lascas de peixe ou camarões cozidos, mas eu prefiro só o creme. Serve-se com cubos de pão frito.
Não me digam que a minha sopa de peixe não é mais sexy que a do José Rodrigues dos Santos.

janeiro 21, 2006

tá tudo ligado

Ler o post aqui abaixo trouxe à minha memória uma questão que me manteve intrigada durante muito tempo.
Pequena, também eu tinha essa impressão: isto cá dentro era um grande corredor escuro. Não percebia porque um bebé que não tivesse "dado a volta" tinha que nascer por cesariana, em vez de sair pela boca. Era a opção mais lógica, que evitaria anestesias, cortes e cicatrizes.
Lá me explicaram que não estava tudo ligado, mas a mentira delas não pegou. Acrescentaram que a boca não dilatava o suficiente para esse efeito, o que comprovou a rematada aldrabice: era por demais evidente que se a boca abria pouquinho, o orifício por onde era suposto que os bebés saíssem era ainda mais diminuto...

janeiro 19, 2006

pastilha [tempo] #2

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janeiro 17, 2006

pastilha [tempo] #1

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janeiro 16, 2006

podia falar sobre o tempo, mas agora não tenho vagar

Em casa da minha avó havia dois grandes relógios de parede. Soavam as badaladas em diferido, o que cedo me ensinou sobre a relatividade do tempo. Primeiro ouvia-se o do andar de baixo, de som mais grave. Quando me chegava o tinir do relógio de madeira pintada de verde, próximo do meu quarto, contava até doze e sabia que era mesmo muito tarde.
Acrescida a excitação da insónia, ficava muito satisfeita comigo por ter resistido tanto ao sono. O pensamento a resvalar para impossibilidades ainda impregnadas de verosimilhança. Os membros entorpecidos. Queda.

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